Notícias

Teste de covid-19 para fazer em casa: como usar e qual a fiabilidade

Os testes rápidos de antigénio, agora disponíveis para uso pelo consumidor, não exigem receita médica e podem ser feitos por qualquer pessoa, bastando seguir as instruções do folheto informativo. Um resultado negativo não dispensa as medidas de proteção e um positivo deve ser confirmado através de testes RT-PCR.

  • Dossiê técnico
  • Joana Almeida
  • Texto
  • Fátima Ramos
09 abril 2021
  • Dossiê técnico
  • Joana Almeida
  • Texto
  • Fátima Ramos
homem ao espelho a fazer autoteste à covid-19

iStock

Disponíveis nas farmácias e locais de venda de medicamentos não sujeitos a receita médica e unidades de saúde, os testes rápidos de antigénio a usar pelo consumidor pretendem ser mais uma arma no controlo da pandemia, mas não substituem os meios de deteção clássicos, isto é, os testes moleculares de amplificação de ácidos nucleicos, conhecidos por RT-PCR. Podem ser usados em qualquer altura e por qualquer pessoa, apesar de serem especialmente recomendados para situações em que houve contacto com pessoas infetadas.

De acordo com a circular informativa conjunta da Direção-Geral da Saúde (DGS), Infarmed e Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), os testes não devem ser dispensados a menores de 18 anos, nem efetuados nos locais de venda, incluindo a recolha da amostra. Porém, nestes estabelecimentos, deve ser prestada toda a informação necessária para a correta realização. 

Os dispositivos agora disponíveis para autoteste eram já usados por profissionais. Contudo, tiveram de submeter um novo pedido de aprovação ao Infarmed para poderem ser vendidos para uso pelo consumidor. Encontra os testes autorizados no site daquela entidade, bastando pesquisar por lista de autotestes. 

Os requisitos para a aprovação do dispositivo, segundo a referida circular informativa, incluem a facilidade de utilização por leigos e a existência de instruções “facilmente inteligíveis e fáceis de aplicar” pelo consumidor, que permitam a utilização correta e segura. Assim, o fabricante deve fornecer informações claras, em português, com ilustração do processo de colheita e execução.

Como se faz o autoteste e como atuar em caso de resultado positivo

As instruções de utilização podem variar com o fabricante, mas, por regra, é necessária a recolha de “material biológico” no interior do nariz com uma zaragatoa, que, depois, é processado de acordo com as indicações do fabricante. É importante seguir à risca todos os passos, para que os resultados sejam fiáveis. Leia toda a informação antes de iniciar o processo. Se tiver dúvidas, contacte o profissional do local de venda.

Desde abril, é possível comprar um autoteste à covid-19 para fazer em casa. O kit é composto por zaragatoa, tubo de extração, tampa doseadora e tira de teste. Entre 15 e 19 de abril, visitámos uma dúzia de farmácias e parafarmácias, na região de Lisboa, e só encontrámos uma marca à venda. Já há à venda mais autotestes, cujas instruções de realização são ligeiramente diferente do autoteste do vídeo acima. 

 

Please fill the source and the alt text 
Exemplo de um kit de autoteste que se encontra à venda.

 

Face a um resultado positivo ou que levante dúvidas (inconclusivo), o utente deve evitar o contacto com outras pessoas e ligar de imediato para o SNS24 (800 24 24 24) ou para o médico de família. Se possível, indique o teste usado: marca, fabricante e número de lote. Nesta comunicação, poderá receber uma prescrição médica para efetuar um teste de confirmação por testes RT-PCR. 

Caso tenha sintomas (febre, tosse ou falta de ar) ou tenha contactado com alguém que tenha infeção confirmada, deve contactar o SNS24, independentemente do resultado do autoteste.

Menor fiabilidade quando realizados por leigos

Uma das limitações dos testes rápidos, segundo a circular informativa, é a maior probabilidade de fornecerem resultados incorretos, isto é, falsos positivos ou falsos negativos. Estes são mais comuns e podem dever-se, por exemplo, a uma baixa concentração de antigénio na amostra (inferior ao limite de deteção do teste) ou à colheita incorreta da mesma. Desta forma, um resultado negativo não elimina a possibilidade de infeção por SARS-CoV-2. Por isso, nunca poderão ser descuradas as medidas de proteção recomendadas, como o uso de máscara, o distanciamento físico e a higienização das mãos.

Os testes de deteção de pesquisa de antigénio, em princípio, têm uma menor sensibilidade (capacidade para detetar pessoas infetadas) do que os testes moleculares (RT-PCR), sobretudo no início da infeção. Quando efetuados por leigos, diz o Infarmed, “têm características de desempenho inferiores comparativamente às observadas na utilização por profissionais”.  Em todo o caso, para serem aprovados, os autotestes têm de apresentar uma sensibilidade (capacidade de detetar pessoas infetadas) mínima de 80% e uma especificidade (capacidade de evitar falsos positivos) igual ou superior a 97 por cento.

Junte-se à maior organização de consumidores portuguesa

A independência da DECO PROTESTE é garantida pela sustentabilidade económica da sua atividade. Manter esta estrutura profissional a funcionar para levar até si um serviço de qualidade exige uma vasta equipa especializada.

Registe-se para conhecer todas as vantagens, sem compromisso. Subscreva a qualquer momento.

Junte-se a nós

 

O conteúdo deste artigo pode ser reproduzido para fins não-comerciais com o consentimento expresso da DECO PROTESTE, com indicação da fonte e ligação para esta página. Ver Termos e Condições.