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Teste rápido de antigénio, RT-PCR, autoteste e serológico: veja as diferenças

Os testes rápidos de antigénio deixam de ser gratuitos em farmácias e laboratórios em maio. Veja o que distingue os vários tipos de testes à covid-19 disponíveis.

Teste covid-19

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Os testes rápidos de antigénio (TRAg) efetuados em farmácias e laboratórios aderentes ao regime excecional de comparticipação vão deixar de ser gratuitos já em maio.

Mas os testes não são todos iguais. Nem todos têm valor de diagnóstico, só alguns são aceites para viajar ou cruzar fronteiras, uns são feitos em casa pelo próprio indivíduo, outros podem ser feitos em farmácias e laboratórios e outros só em laboratório, em ambiente controlado, e o custo de cada pode variar consideravelmente. 

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Que tipo de testes à covid-19 existem?

Há quatro tipos de testes disponíveis: testes moleculares de amplificação de ácidos nucleicos (TAAN); testes rápidos de antigénio (TRAg) de uso profissional; autotestes e testes serológicos. O seu desempenho depende muito do contexto clínico e epidemiológico em que são utilizados.  

Em traços largos, os testes à covid-19 podem dividir-se entre os que são projetados para diagnosticar uma infeção atual e os que têm como objetivo determinar se a pessoa já teve contacto com o novo coronavírus

Testes rápidos de antigénio de uso profissional

Os testes rápidos de antigénio (TRAg) de uso profissional desenvolvidos para o diagnóstico do SARS-CoV-2 visam detetar proteínas específicas do vírus produzidas no trato respiratório. São realizados através da colheita de amostras de exsudado (normalmente, da nasofaringe) com uma zaragatoa.

Devem ser utilizados nos primeiros cinco dias (inclusive) de doença, de modo a diminuir a probabilidade de obtenção de resultados falsos negativos. Estes testes têm melhor desempenho em doentes com cargas virais mais elevadas, o que acontece geralmente na fase pré-sintomática (um a três dias antes dos sintomas) ou nos primeiros cinco a sete dias de sintomas.

No atual contexto de elevada incidência da infeção por SARS-CoV2, um resultado positivo num TRAg de uso profissional é suficiente para confirmar o diagnóstico de covid-19.

Autotestes para a deteção de infeção por SARS-CoV-2

Os autotestes são testes rápidos de antigénio com execução técnica de baixa complexidade, que permitem a sua utilização pelo consumidor. Por regra, é necessária a recolha de “material biológico” no interior do nariz com uma zaragatoa, que, depois, é processado de acordo com as indicações. É importante seguir à risca todos os passos descritos no folheto, para que os resultados sejam fiáveis.

 

A utilização de autotestes não substitui, mas complementa, a utilização dos restantes testes laboratoriais para SARS-CoV-2, pelo que estes testes não devem ser considerados testes de diagnóstico em pessoas com suspeita de infeção por SARS-CoV-2 (pessoas sintomáticas) ou pessoas com contactos com casos confirmados de covid-19.

Testes moleculares ou testes de PCR

Os testes moleculares de amplificação de ácidos nucleicos (TAAN) desenvolvidos para o diagnóstico de infeção por SARS-CoV-2 são testes de pesquisa de RNA viral (o genoma do SARS-CoV-2) ou testes RT-PCR. Trata-se do método de referência para a deteção de RNA viral do SARS-CoV-2, que permite concluir que alguém está infetado com este vírus, ou seja, que tem covid-19.

No grupo dos testes moleculares de amplificação de ácidos nucleicos incluem-se os RT-PCR convencionais, feitos em tempo real, e os RT-PCR em circuito fechado, que são testes de amplificação de ácidos nucleicos, realizados geralmente em equipamentos portáteis, que permitem um resultado mais rápido quando comparados com os testes ditos "convencionais".

Para a realização destes testes moleculares, os profissionais habilitados recolhem, com o auxílio de uma zaragatoa, amostras do trato respiratório superior e/ou inferior para a eventual deteção de RNA viral. A evidência científica atual mostra que o RNA de SARS-CoV-2 pode ser identificado um a dois dias antes do início dos sintomas, podendo persistir, nos casos moderados, até oito a 12 dias depois do início da doença (embora existam casos reportados de deteção de RNA após o 28.º dia de infeção). Dependendo da capacidade do laboratório, os resultados do teste podem ser conhecidos no prazo de 24 horas após a sua requisição.

Testes serológicos 

Os testes serológicos, feitos a partir de análise de amostra de sangue, detetam a presença de anticorpos (produzidos durante uma resposta imunitária à doença) e não estão recomendados para o diagnóstico de novos casos de covid-19. 

Até à data, não há dados científicos suficientes que permitam deduzir se esses anticorpos conferem imunidade de longa duração. Apesar da sua limitada utilidade clínica, estes testes podem ser utilizados em estudos epidemiológicos populacionais e de investigação.

Para se verificar se existe ou não infeção com SARS-CoV-2, é preciso realizar outros tipos de testes, tais como os testes moleculares de amplificação de ácidos nucleicos (TAAN), os testes rápidos de antigénio (TRAg) e os autotestes.

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Quais os testes à covid-19 mais fiáveis?

A fiabilidade dos testes à covid-19 mede-se, geralmente, por dois critérios: a sua sensibilidade (ou seja, a capacidade de detetar pessoas infetadas) e a sua especificidade (o número de falsos positivos que pode eventualmente indicar). 

Como em todos os testes laboratoriais, existem vários aspetos que podem condicionar a fiabilidade dos resultados dos testes RT-PCR. A probabilidade de um resultado positivo varia consoante o tipo de amostra biológica, a qualidade da colheita e a quantidade de RNA viral presente numa determinada localização anatómica e em cada fase e gravidade da doença. 

Os testes rápidos de antigénio (TRAg) de uso profissional, em princípio, têm uma menor sensibilidade do que os testes moleculares (RT-PCR), particularmente quando a carga viral é mais baixa. Sobretudo no início da infeção, a deteção da presença de uma proteína do SARS-CoV-2 pode ocorrer mais tarde do que a identificação do RNA viral por RT-PCR. Contudo, quando a carga viral é elevada (nos dias que antecedem os sintomas e nos cinco a sete dias depois do aparecimento dos mesmos), o potencial destes testes aumenta.  

Em Portugal são aceites os TRAg que apresentem uma sensibilidade igual ou superior a 90% e uma especificidade igual ou superior a 97% (comparativamente com os TAAN). Os autotestes, que também detetam antigénio, têm uma sensibilidade mínima de 80% e uma especificidade igual ou superior a 97 por cento.

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Tive um contacto de baixo risco, que teste devo fazer?

Se teve um contacto de baixo risco com um caso confirmado de covid-19, deve realizar um RT-PCR ou um TRAg o mais rápido possível (até ao 3.º dia após a exposição), seja qual for o seu estado vacinal.

Não é obrigado a ficar em isolamento profilático, mas deve limitar as interações com outras pessoas, reduzindo as deslocações ao indispensável (por exemplo, de casa para o trabalho ou para a escola) e evitar o contacto com quem apresenta maior risco de desenvolver covid-19 grave. Deve, ainda, manter as medidas preventivas em permanência: uso de máscara cirúrgica, distanciamento físico e higienização das mãos.

Os testes laboratoriais para a identificação de SARS-CoV-2 não devem ser realizados em pessoas com história de infeção por SARS-CoV-2, confirmada laboratorialmente, nos últimos 180 dias (a contar do fim do isolamento), exceto:

  • quando apresentem sintomas sugestivos de covid-19 e não exista diagnóstico alternativo para o quadro clínico;
  • em situações de imunodepressão.
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Com um teste rápido negativo, preciso de fazer um RT-PCR? E se for positivo?

Face a um resultado negativo num teste rápido de pesquisa de antigénio, a Direção-Geral da Saúde recomenda a realização de um teste molecular (RT-PCR), caso haja elevada suspeita clínica de covid-19. Contudo, a decisão de fazer um teste molecular compete ao médico assistente, que age consoante análise e ponderação da situação clínica e epidemiológica evidenciada.

Os resultados positivos nos TRAg valem como diagnóstico da covid-19, não sendo necessário realizar um RT-PCR.

Já no caso dos autotestes, se o resultado for positivo ou levantar dúvidas (inconclusivo), deve evitar o contacto com outras pessoas e ligar de imediato para o SNS24 (800 24 24 24). Se possível, indique o teste usado: marca, fabricante e número de lote. Nesta comunicação, poderá receber uma prescrição médica para efetuar um teste de confirmação. Se o resultado for negativo e apresentar sintomas sugestivos de covid-19 (febre, tosse e dores no corpo, entre outros) também deve contactar o SNS24.

O Serviço Nacional de Saúde disponibilizou um formulário para que o consumidor possa comunicar os resultados negativos. Esta comunicação é importante para que as autoridades monitorizem a atividade de testagem e determinem a "taxa de positividade" dos autotestes.

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Onde podem ser feitos os testes à covid-19?

A lista completa de laboratórios de referência convencionados com o Serviço Nacional de Saúde para a realização de testes do tipo RT-PCR pode ser consultada no site do SNS. Este tipo de testes pode ser realizado nos seguintes locais:

  • laboratório de referência nacional – Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA);
  • laboratórios hospitalares capacitados para o efeito;
  • rede complementar de laboratórios privados;
  • outros postos de colheita (como os chamados “drive thru”).

Os testes rápidos de antigénio de uso profissional também podem ser feitos noutros estabelecimentos prestadores de cuidados de saúde, como as farmácias comunitárias, desde que tenham registo válido na Entidade Reguladora da Saúde (ERS) e tenham as condições de higiene e segurança exigidas por lei. Devem ainda respeitar outras normas, como a realização dos testes por profissionais de saúde devidamente habilitados e a garantia do consentimento informado do utente.

Muitos laboratórios realizam a colheita das amostras em casa. Se está interessado nesta possibilidade, verifique na lista disponibilizada no site do SNS se o laboratório escolhido faz domicílios. A colheita tem de ser realizada por profissionais devidamente qualificados (conselho especialmente importante para os testes rápidos de pesquisa de antigénio, que podem ser feitos fora de laboratórios).

O resultado do teste é comunicado pela farmácia ou laboratório na aplicação informática Sinave, com toda a informação necessária para gerar o certificado digital covid. O resultado obtido no TRAg, além de ser registado no Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica (Sinave), é comunicado ao utente.

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Como posso saber os resultados dos testes?

Em Portugal, os resultados dos testes (tanto os moleculares como os de pesquisa de antigénio) realizados em farmácias ou laboratórios são disponibilizados e comunicados ao utente através de mensagem SMS, boletim de resultado, e-mail ou outra via. Por norma, os resultados dos TRAg são obtidos 15 a 30 minutos após a sua realização e os RT-PCR, 24 horas depois.

São ainda registados na plataforma do Sinave pelos laboratórios e farmácias, com toda a informação para o certificado covid.


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Qual o preço de um teste à covid-19?

Os utentes com prescrição médica do Serviço Nacional de Saúde para a realização de um teste à covid-19 estão isentos do seu pagamento. Para os restantes, os preços podem variar bastante de acordo com o local efetuado e o tipo de teste. Regra geral, os testes de pesquisa de antigénio e os autotestes são mais baratos, sendo os RT-PCR mais dispendiosos.

Os autotestes podem ser adquiridos em farmácias e locais de venda de medicamentos não sujeitos a receita médica autorizados e também em supermercados e hipermercados, desde que sejam garantidas as condições definidas pelo fabricante na informação constante na rotulagem e/ou no folheto informativo.

Preços com tendência descendente

Repetimos, na semana entre 9 e 18 de fevereiro, as visitas que havíamos feito a superfícies comerciais e a farmácias que comercializam os testes rápidos, tal como já havíamos feito por duas vezes em dezembro de 2021. Fomos a cinco cadeias de supermercados (Well’s, espaços saúde do Pingo Doce e do Intermarché, Mercadona e LIDL) e a 19 farmácias (14 em Lisboa e 5 no Porto).

Verificámos que estavam à venda nove marcas diferentes de testes. E descobrimos, ainda, um autoteste de saliva, o JusChek Covid-19 Antigen Rapid Test (oral fluid), da Hangzhou AllTest Biotech Co., no Intermaché. Como é feito feito oralmente (recolha da amostra através da colheita de saliva) não está de acordo com as normas da Direção Geral de Saúde (DGS) e, por isso, não é recomendado. Porém, como o seu registo foi notificado ao Infarmed e cumpre os requisitos legais, pode ser vendido.

Apesar de os preços mínimos terem descido desde que fizemos a última visita, verificámos que se mantêm acima dos que vimos praticados aquando da nossa primeira ida a farmácias e a superfícies comerciais. O mais barato é o SARS-CoV-2 – antigen rapid test da Hangzhou Allteste Biotech Co, ltd., vendido na Mercadona, a 1,90 euros.

Por outro lado, os preços máximos continuam a descer por comparação com as nossas visitas anteriores. O máximo encontrado foi de 4 euros, cobrado pela aquisição de uma embalagem de um autoteste COVID-19 (SARS-CoV-2) antigen Test Kit (colloid Gold) da ANHUI DEEPBLUE Medical tecnology CO. Ltd, adquirido numa farmácia em Lisboa); e 4,74 euros a unidade, ao adquirir uma caixa com cinco testes da marca SARS-CoV-2 Rapid Test Nasal da Roche - SD Biosensor Inc (caixa de cinco testes a 23,69 euros), também numa farmácia de Lisboa.

Em média, qualquer que seja o estabelecimento, um autoteste custa 2,98 euros, outra tendência mais baixa desde que iniciámos a recolha de preços em início de dezembro do ano passado. 

Nos espaços saúde das grandes superfícies e em hipermercados só encontrámos à venda embalagens com 1 unidade, que custa, em média, 2,57 euros. Neste caso, os preços variam entre os 1,90 euros (SARS-CoV-2 Antigen Rapid Test (Nasal Swab), da Hangzhou AllTest Biotech Co., Ltd, na Mercadona) e os 2,99 euros (Rapid SARS-CoV-2 Antigen test Card, Xiamen Boson Biotech Co, Ltd, à venda no Lidl). 

Já nas farmácias, uma embalagem com um autoteste podia custar entre 2,10 euros (Teste Rápido de Deteção de Antigénio do SARS-CoV-2, da ACON Biotech Hangzhou Co., Ltd.) e 4 euros (COVID-19 SARS-CoV-2 antigen Test Kit (colloid Gold), da ANHUI DEEPBLUE Medical Technology CO. Ltd).

De acordo com a nossa amostra, nos espaços saúde das superfícies comerciais, em média uma embalagem com um autoteste pode custar 2,87 euros.

E se a opção for uma caixa com cinco autotestes? Só os encontrámos à venda nas farmácias, em média podem custar 19,51 euros e os preços variam entre 16,17 euros (SARS-CoV-2 Antigen Rapid Test Kit , da Labnovation Technologies INC , em Lisboa) e 23,69 euros (SARS-CoV-2 Rapid Test Nasal, da SD Biosensor Inc, da Roche, também na capital).

Também inquirimos sobre os preços dos testes de antigénio (sem comparticipação do SNS). Em 10 dos 24 locais que visitámos fazem o teste também pelo setor privado. O preço varia entre 15 euros (farmácias em Lisboa) e 25 euros (farmácias em Lisboa e Porto). Em média podem custar 20 euros.

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A seguradora comparticipa os testes à covid-19?

A comparticipação do teste vai depender da seguradora e dos motivos que levarem o utente a fazê-lo. Se vai realizar um teste de diagnóstico à covid-19 do tipo RT-PCR devido à necessidade de ser submetido a uma intervenção cirúrgica ou a um procedimento invasivo numa instituição privada, por exemplo, ou por manifestar sintomas compatíveis com a doença, contacte a sua seguradora. A maioria comparticipa o teste nestas situações, desde que prescrito por um médico. Já se o motivo for a necessidade de ter o teste para viajar de avião, o mesmo poderá não acontecer.

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Qualquer teste rápido de antigénio serve para o certificado digital covid?

Nem todos os testes rápidos antigénio (TRAg) disponíveis em Portugal são aceites para emissão do certificado digital covid. A lista de TRAg que permitem a emissão de certificado digital covid da União Europeia pode ser consultada no site do Infarmed.

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