Os dentes perdidos do SNS

Publicado a 23 janeiro 2026
Fatima Ramos
Fátima Ramos Editora

Quando o infortúnio leva alguns dentes naturais, o sorriso é recuperável, mas apenas para infortunados meios financeiros. A oferta do Serviço Nacional de Saúde nesta área é quase nula, e os apoios do Estado para próteses praticamente não existem.

Fatima Ramos
Fátima Ramos Editora
iStock Mulher a ser tratada por dentista

As próteses fixas, apesar de mais confortáveis e funcionais do que as removíveis, são vistas como meramente estéticas.

Mais de seis em cada dez portugueses têm falta de dentes, mas isso parece não preocupar as autoridades de saúde nacionais. Os apoios para os substituir são praticamente inexistentes, e as próteses fixas, mais confortáveis e funcionais, são vistas como meramente estéticas. Um luxo, portanto! Não se pode dizer que tal abordagem seja surpreendente. O Serviço Nacional de Saúde (SNS) não consegue sequer assegurar cuidados dentários clássicos. Num estudo realizado pela DECO PROteste em 2024, apenas 2% dos inquiridos disseram ter conseguido vaga para o dentista nos serviços públicos. A situação não terá melhorado, dado que os parcos recursos, nomeadamente nos cuidados de saúde primários, continuam parcos. E, se a saúde oral sempre foi, e continua a ser, o parente pobre do SNS, a reabilitação dentária – substituição de dentes perdidos – é o sem-abrigo. O cheque-dentista, principal instrumento de apoio à saúde oral, além de não ser um direito para todos, deixa de fora próteses dentárias. Da Segurança Social vem apenas comparticipação para próteses removíveis, e só para quem beneficia do complemento solidário para idosos. Aos outros, apresenta-se-lhes um só caminho, o dos privados. Ou, se a bolsa for demasiado curta para lá chegar... a perda de dentes.

Senhora ministra da Saúde, sabemos que tem mais em que pensar do que nos parentes pobres, mas nós, os consumidores-utentes, exigimos que tais parentes subam, pelo menos, o degrau dos remediados. A DECO PROteste insiste na tecla já sobreusada: é preciso dotar o SNS de meios materiais e humanos capazes de responder às necessidades da população, bem como criar a carreira especial de médico-dentista no serviço público, para captar profissionais e incentivar a sua fixação em todo o País. E integrar a reabilitação dentária, incluindo as próteses fixas, no cardápio de serviços. Para que a vontade de sorrir não se perca de vez.

 

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