Dicas

Gastroenterite: líquidos para evitar desidratação

31 março 2015

31 março 2015

Muita paciência e ingestão frequente de líquidos são o melhor remédio para a gastroenterite. Lavar as mãos com regularidade ajuda a prevenir. 


Gastroenterites são inflamações do estômago e dos intestinos, quase sempre sem gravidade. Podem ser causadas por bactérias, vírus ou parasitas. Diarreia, vómitos, perda de apetite, cólicas insuportáveis, dores no corpo e, por vezes, febre são os sintomas. Geralmente, passam ao fim de um ou dois dias,  sem necessidade de medicamentos.

Apesar de incómodos, os transtornos  não são perigosos, desde que o doente tome regularmente pequenas porções de líquidos, como água, sumos de fruta, infusões ou caldos, para se manter hidratado.

Existem soluções à venda na farmácia, especialmente concebidas para hidratar e restabelecer o equilíbrio de sais essenciais para o bom funcionamento do organismo. Mas, além de um sabor pouco agradável, nem sempre são necessárias. Podem ter utilidade em idosos, recém-nascidos, crianças até 5 anos e adultos que tenham perdido muito peso ou apresentem sinais de desidratação.

Estas soluções devem ser ingeridas em pequenas porções, para reduzir o risco de vómito. Tome, por exemplo, uma colher de sopa várias vezes ao dia. Em alternativa, poderá preparar uma solução em casa: misture, num litro de água, duas colheres de sopa de açúcar, uma colher de café de sal e umas gotas de limão, para melhorar o paladar.

Quanto à dieta, deixe-se guiar pelo apetite. Opte por alimentos ligeiros, com pouca gordura e especiarias, e em pequenas quantidades. Batata, arroz e massa cozidos em água com sal ajudam a combater a diarreia. Pode igualmente comer tostas ou bolachas de água e sal, bananas e legumes cozidos. O leite e seus derivados são de evitar durante alguns dias, já que, muitas vezes, as gastroenterites dificultam a absorção da lactose (açúcar do leite).

Os bebés afetados podem continuar a beber leite materno ou o biberão habitual. Se durante um ou dois dias não tolerarem nada, não se preocupe: não é grave, desde que vão bebendo água.

Se tiver febre, dores de cabeça ou no corpo, o paracetamol é o mais indicado, já que não ataca o estômago como os anti-inflamatórios não esteroides. Se as cólicas forem insuportáveis, fale com o médico para saber se pode tomar algo para atenuar as dores.

Contra a diarreia e as náuseas, pouco há a fazer. Os antidiarreicos (por exemplo, loperamida) podem ser tomados pontualmente, para evitar episódios de diarreia, em caso de compromisso inadiável. Por sistema, estes medicamentos não são recomendados, por poderem retardar a cura, estando mesmo contraindicados a menores de 12 anos.

Evitar o contágio
Regra geral, as infeções são contagiosas, pelo que uma pessoa infetada não deve cuidar de outras nem preparar refeições. Manter a higiene adequada é também essencial para reduzir o risco:

  • lave as mãos após cada ida à casa de banho, antes de cozinhar e de ir para a mesa;
  • desinfete as superfícies e os brinquedos (nas creches) que possam estar contaminados;
  • lave cuidadosamente a roupa que possa conter resíduos de vómitos ou fezes;
  • lave bem a  fruta e os vegetais;
  • não prepare legumes crus na tábua e com os utensílios que usou anteriormente  em carne e enchidos;
  • cozinhe bem os alimentos de risco, como frango e carne de porco.

Consultar o médico
Quando o problema afeta recém-nascidos, grávidas, idosos e doentes mais vulneráveis, por exemplo, com sida, cancro ou síndrome de Crohn, convém ir ao médico. O mesmo se recomenda se houver sangue nas fezes ou sinais de desidratação, como pele e boca muito secas, urina pouco abundante e muito escura, tonturas, fraqueza e apatia.

Se os sintomas forem muito severos ou persistirem durante vários dias ou, ainda, se o doente não aguentar líquidos ou estiver de regresso de um país com problemas de higiene, também convém consultar o médico.