Ar condicionado: como escolher o tipo e a potência certa
Seja para aquecer ou arrefecer a casa, a escolha do ar condicionado certo é uma decisão importante para um bom desempenho e conforto. Conheça as características que o equipamento deve ter.
Existem diferentes soluções para climatizar uma ou várias divisões da casa, e os equipamentos não têm todos o mesmo desempenho energético. Por isso, ao escolher um ar condicionado deve ter em conta o tipo de sistema, a eficiência energética e as dimensões do equipamento.
Antes de comprar, uma dica útil: não escolha a potência apenas com base na área da divisão. As características do espaço onde vai instalar o equipamento e a utilização prevista também influenciam as necessidades de climatização.
A casa está bem isolada?
A primeira pergunta que deve fazer antes de investir num aparelho de ar condicionado é se a casa se encontra devidamente isolada. Quando o isolamento térmico da casa é de pouca qualidade, muita da energia gasta no aquecimento e arrefecimento é perdida através de janelas, pavimentos, paredes ou coberturas. Daqui resultam custos acrescidos na fatura mensal de eletricidade.
Antes ainda de comprar um aparelho de ar condicionado, deve investir na implementação de medidas de melhoria passivas que garantam um bom isolamento térmico da habitação. Só assim será possível reduzir ao estritamente necessário as necessidades de energia para climatizar a casa.
Além da redução da fatura de eletricidade, também há benefícios para o ambiente, uma vez que se reduzem as emissões de dióxido de carbono associadas à utilização de energia. Um bom isolamento térmico traduz-se também na minimização de doenças para os habitantes e na melhoria da salubridade no interior da habitação. O isolamento acústico também poderá melhorar.
Como funciona o ar condicionado
Os aparelhos de ar condicionado destacam-se pela sua elevada eficiência energética, pela forma como funcionam. Outros equipamentos consomem energia elétrica com o intuito de produzir energia, apresentando eficiências sempre inferiores a 100 por cento. Os aparelhos de ar condicionado consomem energia elétrica para “transportar” energia de um lugar para outro: do interior da habitação para o exterior, ou vice-versa.
Pelo facto de terem capacidade para aproveitar a energia presente no ar ambiente (recurso renovável, sempre disponível e gratuito), os modelos mais recentes conseguem fornecer cerca de 5 a 8 kWh de energia útil (calor ou frio), por cada kWh de energia elétrica consumido.
Tipos de ar condicionado
A escolha entre os diferentes tipos de ar condicionado depende, sobretudo, do número de divisões a climatizar, da configuração da habitação e das possibilidades de instalação. Os aparelhos de ar condicionado mais conhecidos são os mono-split, mas também existem os multi-split, VRF, portátil e centralizado ou de condutas.
Ar condicionado mono-split
No caso deste tipo de ar condicionado, "mono" significa que apenas existe uma unidade interior ligada a uma unidade exterior; “split” refere-se ao facto de as duas unidades estarem interligadas entre si, por dois tubos de cobre e um condutor elétrico. A unidade interior apresenta um terceiro tubo para a evacuação de água (condensados), geralmente para o exterior. As duas unidades podem estar afastadas vários metros, quer na horizontal, quer na vertical.
Ar condicionado multi-split
Os aparelhos de ar condicionado multi-split têm várias unidades interiores ligadas a uma só unidade exterior. Tal como nos aparelhos mono-split, a unidade exterior está afastada e conectada (“split") às várias unidades interiores. Cada unidade interior está ligada à unidade exterior através de dois tubos de cobre e um condutor elétrico. Cada unidade interior tem de escoar os condensados para o exterior ou para um esgoto apropriado.
A grande vantagem da solução multi-split é a instalação de menos máquinas exteriores (em comparação com a solução mono-split), muito vantajoso, por exemplo, quando existem limitações arquitetónicas. Nesta ótica, existe uma simplificação ao nível da instalação das máquinas exteriores, mas requer ainda a instalação de tubos de cobre entre a máquina interior e exterior (dois por cada máquina interior). Ainda assim, caso não exista pré-instalação, poderá ser mais caro.
Ar condicionado VRF
No caso dos aparelhos VRF ("variable refrigerant flow" – fluxo de refrigerante variável), a construção da unidade exterior muda em relação aos mono e multi-split, passando a utilizar volume e fluxo variável de gás frigorífico. Esta capacidade permite que as máquinas exteriores funcionem numa gama mais alargada e ampla de potência.
Os aparelhos VRF têm uma filosofia muito próxima da dos multi-split, com uma unidade exterior a alimentar várias unidades interiores. Da mesma forma, permitem outra vantagem importante: da unidade exterior apenas saem dois tubos de cobre (mais um condutor elétrico), que depois irão, através da eventual utilização de repartidores de gás frigorífico, conectar-se a cada uma das máquinas interiores. Ou seja, consoante a necessidade de potência imposta pelas unidades interiores, a unidade exterior irá modelar a quantidade e o fluxo de gás frigorífico a circular, de modo a satisfazer essas necessidades.
Regra geral, estes aparelhos costumam apresentar sistemas de controlo mais complexos e poderosos, para que o ajuste de funcionamento da unidade exterior em relação a vários fatores (potência solicitada, condições ambientais ou carga do sistema) seja efetuado da forma mais eficiente possível.
A grande vantagem da solução VRF é a instalação de menos máquinas exteriores em comparação com a solução mono-split e menos linhas de cobre entre a unidade exterior VRF e as interiores. Para uma mesma instalação, é capaz de oferecer maiores distâncias de operação, quer horizontal, quer vertical, entre a unidade exterior VRF e as interiores e permite cobrir maiores gradientes de potência.
Ar condicionado centralizado ou de condutas
Num aparelho de ar condicionado centralizado ou de condutas, a unidade interior não é convencional, uma vez que é instalada, por exemplo, por cima de um teto falso e não é visível no interior da sala. Esta unidade está ligada à unidade exterior (mono-split, multi-split ou VRF) por dois tubos de cobre e tem sempre uma ligação ao exterior ou ao esgoto por causa dos condensados. Na divisão onde está instalada, capta o ar a climatizar através de grelhas e volta a colocar o ar climatizado na divisão, na mesma zona onde é feita a captura ou noutros pontos da sala, através de mangas flexíveis.
A grande vantagem deste tipo de aparelhos é a possibilidade de incluir a unidade interior em tetos ou paredes falsas. Com isto, reduz-se o impacto e a pegada visual do equipamento na divisão e pode conseguir uma quase completa integração do mesmo no design da divisão.
Escolher o melhor equipamento
Se tiver locais para instalar unidades exteriores de ar condicionado, os aparelhos split com tecnologia inverter são os recomendados.
Se precisar de climatizar várias divisões da casa ao mesmo tempo, mas não quer ou não pode fazer obras de remodelação (como a instalação, por exemplo, de tetos falsos), considere a instalação de sistemas multi-split ou, em alternativa, de sistemas de ar condicionado VRF.
Caso tenha possibilidade de fazer obras, colocando tetos falsos, poderá optar por uma solução em que as unidades interiores ficam ocultas, sendo a distribuição do ar feita através de condutas.
Antes de avançar para a compra de um aparelho de ar condicionado, analise as características da divisão que pretende climatizar. O correto dimensionamento destes equipamentos é fundamental. Aconselhe-se sempre junto do técnico, que deverá colocar algumas questões:
- Qual é a área da sala? Com esta informação, é possível ao vendedor indicar a potência do ar condicionado que melhor se adapta ao espaço onde vai ser instalado o sistema. Não faça qualquer compra, caso esta questão não seja estudada previamente.
- Qual a área das janelas e a sua orientação? Uma área de envidraçados grande, se estiver virada a sul ou oeste, poderá representar uma carga térmica muito elevada, o que deverá indicar ao vendedor que precisa de um sistema com maior potência.
- Que tipo de isolamento tem? O isolamento térmico é essencial para garantir um funcionamento eficiente do ar condicionado. Um isolamento deficiente, além de obrigar a uma máquina de potência superior, irá gerar custos energéticos superiores.
- Quantas pessoas ocupam normalmente o espaço? As pessoas libertam calor. Se no inverno esse calor ajuda a manter o espaço confortável, no verão é uma carga adicional que tem de ser vencida pela máquina. Se tiver uma família numerosa que se junta na sala, pode precisar de uma máquina mais potente.
Existem algumas recomendações que podem ajudar à tomada de decisão. Por exemplo, para uma divisão entre 18 e 20 metros quadrados, um aparelho com 2,5 kW de potência de arrefecimento poderá ser suficiente. Já para áreas superiores, até 25 metros quadrados, deverá optar por um equipamento com uma capacidade de 3,5 kW. Consulte os resultados dos testes da DECO PROteste a sistemas de ar condicionado mono-split.
Se for verão, regule o termóstato para os 26°C, e, se for inverno, para os 20°C (aponte para os 22°C se estiverem presentes crianças pequenas ou pessoas com mobilidade reduzida); são essas as temperaturas de conforto. Em último caso, se a instalação de um aparelho split não for possível, opte por um aparelho de ar condicionado portátil.
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O projeto recebeu financiamento através do programa de investigação e desenvolvimento “Horizon 2020”, sob o contrato de subvenção nº749402. Nem a EASME nem a Comissão Europeia são responsáveis pela informação veiculada nem pela utilização das informações contidas na mesma. |
Questões frequentes
É possível instalar um único aparelho para várias divisões?
Depende da solução escolhida e das características da instalação. Os sistemas multi-split permitem ligar várias unidades interiores a uma unidade exterior. Já os sistemas por condutas distribuem o ar climatizado através de uma rede de condutas.
O que são os valores de SCOP e de SEER no ar condicionado?
O desempenho dos sistemas de ar condicionado é medido pelos valores de SCOP (do inglês, seasonal coefficient of performance – ou coeficiente de desempenho sazonal –, para o aquecimento) e de SEER (seasonal energy efficiency ratio – ou rácio de eficiência energética sazonal –, para o arrefecimento). Quanto maiores forem estes valores, mais eficiente é o equipamento. Por exemplo, uma bomba de calor com um SCOP de 3,5 será capaz de produzir 3,5 kWh de energia útil, a partir de apenas 1 kWh de energia elétrica.
Onde posso consultar informação adicional sobre um modelo de ar condicionado?
A ficha do produto e a etiqueta energética disponibilizam informação relevante. No que respeita aos modelos colocados no mercado europeu, a base de dados EPREL permite consultar dados adicionais do equipamento.
Um aparelho com uma classe energética elevada é sempre a melhor escolha?
Não necessariamente. A classe energética é um elemento importante, mas há outros dados que deve analisar, como os já referidos valores SCOP e SEER, o consumo, a capacidade do equipamento e o ruído. Lembre-se, também, de que o equipamento deve ser adequado às necessidades e às características do espaço onde vai ser instalado.
Quais são as limitaçoes de um ar condicionado multi-split?
Existem limitações ao nível das distâncias e declives máximos que cada máquina interior tem em relação à exterior. Também só estão disponíveis sistemas até um dado nível de potência (em média, até os 10 kW a 11 kW, repartida por todas as máquinas interiores caso operem ao mesmo tempo) e com um número limitado de saídas para máquinas interiores. Regra geral, há no mercado soluções que permitem a conexão até cerca de cinco máquinas interiores.
Neste tipo de soluções, as máquinas interiores ou aquecem ou arrefecem. Não é possível ter máquinas interiores em diferentes ciclos de funcionamento, mas é possível ajustar cada uma das máquinas interiores de forma independente (temperatura, fluxo e direção do ar ou programação horária).
As soluções VRF têm limitações?
Sim. A maioria das soluções VRF apresenta a mesma limitação que as multi-split ao nível da operação das unidades interiores: ou todas aquecem ou todas arrefecem, mesmo que exista a possibilidade de regular cada uma das unidades interiores de forma independente.
Porém, já existem no mercado unidades VRF que apresentam a possibilidade de ter as unidades interiores em diferentes ciclos de funcionamento (aquecimento e arrefecimento). Por norma, considera-se a solução VRF quando, de um ponto de vista técnico, os requisitos da instalação ficam já fora dos limites de funcionamento das unidades multi-split.
O ar condicionado centralizado ou de conduta faz mais ruído?
Sim. No geral, estes aparelhos podem produzir níveis de ruído superiores e não apresentar as mesmas funcionalidades das unidades interiores ditas “convencionais”. Da mesma forma, a colocação das grelhas de insuflação e de captura de ar da sala tem de ser muito bem pensada, pois a sua alteração implicará obras estruturais.
Como estas unidades interiores podem estar ligadas a qualquer uma das unidades exteriores, apresentam as mesmas limitações com as distâncias horizontais ou verticais de instalação e com diferentes ciclos de funcionamento (aquecimento e arrefecimento), caso estejam várias unidades interiores ligadas a uma só unidade exterior.
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