Nuno Rico: "Subida da Euribor vai aumentar prestações da casa já em abril"
O conflito no Médio Oriente está a pressionar as taxas de juro, travando a tendência de descida que vinha a verificar-se nas semanas anteriores. Nuno Rico, economista da DECO PROteste, explica quem será afetado, quanto podem subir as prestações e o que podem fazer os consumidores para proteger o orçamento familiar.
A evolução recente das taxas Euribor indica uma inversão da tendência de descida. O que está a acontecer?
Para além da inflação, uma das consequências do conflito no Médio Oriente poderá sentir-se nas taxas de juro e, por consequência, na prestação da casa que muitas famílias pagam ao banco. Até recentemente, existia a expectativa de estabilização ou, quando muito, de ligeira subida das taxas durante o primeiro semestre de 2026. No entanto, desde o início de março que se observa uma alteração dessa tendência.
Nas últimas semanas começou a verificar-se um movimento de subida das Euribor, que se acentuou nos últimos dias. Não se trata ainda de uma subida muito significativa, e é difícil prever durante quanto tempo irá durar, mas os sinais são claros. Só nos primeiros dias de março, a Euribor a seis meses — o indexante mais utilizado em Portugal — já subiu quase 8,5 por cento. Já a Euribor a 12 meses, o segundo indexante mais usado, registou um agravamento que se aproximou dos 14 por cento.
Quando podem as famílias sentir o impacto desta subida nas prestações do crédito à habitação?
No caso de quem tem revisão da prestação em abril, o que vai contar é a média mensal da Euribor de março, calculada no final deste mês. Se a tendência atual se mantiver, essa média deverá ser superior à de fevereiro, o que poderá traduzir-se num aumento da prestação para quem tiver o contrato revisto nesse mês.
Para já, não são esperadas alterações imediatas nas taxas diretoras do Banco Central Europeu (BCE), tendo em conta a postura cautelosa demonstrada pelos seus responsáveis. No entanto, se o conflito se prolongar ou agravar, e se os principais indicadores económicos — como a inflação — voltarem a subir de forma significativa, o cenário poderá mudar já na reunião seguinte do BCE, prevista para o final de abril.
De que valores de aumento estamos a falar nas prestações da casa?
Segundo estimativas da DECO PROteste, considerando a evolução já verificada em março, uma família com um crédito à habitação de 150 mil euros, a 30 anos, com um spread de 1% e indexado à Euribor a seis meses, poderá enfrentar um aumento de pelo menos 13 euros na prestação mensal.
Se a média da Euribor atingir os 2,5%, o agravamento poderá aproximar-se dos 30 euros por mês. Já num cenário em que a Euribor volte a chegar aos 3%, a prestação poderá aumentar mais de 70 euros mensais.
Se olharmos para o conjunto da carteira ativa de crédito à habitação com taxa variável em Portugal, estimamos que a evolução das taxas de juro ocorrida até agora possa representar um impacto de cerca de 24 milhões de euros nos orçamentos das famílias nos próximos 6 meses.
Sabia que...?
Nos primeiros dias de março, a Euribor a seis meses subiu quase 8,5 por cento. Já a Euribor a 12 meses registou um agravamento de perto de 14 por cento.
Todas as famílias com crédito à habitação vão sentir este aumento?
Não necessariamente. Estes potenciais agravamentos só se aplicam a quem tem um contrato com taxa variável indexada à Euribor e apenas quando o contrato for revisto, de acordo com a maturidade do indexante.
Por exemplo, quem tiver um contrato indexado à Euribor a 12 meses e tenha tido revisão da prestação em fevereiro só voltará a ter atualização em fevereiro de 2027. Até lá, é impossível antecipar qual será a evolução das taxas de juro.
O que podem fazer os consumidores perante este cenário de incerteza?
Este é um bom momento para as famílias analisarem as condições do seu crédito à habitação e compararem com as melhores ofertas disponíveis no mercado. Essa comparação pode ser feita, por exemplo, através do simulador da DECO PROteste.
Perante um contexto de maior incerteza, optar por uma taxa mista de curto prazo — até dois anos — pode ser uma forma de proteger o orçamento familiar de eventuais aumentos significativos das prestações associados à subida da Euribor. Pode recorrer ao serviço Proteste Crédito para o ajudar neste processo.
Se o consumidor encontrar uma proposta com uma taxa nominal inferior à soma da Euribor com o spread que tem atualmente contratado, pode conseguir poupar de imediato vários euros na prestação mensal. O importante é que o consumidor seja proativo e faça esta avaliação o mais rapidamente possível, de forma a salvaguardar o orçamento familiar nestes tempos conturbados.
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