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Internet das coisas: um em quatro inquiridos tem ecossistema inteligente em casa

O televisor é o aparelho inteligente mais comum, detido por 61% dos inquiridos que recorrem a equipamentos conectados. Mas, embora tenha adeptos, a transição digital envolve riscos, que não podem ser ignorados.

04 maio 2022 Exclusivo
Tablet em cima de mesa de madeira e mão de utilizador a selecionar funções de aparelhos conectados

iStock

Um telemóvel no bolso é a amarra que nos prende à vida moderna. Mas há outras possibilidades em termos de equipamentos que merecem o epíteto de “inteligentes”, e o televisor está a conquistar as salas portuguesas. Além da utilidade enquanto plataforma para visualizar conteúdos televisivos e aceder a serviços de streaming de vídeo, oferece o conforto de um ecrã amplo, pronto a expelir imagens provenientes do pequeno smartphone ou tablet, mas também de computadores, consolas de jogos, leitores multimédia ou outros equipamentos.

Mas, se o telemóvel nos conecta à vida, a Mãe Natureza nem sempre é um repositório de bondade e ternura. Vírus e outras ameaças atacam-nos tanto na existência real quanto na virtual. Em setembro do ano passado, publicámos um estudo que denunciava as vulnerabilidades de 15 equipamentos conectados e das apps associadas. Os especialistas que colaboraram connosco foram assertivos: piratear estes aparelhos era, em bastantes mais casos do que os desejáveis, brincadeira de crianças. O cenário era ainda mais grave quanto a equipamentos baratos, de marcas obscuras, vendidas em plataformas como AliExpress e afins.

Ora, o nosso inquérito a 1802 pessoas que detêm equipamentos inteligentes (para lá do óbvio smartphone ou tablet) mostra que a internet das coisas já cativa muitos corações. Destinado a medir o nível de conexão dos consumidores a este admirável mundo novo, hábitos e satisfação, o inquérito foi lançado em setembro de 2021. Os resultados traduzem as opiniões e experiências dos participantes.

Inquiridos satisfeitos com o ecossistema inteligente em casa

O televisor é o mais frequente dos aparelhos inteligentes no ecossistema doméstico, detido por 61% dos inquiridos que recorrem a equipamentos conectados. Seguem-se, a ampla distância, máquinas de lavar roupa e frigoríficos, com presença em, respetivamente, 22% e 15% dos lares.

Televisor é o aparelho inteligente mais encontrado

E não pensemos que a função inteligente veio com o aparelho por acaso. É certo que a utilidade de muitos equipamentos, como as colunas com assistente de voz e as câmaras de videovigilância, assenta na ligação à net. Mas outros há que não precisam deste elo para serem funcionais. Será o caso de lâmpadas, aparelhos de ar condicionado ou máquinas de café. Ainda assim, muitos consumidores já começam a procurar as versões conectadas destes equipamentos, em detrimento das analógicas.

Aparelhos mais comprados por terem a função smart

Como seria de esperar, os aparelhos que mais horas passam ligados à net são aqueles que retiram a utilidade desta conexão. O destaque vai, assim, para câmaras de videovigilância, colunas com assistente de voz e televisores. Não espanta que os inquiridos afirmem que estes três aparelhos, e ainda as impressoras, sejam os que registam uma melhoria mais expressiva na sua performance, devido à ligação à net.

Aparelhos que mais horas passam ligados à net

Em números redondos, uma proporção de um em quatro inquiridos possui mais do que um aparelho ligado à rede wi-fi doméstica, e a maioria está satisfeita com o seu ecossistema inteligente (66 por cento). Até porque os percalços na utilização, considerando as respostas dos participantes no estudo, não são muito frequentes. Quando ocorrem, estão sobretudo relacionados com dificuldades em estabelecer a ligação à rede e em controlar o equipamento por meio da app.

Aparelhos que mais beneficiam de terem função smart

Wearables e automóveis conectados em expansão

Os relógios inteligentes (smartwatches) e as pulseiras de fitness, conhecidos como wearables, não têm a disseminação dos televisores, mas já passeiam nos pulsos de alguns inquiridos: mais concretamente, de 31% no primeiro caso e de 19%, no segundo.

Interessados em registar as métricas da sua atividade física ou receber as notificações do telemóvel, quatro em dez destes participantes no estudo fazem uso diário das funções inteligentes dos equipamentos.

Embora sejam poucos, os detentores de um smartwatch ou de uma pulseira de fitness estão satisfeitos com as possibilidades de que podem beneficiar. Mesmo assim, a primeira categoria de equipamentos, mais versátil ao nível das funcionalidades, devolve maior contentamento: 71% dos utilizadores dizem-se muito satisfeitos, contra 63% de quem traz uma pulseira de fitness no pulso.

Ainda menos populares do que os wearables são os automóveis conectados, propriedade de apenas 14% dos inquiridos. Não significa, porém, que muitos não os tenham procurado justamente pela função smart. De facto, 34% destes participantes declararam ter escolhido o automóvel pela possibilidade de ser conectado à internet, o que lhes abre, por exemplo, a possibilidade de fazerem e receberem chamadas ou ouvirem música a partir de apps no telemóvel. Aliás, 63% afirmam mesmo que a vertente smart melhora a utilidade do automóvel.

Partilha dos dados pessoais é motivo de preocupação

A transição digital é um processo inevitável, que corre em passo acelerado, inclusive pela pandemia. Mas, sendo a comercialização de dados dos utilizadores o antigo normal e os ciberataques, cada vez mais, o novo normal, há que ter consciência dos riscos. E a generalidade dos inquiridos parece estar sensibilizada para a vertente da privacidade: 67% preocupam-se com a possibilidade de as autoridades públicas acederem e recolherem os seus dados. A proporção sobe para 82% no caso de empresas privadas.

Mas, como mostrou o nosso estudo a aparelhos conectados, a internet das coisas envolve outras vulnerabilidades, como a facilidade de desferir ataques contra equipamentos em rede. Como evitá-lo? Muitas destas debilidades devem ser corrigidas pelos fabricantes. Já o uso de palavras-chave fortes para o wi-fi, os aparelhos e as contas associadas depende dos utilizadores. Se não deixam a porta da rua aberta, porque hão de ter menos cuidado com os aparelhos conectados?

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