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Teste de covid-19 para fazer em casa: como usar e qual a fiabilidade

Além das farmácias e dos locais de venda de medicamentos não sujeitos a receita médica, também os supermercados e hipermercados podem disponibilizar autotestes. Em abril, os preços variavam entre 2,74 e 7,50 euros. Saiba qual a fiabilidade destes testes e como usá-los.

  • Dossiê técnico
  • Susana Santos e Teresa Rodrigues
  • Texto
  • Fátima Ramos
19 julho 2021
  • Dossiê técnico
  • Susana Santos e Teresa Rodrigues
  • Texto
  • Fátima Ramos
homem ao espelho a fazer autoteste à covid-19

iStock

Os testes rápidos de antigénio a usar pelo consumidor pretendem ser mais uma arma no controlo da pandemia, mas não substituem os meios de deteção clássicos, isto é, os testes moleculares de amplificação de ácidos nucleicos, conhecidos por RT-PCR. Podem ser usados em qualquer altura e por qualquer pessoa, apesar de serem especialmente recomendados para situações em que houve contacto com pessoas infetadas.

Estão disponíveis em farmácias e em locais de venda de medicamentos não sujeitos a receita médica e unidades de saúde e, desde 16 de julho, também em supermercados e hipermercados, desde que sejam garantidas as condições definidas pelo fabricante na informação constante na rotulagem e/ou no folheto informativo.

De acordo com a circular informativa conjunta da Direção-Geral da Saúde (DGS), Infarmed e Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), os testes não devem ser dispensados a menores de 18 anos, nem efetuados nos locais de venda, incluindo a recolha da amostra. Porém, nestes estabelecimentos, deve ser prestada toda a informação necessária para a correta realização. 

Como se faz o autoteste

Entre 15 e 19 de abril, visitámos 10 farmácias e quatro locais de venda de medicamentos não sujeitos a receita médica, na região de Lisboa, e só encontrámos uma marca à venda. Entretanto, surgiram mais autotestes, cujas instruções de realização são ligeiramente diferentes do autoteste do vídeo, nomeadamente, em relação ao período de espera até à leitura dos resultados. 

Apesar das variações, por regra, é necessária a recolha de “material biológico” no interior do nariz com uma zaragatoa, que, depois, é processado de acordo com as indicações. É importante seguir à risca todos os passos, para que os resultados sejam fiáveis. Leia toda a informação antes de iniciar o processo. Se tiver dúvidas, contacte o profissional do local de venda.

Autoteste não autorizado pelo Infarmed

Os dispositivos agora disponíveis para autoteste eram já usados por profissionais. Contudo, tiveram de submeter um novo pedido de aprovação ao Infarmed para poderem ser vendidos diretamente a não-profissionais de saúde. Encontra os testes autorizados no site daquela entidade, bastando pesquisar por lista de autotestes.

Durante as nossas visitas, disponibilizaram-nos um autoteste que não consta daquela lista, o que significa que não há garantias de que cumpra os requisitos exigidos aos dispositivos destinados ao uso pelo consumidor. Denunciámos a situação ao Infarmed, que se comprometeu a averiguar.

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Este autoteste não consta da lista de dispositivos aprovados pelo Infarmed. Foi-nos entregue dentro um saco de plástico fechado, que, além do kit de teste, continha um folheto em espanhol e uma fotocópia das instruções de outro teste do mesmo fabricante, em português.

Os requisitos para a aprovação dos autotestes, segundo a referida circular informativa, incluem a facilidade de utilização por leigos e a existência de instruções “facilmente inteligíveis e fáceis de aplicar” pelo consumidor, que permitam a utilização correta e segura. Assim, o fabricante deve fornecer informações claras, em português, com ilustração do processo de colheita e execução.

Locais de venda nem sempre explicam os procedimentos

Durante as visitas aos locais de venda, além de querermos saber que produtos estão disponíveis e os respetivos preços, pretendíamos explicações sobre os procedimentos do teste. Em oito locais, deram-nas espontaneamente. Nos restantes, foi preciso perguntar. Quatro destes disseram que estava tudo dentro da embalagem, sem mais delongas.

Das explicações fornecidas, apenas a questão sobre o que fazer perante um teste inconclusivo ocasionou alguns tropeços, tanto em farmácias, como nos espaços de saúde dos hipermercados: em dois locais, não souberam responder e, em seis, disseram para repetir o teste. A recomendação da Direção-Geral da Saúde é contactar o SNS24 (808 24 24 24) e seguir as instruções, tal como acontece nos casos em que o teste é positivo.

Autotestes mais baratos nos espaços de saúde dos hipermercados

No início de maio, já encontrámos à venda dois autotestes autorizados pelo Infarmed: o SARS-CoV-2 Rapid Antigen Test Nasal, comercializado pela Roche, e o SARS-CoV-2 Teste Antigeno, da Genrui. Ambos têm indicações claras sobre a forma de fazer o teste, como proceder face aos resultados e onde depositar os resíduos. O primeiro custa entre 4,99 e 7,50 euros, sendo mais caro nas farmácias (em média, 6,06 euros) do que nos espaços de saúde dos hipermercado (em média, 5,49 euros). O segundo, encontrámo-lo apenas em hipermercados e com preços idênticos: entre 2,74 e 2,79 euros por unidade. Há também à venda embalagens com cinco unidades (13,49 euros). Se encomendar online, ao preço dos testes poderá ter de adicionar custos de entrega, que variam entre cerca de 3 e 8 euros.

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Os dois autotestes aprovados pelo Infarmed que encontrámos à venda. O da Genrui (entre 2,74 e 2,79 euros) é mais barato do que o da Roche (entre 4,99 e 5,50 euros).

Resultado positivo, negativo ou inconclusivo: o que fazer?

Face a um resultado positivo ou que levante dúvidas (inconclusivo), o utente deve evitar o contacto com outras pessoas e ligar de imediato para o SNS24 (800 24 24 24) ou para o médico de família. Se possível, indique o teste usado: marca, fabricante e número de lote. Nesta comunicação, poderá receber uma prescrição médica para efetuar um teste de confirmação por testes RT-PCR. 

A Direção-Geral da Saúde disponibilizou também um formulário para que o consumidor possa comunicar os resultados negativos. Esta comunicação é importante para que as autoridades monitorizem a atividade de testagem e determinem a "taxa de positividade" dos autotestes.

Caso tenha sintomas (febre, tosse ou falta de ar) ou tenha contactado com alguém que tenha infeção confirmada, deve contactar o SNS24, independentemente do resultado do autoteste.

Onde colocar os resíduos

A Agência Portuguesa do Ambiente, em articulação com a Direção-Geral da Saúde e o Infarmed, elaborou um guia com orientações para a gestão dos resíduos decorrentes dos testes rápidos de diagnóstico à covid-19. Todos os componentes que estiveram em contacto com "material biológico" devem seguir para o lixo comum. O folheto das instruções pode seguir para o ecoponto azul.

  • Se os resultados forem negativos, basta colocar todos os componentes no saco de plástico que integra o kit (ou noutro, se aquele não tiver), fechá-lo e colocar no balde do lixo indiferenciado.
  • Em caso de resultados positivos (ou inconclusivos), o material deve ser protegido em dois sacos de plástico, ambos fechados, e depositado no lixo comum.

Menor fiabilidade quando realizados por leigos

Uma das limitações dos testes rápidos, segundo a circular informativa, é a maior probabilidade de fornecerem resultados incorretos, isto é, falsos positivos ou falsos negativos. Estes são mais comuns e podem dever-se, por exemplo, a uma baixa concentração de antigénio na amostra (inferior ao limite de deteção do teste) ou à colheita incorreta da mesma. Desta forma, um resultado negativo não elimina a possibilidade de infeção por SARS-CoV-2. Por isso, nunca poderão ser descuradas as medidas de proteção recomendadas, como o uso de máscara, o distanciamento físico e a higienização das mãos.

Os testes de deteção de pesquisa de antigénio, em princípio, têm uma menor sensibilidade (capacidade para detetar pessoas infetadas) do que os testes moleculares (RT-PCR), sobretudo no início da infeção. Quando efetuados por leigos, diz o Infarmed, “têm características de desempenho inferiores comparativamente às observadas na utilização por profissionais”.  Em todo o caso, para serem aprovados, os autotestes têm de apresentar uma sensibilidade (capacidade de detetar pessoas infetadas) mínima de 80% e uma especificidade (capacidade de evitar falsos positivos) igual ou superior a 97 por cento.

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