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Grávidas têm alguma proteção contra despedimento

Em Portugal, há um mecanismo de proteção das grávidas. Mas o Tribunal de Justiça da União Europeia admite que a lei nacional de cada país possa permitir o despedimento de uma trabalhadora grávida por justa causa ou no contexto de despedimento coletivo. 

14 março 2018
despedimento

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A proteção de trabalhadoras grávidas, que acabaram de ser mães (puérperas) ou que estão a amamentar (lactantes) está prevista na Diretiva 92/85, sobre a qual o Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) foi chamado a pronunciar-se em fevereiro deste ano. Aquele tribunal declarou que a diretiva não se opõe a que a lei nacional dos países da União Europeia permita o despedimento de uma trabalhadora grávida no caso de um despedimento coletivo.

O caso que deu origem ao acórdão do tribunal aconteceu em Espanha, em janeiro de 2013. Uma entidade patronal avançou com um despedimento coletivo, depois de uma negociação com os representantes dos trabalhadores. Na sequência do processo, a empresa enviou uma carta de despedimento a uma trabalhadora grávida a explicar a decisão. Por necessidade de reduzir o quadro de pessoal, a trabalhadora em causa era uma das dispensadas por ter tido uma das notas mais baixas no processo de avaliação de desempenho.

A trabalhadora contestou para o Tribunal Superior de Justiça da Catalunha, que pediu ao TJUE para interpretar a proibição de despedimento de trabalhadoras grávidas prevista na diretiva 92/85. O TJUE considerou que a diretiva não se opõe à legislação nacional quando se trata de um despedimento coletivo. De acordo com a interpretação do TJEU, uma decisão de despedimento durante a gravidez por motivos não ligados ao estado de gravidez não é contrária à diretiva. No entanto, só é possível avançar com este tipo de despedimento se a lei do Estado-membro em causa assim o permitir. Nesse caso, o empregador deve apresentar por escrito os motivos válidos do despedimento.

Lei portuguesa protege trabalhadoras grávidas

Em Portugal, a lei criou um mecanismo de proteção das trabalhadoras grávidas, puérperas e lactantes. Desde dezembro de 2015, os tribunais têm a obrigação de comunicar, diariamente, à Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE) todas as sentenças transitadas em julgado que condenem empresas pelo despedimento ilegal de trabalhadoras grávidas, puérperas ou lactantes.

Se existir um parecer prévio da CITE, as empresas podem despedir trabalhadoras grávidas. Se o parecer for desfavorável, a empresa só pode despedir a trabalhadora se um tribunal reconhecer a existência de justa causa.


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