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Ter um animal de estimação fica caro, mas é gratificante

As casas portuguesas albergam, sobretudo, cães e gatos oferecidos. Nem todos têm microchip de identificação, como manda a lei, mas a grande maioria é afetuosa e ajuda a combater a solidão. Os veterinários são bem apreciados pelos inquiridos, exceto no preço. 

26 julho 2022 Exclusivo
Gato e cão

iStock

Pondera adotar um animal, mas está indeciso na escolha? Fique a saber que os mais estimados pelos portugueses são o cão e o gato. O primeiro, mais meigo, obediente e "sociável", sobretudo com crianças, é mais dispendioso e mais atreito a doenças. O segundo vence no asseio, na independência e na imprevisibilidade. Este perfil resulta de um estudo por questionário, ao qual responderam 950 pessoas que, à data, tinham um animal de estimação (ou tinham tido, em 2021). Segundo os dados recolhidos, sete em cada dez inquiridos coabitavam com, pelo menos, um cão, e cerca de metade tinha um gato. Quando vários animais partilhavam o mesmo tutor, as respostas incidiram sobre o que mantinha uma relação mais próxima com o dono − um cão, em grande parte dos casos. Havendo cão e gato, é o primeiro que ganha na atenção de 82% dos inquiridos.

Melhor qualidade de vida

Cerca de nove em cada dez sentem-se menos sozinhos graças à presença do seu afetuoso companheiro de quatro patas; a interação permite-lhes uma agradável fuga à rotina e influencia positivamente o estado de espírito. Quanto à atividade física, as vantagens são mais evidentes para quem tem cão: 58% reconhecem ser mais ativos por causa do animal, quanto mais não seja pela necessidade de o levar à rua. Cerca de metade diz fazê-lo, pelo menos, uma vez por dia, em passeios de 24 minutos, em média. O gato, por sua vez, põe um terço dos inquiridos a mexerem, mesmo não precisando de ser passeado. A relação cria laços, e os donos acabam por se afeiçoar em demasia ao seu cão (76%) ou ao seu gato (71%), sendo que mais de metade manifesta preocupação com o que poderá acontecer-lhe, se, por alguma razão, não puder cuidar dele. Grande parte dos inquiridos admite que o animal é uma mais-valia para a família, já que contribui de forma decisiva para a melhoria da qualidade de vida de todos.

Metade dos gatos não têm microchip de identificação

Mas ter um animal não é só vantagens. Três em cada dez inquiridos queixam-se de limitações na escolha do local de férias por conta do animal de companhia. Outra questão importante é a dos custos: 18% dos cães e 15% dos gatos são fonte de preocupação financeira para os seus tutores, dadas as despesas que impõem − os canídeos custam, em média, 1021 euros por ano, e os felinos, 892 euros. É preciso ainda ter em mente que os direitos dos animais são obrigações para os donos. Por lei, quem adota é obrigado a cuidar e proteger. Além de água e comida, deve assegurar-lhes o acesso a serviços médico-veterinários sempre que se justifique, vacinação e meios de identificação. Estes incluem o microchip e o registo no Sistema de Informação de Animais de Companhia (SIAC). A coleira com o contacto do detentor, usada por 30% dos cães e 13% dos gatos, pode ser útil, para agilizar a comunicação, em caso de perda ou de abandono, mas não tem valor legal, pelo que não dispensa o microchip. A falta deste pode ser punida com coima entre 50 e 3740 euros.

(Gráficos: Pedro Nunes)  

Cão com saúde mais sensível

Cumprindo o dever de cuidar da saúde dos seus animais, 86% dos inquiridos levaram os cães, pelo menos, a uma consulta de rotina, nos 12 meses anteriores ao inquérito. No caso dos gatos, foram 73 por cento. Principais motivos, para uns e outros: vacinação, desparasitação interna e exames de rotina. Os cães mais novos (puppies) são os maiores clientes, com uma média de 3,4 consultas no último ano. Os adultos e os seniores visitam o veterinário, em média, duas vezes por ano. Nos gatos, a tendência é mesma, isto é, os mais novos são mais assíduos, mas com menos consultas do que os cães (duas por ano, em média).

Os canídeos parecem mais suscetíveis a problemas de saúde: 47% ficaram doentes nos 12 meses anteriores ao inquérito, contra 37% dos gatos. Os animais mais velhos, pela lei da vida, apresentam mais maleitas, predominando as que decorrem do envelhecimento. Nos canídeos idosos, destacam-se ainda as otites e os problemas nos dentes; já nos felinos mais velhotes, sobressaem as doenças nos órgãos internos.

Veterinários aprovados

Na prestação de cuidados de saúde aos animais, reinam os serviços privados. Foi a estes que recorreram 91% dos patudos no ano anterior ao estudo. Os restantes distribuíram-se por ofertas nas universidades, em associações ou noutros contextos.

Os médicos-veterinários são altamente apreciados pelos inquiridos. Numa escala entre 1 e 10, quase todos os parâmetros obtiveram uma nota superior a oito, o que significa que os utentes estão muito satisfeitos.

O custo dos serviços é a única nota verdadeiramente fora de tom. Os inquiridos estimam gastar, em média, 281 euros por ano com a saúde do seu cão, e 188 com a do gato. Os seniores dão mais despesa, claro, porque têm mais maleitas: 411 euros por ano, no caso do cão, e 239 euros, para o gato.

Se analisarmos o dispêndio por ato médico e produto, verificamos que a fatura pode ser bem mais alta, para os que deles necessitam. O custo médio anual das cirurgias rondou 300 euros, dos exames complementares de diagnóstico, 120 euros, dos medicamentos, 90 euros, das consultas de rotina, 65 euros... Ou seja, dificilmente o orçamento das famílias suporta o tratamento de doenças mais exigentes, sendo que a grande maioria dos animais não tem seguro de saúde.

(Gráficos: Pedro Nunes)  

E se não puder pagar?

Se não puder pagar os cuidados de saúde, procure os serviços de associações, das universidades e das autarquias. Estas, por conhecerem o seu território, estão na melhor posição para organizar respostas estruturadas. Além das campanhas de esterilização e de vacinação contra a raiva, que muitas já fazem, é importante que prestem socorro a animais negligenciados e garantam cuidados de saúde mediante uma taxa reduzida ou que sejam tendencialmente gratuitos aos que estão sob responsabilidade de associações e de famílias carenciadas. Para que o abandono não se torne mais uma face da crise económica.

Para este estudo, em setembro e outubro de 2021, enviámos um inquérito a uma amostra da população nacional entre os 18 e os 74 anos. O questionário devia ser preenchido apenas por quem tinha animais de estimação. Recebemos 950 respostas válidas, sendo que os resultados do estudo refletem a opinião e experiência dos portugueses que têm animais de companhia.

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