Energia: quais os hábitos de consumo dos portugueses
Os portugueses já adotaram algumas medidas para melhorar a eficiência energética das suas casas, mas gostavam de estar mais bem informados sobre apoios e incentivos.
A despesa com a energia é das que mais lesam o orçamento familiar dos portugueses. Para que não seja muito elevada, há que escolher equipamentos eficientes, usá-los da melhor forma e tomar medidas que ajudem a baixar o consumo, mesmo que afetem um pouco o conforto.
Simule se pode poupar na fatura de eletricidade e gás
Será que os portugueses fazem as melhores escolhas? O que os impede de optar por soluções mais eficientes? Estas são duas das questões incluídas no inquérito da DECO PROteste, que permitiu conhecer melhor os hábitos de consumo de energia dos portugueses.
Entre maio e julho de 2023, foi enviado um questionário em papel e outro online a amostras representativas da população portuguesa entre os 25 e os 79 anos. Para aumentar as respostas de inquiridos mais jovens, o questionário online seguiu para uma maior quantidade de pessoas entre os 25 e os 39 anos. No total, foram recebidas 1036 respostas válidas.
A maioria dos inquiridos opta por lareira, para aquecer a casa, e esquentadores, para a água quente sanitária. Quando está calor, 44% nada usam e um terço recorre a ventoinhas ou ventiladores para arrefecer. Substituir as lâmpadas incandescentes por LED – mais eficientes – foi a principal medida que tomaram para tornar a casa mais eficiente. Afinal, o custo é o principal obstáculo à adoção de medidas mais sustentáveis, embora a maioria concorde que é preciso mudar para soluções com menor impacto ambiental. Daí a DECO PROteste exigir mais informações sobre os apoios existentes.
Escolhas menos eficientes para climatizar a casa
A maioria dos inquiridos (83%) é proprietário da casa onde vive, sendo que 54% detêm uma moradia e 46% um apartamento. Quase um quinto (19%) habita uma casa com mais de 50 anos. Por outro lado, 46% consideram que o nível de isolamento da habitação é moderado, e 18% que é mau ou muito mau.
Para aquecer a casa, quase um terço dos inquiridos recorre a uma lareira (com ou sem recuperador de calor) e 23% optam por aquecedores elétricos portáteis, como termoventiladores ou aquecedores a óleo. A lenha, desde que tenha origem sustentável, é a melhor opção do ponto de vista ambiental.
Quando está calor, quase metade dos portugueses não usa equipamentos. Entre aqueles que o fazem, optam, sobretudo, por ventoinhas ou ventiladores. Ao contrário de um ar condicionado, estes aparelhos não emitem ar frio: apenas deslocam o ar, dando a sensação de frescura.
Quase metade dos inquiridos tem um esquentador para aquecer a água para a casa de banho e a cozinha. Os outros aparelhos mais usados são os termoacumuladores e os sistemas solares térmicos. A obrigatoriedade de as novas habitações incluírem soluções que usem energia renovável tem contribuído em muito para o aumento dos sistemas solares térmicos, mais eficientes e amigos do ambiente.
Medidas adotadas para tornar a casa mais eficiente
Há medidas que ajudam a poupar energia e a melhorar o isolamento térmico das habitações, como usar lâmpadas LED, instalar janelas mais eficientes, calafetar portas e janelas e, em caso de obras um pouco maiores, melhorar o isolamento de pavimentos e paredes exteriores. Algumas são mais simples e menos dispendiosas de implementar, como a compra de lâmpadas LED: mais de metade dos inquiridos (67%) já as usa em casa. Tem a vantagem de poder ser adotada quer por proprietários, quer por arrendatários de casas. O mesmo acontece com a substituição dos eletrodomésticos por modelos mais eficientes ou a contratação de um tarifário que usa energia 100% verde.
Já as restantes medidas são mais aplicadas por proprietários das casas, daí que apenas as respostas destes tenham sido consideradas. Mais de um terço melhorou a eficiência de janelas e/ou portas, e 31% mudaram o isolamento da cobertura: duas opções que contribuem bastante para melhorar o isolamento térmico das habitações.
Entre os proprietários de casas, 41% já implementaram melhorias no isolamento das habitações, e 28% contam fazê-lo nos próximos três anos, pelo menos, numa das áreas (paredes, cobertura ou pavimento). A instalação de bombas de calor para aquecer a casa (incluindo os sistemas híbridos) ou a água, bem como de baterias para armazenar a energia produzida por um sistema fotovoltaico, são as medidas que mais de metade dos proprietários refere não contar implementar.
A necessidade de melhorar o conforto do lar foi a razão apontada por mais de metade para melhorar o isolamento de certas áreas da habitação. Já a redução da fatura da energia foi a justificação para as medidas referentes às energias renováveis (sistemas solares e bombas de calor), bem como a troca de lâmpadas ou a compra de eletrodomésticos mais eficientes.
Há pouca informação sobre apoios na energia
Tem havido programas para incentivar os proprietários, e mais recentemente arrendatários, a melhorar o conforto térmico e/ou a eficiência das casas. São exemplos o programa de Apoio a Edifícios Mais Sustentáveis e o Vale Eficiência. Estes têm permitido que o consumidor seja parcialmente reembolsado, por exemplo, pela substituição de janelas por outras mais eficientes, ou pela instalação de sistemas de climatização ou aquecimento de água que usem fontes de energia renováveis. Também a redução do IVA na compra de aparelhos que utilizem energias renováveis, como bombas de calor ou painéis fotovoltaicos, contribuiu para que muitos consumidores optassem por equipamentos mais eficientes.
A grande maioria dos inquiridos proprietários de casas (89%) nunca se candidatou a programas de apoio. E quais foram as principais razões para tal? Não terem informação sobre como se candidatarem (24%), desconhecerem a existência dos apoios (24%) e, mesmo com ajuda, não conseguirem pagar (20 por cento). Entre os que pediram apoio, 75% obtiveram ajuda na compra de algumas soluções que tinham instalado e 2% receberam apoio para todas.
Maioria dos inquiridos preocupada com o planeta
Quase metade (42%) dos portugueses estão familiarizados com a transição energética e o seu significado. Já 36% conhecem a expressão, mas não sabem o que significa. Trata-se das mudanças que estão a ser introduzidas em vários setores para reduzir o consumo dos combustíveis fósseis e se passar a optar por fontes de energias renováveis.
Mas, mesmo sem terem a certeza do significado de transição energética, a maioria preocupa-se com as alterações climáticas. Ao ponto de 60% estarem dispostos a pagar mais por uma alternativa mais sustentável, caso tenham de optar entre duas soluções para aquecer ou arrefecer a casa, com diferentes impactos ambientais.
A grande maioria dos inquiridos concorda que as alterações climáticas têm impacto na sua vida e que é necessário mudar para soluções mais amigas do ambiente. Contudo, também defendem que estas só irão prosperar se não forem mais caras do que as opções convencionais.
DECO PROteste exige mais informação sobre apoios
Um dado muito importante que sobressai do estudo é que os inquiridos querem implementar medidas que tornem a sua casa mais eficiente, mas consideram que os custos são uma barreira e nem todos têm conhecimento de apoios.
A DECO PROteste considera que ainda há uma baixa literacia energética por parte de muitos portugueses. É necessário que determinadas medidas sejam adotadas, de modo a informar corretamente os consumidores.
É fundamental que exista um esforço do Governo para uma maior informação e clareza ao nível dos processos, políticas, previsibilidade e apoios disponíveis, para garantir que os consumidores conhecem o que existe no que toca a programas que permitam melhorar a eficiência energética dos edifícios.
Por outro lado, ainda existe muita informação dispersa sobre este assunto. Para colmatar esta falha, é importante a criação e divulgação de uma ferramenta que agregue tudo o que existe e ajude os consumidores a estarem bem informados sobre o que podem fazer para reduzir a fatura da energia e melhorar o conforto das suas casas.
A DECO PROteste defende também a existência de uma atuação multicamadas. Ou seja, é fundamental os consumidores acederem a diferentes patamares financeiros – entre apoios diretos, apoios fiscais através da redução da taxa de IVA, benefícios fiscais ou linhas de crédito bonificadas –, que lhes permitam obter ajudas para melhorar as suas casas. Até porque as próprias habitações requerem abordagens e soluções diferentes.
Como as pessoas não têm todas a mesma capacidade financeira, idênticas necessidades de conforto e eficiência e a mesma literacia energética, só com soluções diversificadas se consegue chegar ao maior número possível de portugueses. Tudo em prol de casas mais eficientes do ponto de vista energético e um melhor planeta.
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