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Implantes dentários: caros e sem comparticipação do Estado

As próteses fixas que assentam em implantes são mais confortáveis, funcionais e duráveis do que as removíveis, mas substituir um só dente pode custar cerca de 1600 euros, em média, e o Estado não comparticipa. Saiba como se aplicam os implantes, para quem são indicados e que cuidados exigem.

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28 janeiro 2026
Mulher jovem a ver-se ao espelho no dentista

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A falta de dentes está longe de ser apenas um problema estético. Além do aumento da sensibilidade dentária e maior propensão para cáries nas raízes dos dentes adjacentes ao que está em falta, a capacidade de mastigação diminui e podem surgir alterações na fala, por dificuldade em pronunciar algumas letras, dores musculares e de cabeça, zumbidos nos ouvidos e perda de osso. Para muitos, as consequências vão além da saúde, refletindo‑se na autoestima, nas relações sociais e na vida profissional.

Em Portugal, ainda há cerca de 65% de cidadãos sem a dentição completa, segundo o Barómetro da Saúde Oral 2025, da Ordem dos Médicos Dentistas. E apenas 51% têm dentes de substituição. As próteses fixas continuam a ser minoritárias, apesar de oferecerem maior conforto e estabilidade, melhor desempenho mastigatório e menor perda de osso do que as removíveis. Entre as razões para a menor utilização estarão a necessidade de tratamentos mais longos e complexos e o custo. Conheça as fases de aplicação do implante e saiba quanto pode custar substituir um dente desta forma.

O que são implantes dentários?

As próteses fixas serão, certamente, as mais ambicionadas, pois são duradouras e devolvem funcionalidades e estética muito próximas do dente natural.

A prótese suportada por implante para substituir um só dente, em geral, é constituída por três peças. O implante propriamente dito, por norma, é inserido no osso e funciona como uma raiz artificial. Nesta, é posteriormente fixado um pilar, que liga o implante à coroa. Ao contrário das próteses removíveis, estas não se deslocam durante a mastigação, nem a fala, pelo que se tornam mais confortáveis.

Como se processa o tratamento?

O tratamento através de implantes deverá começar com um planeamento rigoroso. Esta fase inclui exame clínico, avaliação do estado geral de saúde do paciente e exames radiológicos. Servem, sobretudo, para analisar a quantidade e a qualidade do osso.

Sempre que necessário, são realizados previamente outros tratamentos dentários, como o controlo de cáries ou de doenças nas gengivas, de modo a garantir uma boa saúde oral antes da cirurgia. Esta consiste em inserir o implante no osso. Trata‑se de um procedimento tecnicamente exigente, que requer formação e experiência adequadas. Convém verificar as qualificações do profissional no site da Ordem dos Médicos Dentistas e, se possível, o seu currículo.

Nos casos em que o volume ósseo ou da gengiva é insuficiente, pode ser necessário recorrer a enxertos, o que aumenta a complexidade e prolonga o tempo de tratamento.

À cirurgia segue‑se um período de cicatrização, durante o qual ocorre a chamada osteointegração, isto é, a fixação do implante ao osso, um processo que pode demorar entre três e seis meses. Normalmente, só depois se avança para a fase restauradora, com a produção e a fixação da prótese definitiva. A duração global do tratamento varia de pessoa para pessoa. Em situações simples, pode ficar concluído em alguns meses. Quando há necessidade de enxertos ósseos, o processo pode prolongar‑se por quatro a doze meses.

Todos os pacientes podem usar implantes?

Apesar de serem uma boa solução, nem todos os pacientes podem recorrer a este tipo de próteses. É preciso avaliar bem o risco em caso de:

  • doenças cardíacas e diabetes não controladas;
  • problemas ósseos graves;
  • doenças oncológicas, sobretudo durante os tratamentos;
  • toma de certos medicamentos, como os bifosfonatos, usados com frequência por quem sofre de osteoporose;
  • tabagismo, por comprometer a cicatrização e estar associado a maiores taxas de insucesso;
  • bruxismo (apertar e ranger involuntariamente os dentes), que aumenta a sobrecarga mecânica, podendo danificar as próteses mais rapidamente.

São necessários cuidados especiais após a cirurgia?

Depois da operação, podem surgir efeitos adversos, como inchaço, hematomas, dor ligeira e pequena hemorragia, que, no geral, passam rapidamente. Ainda assim, é possível tomar algumas medidas para reduzir o seu impacto e tornar a recuperação mais suave.

  • Use gelo para ajudar a diminuir o inchaço, mas não o ponha diretamente na pele (pode causar queimaduras). Coloque‑o num saco de plástico, envolva num pano e aplique no rosto, sobre a zona intervencionada. No primeiro dia, convém repetir a operação várias vezes, durante períodos de cinco a dez minutos.
  • Na fase inicial, o repouso é fundamental. Não pratique exercício físico nem outras atividades extenuantes.
  • Nas primeiras 24 a 48 horas, a dieta deverá ser mole ou líquida e fria (gelados, iogurtes, sumos, batidos, gelatina, etc.). Evite mastigar na zona do implante.
  • Convém usar uma escova macia. Lave os dentes com suavidade e evite escovar diretamente a zona do implante nos primeiros dias.
  • Não fume, tome a medicação prescrita e durma ou descanse com a cabeça elevada, evitando pressionar a zona do implante.

Como manter o implante em boas condições?

Os implantes dentários, por norma, apresentam elevadas taxas de sucesso e podem durar muitos anos, se tiverem uma manutenção adequada. Como? Através de uma higiene adequada e vigilância médica.

  • Lave os dentes com cuidado, pelo menos, duas vezes por dia com uma pasta com flúor, e use fio dentário delicadamente em redor da prótese.
  • Marque consulta médica a cada seis meses, para que eventuais problemas no implante, nas gengivas ou na coroa sejam detetados e corrigidos precocemente.
  • Não fume e evite alimentos duros ou pegajosos, que possam danificar a prótese.

Quanto tempo dura um implante dentário?

Os tratamentos de reabilitação dos dentes não são eternos, mas, com os recentes avanços tecnológicos, é de esperar uma durabilidade superior a 15 anos.

Para as coroas, estima‑se que durem, no mínimo, dez anos. No entanto, se houver infeções ou problemas mecânicos na prótese e/ou no implante, o período diminui. Porém, estes problemas ocorrem sobretudo em caso de má manutenção.

Quanto custa substituir um dente?

Um só dente com implante dentro do osso (endosteal) pode custar cerca de 1600 euros, em média. Os preços recolhidos em 16 clínicas, em Lisboa, são meramente indicativos, mas dão uma ideia da disparidade de valores.

O implante propriamente dito é a peça que mais pesa na fatura. Na pesquisa realizada de dezembro de 2025 a janeiro de 2026, a DECO PROteste encontrou valores entre 500 e 2000 euros, com uma média de 847 euros.

O preço da coroa inclui o pilar e também apresenta uma variação considerável: entre 380 e 1050 euros, e uma média de 678 euros. A maioria dos profissionais da amostra estudada aplica coroas de cerâmica, que são mais baratas do que, por exemplo, as de zircónia.

As consultas e os exames radiográficos, quando não incluídos no valor total do tratamento, variam entre 20 e 70 euros, sendo os valores médios de 36 e 45 euros, respetivamente.

Assim, feitas as contas, a substituição de um dente pode custar entre aproximadamente 920 e quase 3190 euros, valor que, na generalidade dos casos, sai do bolso do consumidor.

Há apoios públicos para implantes dentários?

O Serviço Nacional de Saúde, nomeadamente os cuidados de saúde primários, tem uma oferta muito reduzida de cuidados dentários. E o principal instrumento de apoio público, o cheque-dentista, tem uma abrangência restrita – cobre apenas tratamentos básicos e deixa de fora muitos consumidores. Mais: a substituição de dentes, no geral, não faz parte do cardápio de ajudas. Apenas os beneficiários do complemento solidário para idosos têm direito a comparticipação, e só para próteses removíveis. As fixas são vistas como intervenções estéticas.

Os seguros de saúde comparticipam?

Os seguros de saúde com cobertura de estomatologia, por sua vez, nem sempre cobrem este género de próteses. Quando o fazem, possivelmente, é vantajoso apresentar parte da despesa no fim da anuidade e a outra no início da seguinte, até porque os limites de capital para estomatologia são baixos (por regra, não ultrapassam mil euros). Verifique a sua apólice.

Os planos e os seguros dentários, por sua vez, oferecem preços com desconto numa rede de prestadores. Pode ser uma solução para obter preços mais em conta. 

Consumidores exigem investimento em cuidados dentários

Face a tal cenário, e porque os cuidados de saúde oral são tão valiosos como quaisquer outros cuidados de saúde, a DECO PROteste insiste na necessidade de o Governo dotar o SNS de meios materiais e humanos capazes de responder às necessidades de toda a população, ao nível da prevenção, dos tratamentos e da reabilitação dentária.

No que respeita a próteses, importa que as fixas saiam do campo da estética e tomem lugar na área dos cuidados de saúde essenciais, até porque são mais confortáveis e funcionais do que as removíveis. Pela melhor qualidade de vida de quem precisa de substituir um ou mais dentes.

 

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