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Flatulência: como prevenir e tratar gases intestinais

A flatulência é normal. Quando excessiva, pode geralmente ser controlada através de ajustes na dieta e no estilo de vida. Mas há outros sintomas associados que podem revelar problemas mais graves. Saiba identificá-los.

  • Especialista
  • Ânia Rosado
26 julho 2022
  • Especialista
  • Ânia Rosado
Flatulência

iStock

A flatulência, vulgarmente conhecida por “gases”, é a passagem de ar ou gás do tubo digestivo para fora do corpo através do reto. Apesar de poder provocar algum embaraço, trata-se de um processo biológico perfeitamente normal e estima-se que, em média, um adulto saudável solte gases até 20 vezes ao dia. Frequentemente, isto acontece sem que a pessoa repare, já que muitas vezes os gases são soltos em quantidades muito pequenas e não têm odor.

O que provoca a flatulência

Existem várias causas na origem da flatulência, algumas naturais e outras relacionadas com o estilo de vida.

É normal engolir algum ar ao respirar ou comer. Contudo, por vezes engolimos ar em grandes quantidades, sobretudo quando comemos de forma muito rápida ou sem mastigar bem os alimentos. Mastigar pastilha elástica, fumar ou usar próteses dentárias mal ajustadas também pode levar a engolir um maior volume de ar.

As pessoas que ingerem grandes quantidades de vegetais ou frutas podem desenvolver algum grau de flatulência. Além disso, determinados alimentos também podem causar gases intestinais:

  • alguns alimentos (como feijão, couve, brócolos, couve-flor, alcachofras, passas, leguminosas, lentilhas, cebolas, ameixas secas, maçãs ou couves-de-bruxelas) contêm hidratos de carbono que não conseguem ser digeridos e absorvidos pelos intestinos. Estes passam então para o cólon para serem decompostos por bactérias, produzindo gás que é libertado como flatulência;
  • alimentos que contêm muita fibra de cereais não refinada, como o farelo;
  • determinados tipos de açúcar, como a frutose (que está presente na maioria dos sumos de fruta) e o sorbitol (um adoçante usado, por exemplo, em pastilhas elásticas);
  • bebidas com gás, como os refrigerantes ou a cerveja;
  • alimentos com lactose;
  • gorduras.

A flatulência também pode ser sinal de problemas de saúde, tais como:

  • doença de Crohn;
  • colite ulcerativa ou diverticulite;
  • alguns tipos de cancro (que podem conduzir a um bloqueio dos intestinos);
  • gastroenterite e outras infeções intestinais;
  • indigestão;
  • obstipação;
  • síndrome do cólon irritável;
  • doença celíaca;
  • intolerância à lactose;
  • gastroparesia (uma doença em que os músculos da parede do estômago não funcionam de forma adequada, o que interfere na digestão);
  • síndrome de malabsorção intestinal (quando os intestinos não conseguem absorver os nutrientes de forma adequada);
  • giardíase (uma infeção do sistema digestivo causada por parasitas);
  • outras causas, tais como gravidez, hérnias, pancreatite, doença de Hirschsprung (uma doença rara que provoca obstrução intestinal), síndrome pré-menstrual, endometriose.

A flatulência pode ser um efeito secundário de alguns medicamentos, tais como:

  • anti-inflamatórios não esteroides, como o ibuprofeno;
  • alguns antibióticos;
  • alguns laxantes;
  • antifúngicos;
  • estatinas (medicamentos para o colesterol);
  • vareniclina (um fármaco para ajudar a deixar de fumar).

Como prevenir a flatulência

  • Fazer as refeições sem pressa e mastigar devagar para evitar engolir demasiado ar.
  • Optar por refeições mais leves e comer com maior frequência ao longo do dia.
  • Evitar os alimentos que podem causar flatulência descritos acima.
  • Evitar bebidas com gás.
  • Não mastigar pastilhas elásticas.
  • Caminhar um pouco (10 ou 15 minutos a passo moderado) após as refeições.
  • Praticar exercício físico com regularidade.

Como tratar a flatulência

Normalmente, é possível controlar a flatulência fazendo alguns ajustes na alimentação. Nem sempre é fácil saber qual o tipo de alimento na origem deste problema, por isso, a estratégia pode passar por ir eliminando um tipo de alimento de cada vez até descobrir a causa.

Se as alterações na dieta e no estilo de vida não forem suficientes para controlar a flatulência, existem medicamentos de venda livre e suplementos alimentares que podem ajudar. Contudo, embora a administração destes medicamentos possa contribuir para reduzir a produção de gases, geralmente, não demonstra grande eficácia.

Em Portugal, estes são os exemplos de substâncias frequentemente utilizadas em produtos para o tratamento/melhoria da flatulência:

  • pancreatina + dimeticone;
  • simeticone;
  • simeticone + carvão ativado;
  • suplementos alimentares à base de carvão ativado;
  • probióticos.

Quando consultar um médico

Apesar de poder ser embaraçosa ou causar dor e desconforto, a flatulência raramente é por si só sinal de um problema de saúde. Contudo, se esta questão interferir na sua qualidade de vida e o limitar no dia a dia, deve consultar um médico. Além disso, se a flatulência for acompanhada de outros sintomas mais graves, deve procurar um serviço de saúde para ter um diagnóstico completo.

Estes sintomas incluem:

  • fezes com sangue;
  • dor abdominal;
  • náuseas e vómitos;
  • pressão no abdómen;
  • diarreia ou obstipação;
  • perda de peso repentina.

Deve ser observado por um médico com urgência no caso de sentir dor abdominal prolongada ou dor no peito.

Como é feito o diagnóstico

Os exames são realizados sobretudo quando, além da flatulência, o doente apresenta sintomas tipicamente associados a doenças do tubo digestivo. Estes são alguns exames que podem ajudar a perceber a causa da flatulência:

  • radiografia com contraste;
  • tomografia ou ecografia abdominais;
  • endoscopia alta ou baixa;
  • análises ao sangue.

Verdade ou mito: segurar faz mal?

A acumulação excessiva de gases no sistema digestivo pode ser muito desconfortável e costuma provocar dor e distensão abdominal ou eructações (arrotos). Embora prender o gás de forma a não o soltar não tenha grandes consequências, é saudável permitir a libertação espontânea de gases pelo ânus de forma a evitar estes sintomas. Contudo, é também importante estar atento a outros sinais que podem indicar quadros clínicos mais graves e que necessitam de atenção médica.

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