Notícias

É o fim de um carregador para cada telemóvel e tablet?

A Comissão Europeia propõe a adoção de um sistema universal para o carregamento de telemóveis, tablets e outros dispositivos, independentemente da marca. Apoiamos esta medida, que não só reduzirá os resíduos de equipamentos elétricos e eletrónicos, como tornará a vida dos consumidores mais fácil.

  • Dossiê técnico
  • António Alves e Elsa Agante
  • Texto
  • Gabriela Costa e Alda Mota
22 outubro 2021
  • Dossiê técnico
  • António Alves e Elsa Agante
  • Texto
  • Gabriela Costa e Alda Mota
Interface USB-c

iStock

Telemóveis, tablets, máquinas fotográficas, auscultadores, consolas de jogos portáteis e colunas bluetooth deverão, de futuro, ser carregados através de um tipo de ficha comum: a USB-C. A proposta da Comissão Europeia, que pretende impor na União Europeia (UE) um carregador do tipo USB-C, apto para diversas categorias de equipamentos eletronicos, surge após 12 anos de compromissos voluntários do setor tecnológico, que permitiram uma redução de 30 para os atuais três modelos: o USB-C, o Micro-USB (tipo B) e o Lightning (da Apple).

A entrada USB-C como solução universal para carregar diferentes tipos de aparelhos tem um enorme potencial para facilitar a vida dos consumidores e reduzir os resíduos de equipamentos elétricos e eletrónicos (REEE). A DECO PROTESTE, juntamente com outras organizações de defesa do consumidor do espaço comunitário, contribuiu ativamente na fase de consulta pública da atual proposta, que acaba por contemplar vários dos aspetos que sempre defendemos.

Quais as vantagens da adoção de um carregador universal?

Os consumidores europeus gastam perto de 2,4 mil milhões de euros por ano em carregadores. De acordo com dados da Comissão Europeia, este tipo de equipamentos gera anualmente 11 mil toneladas de lixo marinho. A proposta de Bruxelas irá forçar uma harmonização das tecnologias de carregamento rápido, desde que seja usado um carregador compatível com o dispositivo.

SEJA UM CONSUMIDOR MAIS SUSTENTÁVEL

Os carregadores USB-C deverão ter sempre a possibilidade de extração do cabo (isto é, terão de ser comercializados como um conjunto de ficha e cabo). A prazo, esta solução irá permitir aumentar a potência de carregamento para valores até aos 240 watts, devido aos desenvolvimentos em curso do protocolo USB Power Delivery. Este protocolo permite a comunicação entre o equipamento e o carregador, mesmo que se trate de fabricantes diferentes, o que garante a obtenção da melhor velocidade de carregamento.

Apoiamos a escolha desta interface, que consideramos a mais lógica, visto que, sendo tecnologicamente avançada e versátil, se encontra já relativamente massificada.

Também do ponto de vista ambiental, a atual proposta contempla vários aspetos que sempre defendemos, permitindo a redução de resíduos de equipamentos elétricos e eletrónicos (REEE) e a poupança de recursos naturais e energia quer na produção, quer no fim de vida destes carregadores.

Outra vantagem da interface USB-C é minimizar os inconvenientes para os consumidores provocados pela incompatibilidade entre os diferentes protocolos usados nos carregadores.

Quando serão os carregadores USB-C adotados pelos fabricantes?

Apresentada a proposta de revisão legislativa da Comissão Europeia, segue-se agora a fase de adoção pelo Parlamento Europeu e pelo Conselho Europeu. Depois disso, ainda haverá um período de transição de 24 meses para adaptação dos fabricantes do setor a esta nova exigência. 

Atualmente, existem três principais tipos de carregadores no mercado europeu: o USB-C, o menos recente Micro-USB (tipo B) e o protocolo Lightning, utilizado exclusivamente por dispositivos da Apple. A Apple a principal afetada pela adoção da interface USB-C, por continuar a usar uma solução proprietária para os seus carregadores de dispositivos móveis (desde logo telemóveis e tablets).

Consumidores terão de comprar o carregador à parte?

A proposta de Bruxelas prevê que exista sempre a possibilidade de escolha, por parte do consumidor, da compra do dispositivo com ou sem carregador. O objetivo é que, perante a existência de um carregador universal, os consumidores avaliem a probabilidade de já terem em casa um compatível com os novos dispositivos eletrónicos que tenham adquirido, como telemóveis. Segundo dados da Comissão Europeia, só esta medida pode reduzir os REEE em quase mil toneladas anuais.

Neste contexto, torna-se ainda mais relevante a informação que tem de ser fornecida na altura da venda. Para garantir que os consumidores possam facilmente averiguar a compatibilidade de antigos carregadores, a proposta prevê que os fabricantes terão de detalhar a informação acerca do carregamento, incluindo a potência necessária para o carregador e o suporte ao carregamento rápido.

Junte-se à maior organização de consumidores portuguesa

A independência da DECO PROTESTE é garantida pela sustentabilidade económica da sua atividade. Manter esta estrutura profissional a funcionar para levar até si um serviço de qualidade exige uma vasta equipa especializada.

Registe-se para conhecer todas as vantagens, sem compromisso. Subscreva a qualquer momento.

Junte-se a nós

 

O conteúdo deste artigo pode ser reproduzido para fins não-comerciais com o consentimento expresso da DECO PROTESTE, com indicação da fonte e ligação para esta página. Ver Termos e Condições.