Dicas

Empregado doméstico: obrigações do empregador

21 outubro 2021
empregada doméstica com luvas amarelas limpa vidro

Além da remuneração acordada, há que contar com as contribuições para a Segurança Social, os subsídios de férias e de Natal e o seguro de acidentes de trabalho.

A tempo inteiro ou apenas algumas horas por semana, todos os empregados domésticos têm direito a proteção social, o que obriga os empregadores a assumir alguns encargos e a cumprir umas tantas formalidades.

Enquanto trabalhadores por conta de outrem, os trabalhadores domésticos têm os mesmos direitos excecionais determinados pelo perigo de contágio com a covid-19: por exemplo, subsídio em caso de isolamento profilático ou para assistência a filho menor de 12 anos cujo estabelecimento de ensino tenha sido encerrado.

O pagamento destas e de outras prestações sociais está diretamente relacionado com a remuneração de referência do trabalhador, a qual é determinada pela retribuição declarada à Segurança Social para efeitos do pagamento das contribuições mensais e que pode ser consideravelmente inferior ao verdadeiro salário do trabalhador.

E há situações mais delicadas, nomeadamente, quando o empregador ignora as suas obrigações, não inscreve o trabalhador na Segurança Social e, evidentemente, não paga contribuições. Nestes casos, o trabalhador não consegue aceder a subsídios e apoios, ainda que a eles devesse ter direito. Como resolver, então, o problema? Começando por contactar o empregador para que o corrija e, se isso não acontecer, apresentar a situação à Segurança Social. Em último caso, pode ser necessário recorrer aos tribunais.

Trabalhador doméstico deve ter contrato de trabalho

O contrato de trabalho de um trabalhador doméstico deve conter a identificação do empregador e do empregado, a duração do serviço, as tarefas, o local onde o trabalho é prestado, o valor da retribuição e as regras referentes a folgas e a férias. Pode usar esta minuta de contrato de trabalho de serviço doméstico. O contrato deve ser assinado pelo empregador e pelo empregado, e ambos guardam a respetiva cópia. O salário pode ser acordado à hora, ao dia, à semana ou ao mês.

O subsídio de férias e o subsídio de Natal correspondem ao valor da remuneração mensal.

O empregador tem ainda de contratar um seguro de acidentes de trabalho, que cobre eventuais acidentes sofridos pelo empregado doméstico durante a prestação de serviço ou, entre outras situações, no trajeto entre a sua casa e o local de trabalho.

Há ainda outra burocracia: entregar o Modelo 10 nas Finanças até 10 de fevereiro de cada ano, declarando as quantias pagas ao trabalhador no ano anterior, bem como as contribuições pagas à Segurança Social e, se for o caso, as retenções efetuadas para efeitos de IRS.

Contribuições para a Segurança Social

Como se calcula o pagamento das contribuições? Tudo depende do tipo de retribuição declarada. Pode ser mensal, diária ou horária, mas a taxa a pagar corresponde sempre a 28,30%, dos quais 18,9% são correspondentes à parte do empregador e 9,4% à do empregado. Nos trabalhadores com salário mensal, estas são aplicadas ao valor do indexante dos apoios sociais (IAS), que é de 438,81 euros, em 2021. Assim, há que pagar, mensalmente,  um total de 124,19 euros (€ 82,94 + € 41,25).

Existe também a possibilidade de os descontos serem feitos sobre o valor efetivamente pago (o mínimo correspondente ao salário mínimo nacional), mas as taxas sobem para 22,3% e 11%, respetivamente, ficando o trabalhador também protegido contra a eventualidade de desemprego, ou seja, poderá ter direito a subsídio se ficar desempregado de forma involuntária. Os restantes estão protegidos nos casos de doença, parentalidade, doenças profissionais, invalidez, velhice e morte.

Tratando-se de pagamento diário, o valor a ter em conta por cada dia é de 14,63 euros (€ 438,81 : 30). Multiplica-se esse montante pelo número de dias que o empregado trabalhou durante o mês e aplicam-se-lhe as taxas acima referidas (18,9 e 9,4 por cento).

No caso dos trabalhadores com salário por hora, será preciso efetuar alguns cálculos prévios. Primeiro, multiplica-se o valor de 438,81 euros (correspondente ao indexante dos apoios sociais) por 12 para apurar a remuneração anual (5265,72 euros). Depois, divide-se esse resultado por 2080 horas para apurar a remuneração horária (2,53 euros). Finalmente, multiplica-se esse quociente pelo número de horas de trabalho mensal, que terá de ser, no mínimo, de 30. O resultado corresponderá à remuneração mensal do trabalhador para efeitos de pagamento de contribuições à Segurança Social. A esse valor, será aplicada a taxa de 18,9%, a ser suportada pelo empregador, e de 9,4%, a serem pagos pelo trabalhador.

A contribuição tem de ser paga entre os dias 10 e 20 de cada mês, referente ao trabalho prestado no mês anterior. Pode fazê-lo nos balcões da Segurança Social, através do serviço de homebanking do seu banco ou nas caixas multibanco.

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