Venho apresentar reclamação contra a Chave Nova – Mediação Imobiliária, Lda., na sequência da forma como foi conduzido o processo de aquisição de um imóvel mediado por esta empresa e da atuação dos seus colaboradores, Emanuel Ferreira e Miguel Barrote. Importa esclarecer que esta reclamação não se prende com o contrato-promessa celebrado com o promotor nem com atrasos na construção da obra. O objeto da reclamação é exclusivamente a atuação da mediadora imobiliária, a informação que me foi transmitida durante todo o processo, as expectativas que legitimamente criou e os prejuízos financeiros que sofri por ter confiado nessas informações. Inicialmente foi-me transmitido que a escritura estaria prevista para agosto de 2026. Contudo, na assinatura do CPCV, os consultores Emanuel Ferreira e Miguel Barrote informaram-me presencialmente que existia uma "excelente notícia" e que a escritura ocorreria em junho de 2026. Foi com base nessa informação que reorganizei toda a minha situação habitacional. Na altura tinha disponível um apartamento para arrendamento por 800 € mensais, já com despesas incluídas. Porém, fui aconselhada pelos colaboradores da Chave Nova a não avançar com essa solução porque existiria uma parceria com a Nôma Living Rooms, alegadamente mais vantajosa e flexível, sendo-me dito que o processo seria acompanhado semana a semana e que dificilmente permaneceria muito tempo naquele alojamento.
Foi igualmente referido que o consultor Miguel Barrote trataria de todo esse processo e que eu não teria de me preocupar. Nada disso correspondeu à realidade. Recebi apenas o contacto da Nôma Living Rooms e tratei sozinha de toda a reserva. Acabei por pagar 1.100 € mensais, uma caução que me tinham garantido não existir e fui obrigada a reservar meses completos, precisamente o contrário daquilo que me tinha sido apresentado.
Posteriormente confirmei junto da própria Nôma Living Rooms que os valores praticados nunca foram os que me tinham sido indicados, que a caução sempre existiu e que as condições comunicadas pela Chave Nova não correspondiam à realidade. Ou seja, tomei decisões económicas importantes com base em informações incorretas prestadas pelos consultores da mediadora. Ao longo do processo existiram ainda sucessivas falhas de comunicação. Diversos e-mails ficaram sem resposta, várias chamadas não foram devolvidas e o acompanhamento prometido nunca existiu.
Quando questionei porque motivo a escritura já não ocorreria em junho, foi-me inicialmente dito que essa informação tinha sido transmitida pela promotora. Contactei diretamente a promotora e fui informada de que nunca tinha comunicado qualquer previsão de escritura para junho à Chave Nova. A mesma informação foi posteriormente confirmada pelo responsável Joaquim Costa. Assim, a informação que me levou a tomar todas aquelas decisões nunca teve origem na promotora, apesar de essa ter sido a justificação apresentada pelos consultores.
Quando confrontei os colaboradores com estas contradições fui tratada de forma desrespeitosa, tendo-me sido dirigidas expressões como "Isso é mentira", "Só quer arranjar culpados", "É uma criança que tem de crescer", "Quem é você na fila do pão?" e "Não tem educação", terminando inclusivamente uma das chamadas com o telefone desligado na minha cara. Apresentei posteriormente uma reclamação formal à administração da Chave Nova, descrevendo todos os factos e solicitando esclarecimentos. A única resposta que recebi foi enviada por uma advogada da empresa e limitou-se a afirmar que a Chave Nova não era parte do contrato celebrado com a Nôma Living Rooms.
Contudo, essa nunca foi a minha reclamação. Nunca imputei à Chave Nova responsabilidades decorrentes desse contrato. O que sempre questionei foi a atuação dos seus colaboradores enquanto mediadores imobiliários, as informações concretas que me transmitiram, a confiança que criaram, a falta de acompanhamento e os prejuízos que resultaram diretamente dessas informações. A resposta da empresa nunca esclareceu porque me foi comunicada uma escritura para junho, nunca explicou a origem dessa informação, nunca respondeu relativamente às informações incorretas sobre a Nôma Living Rooms, nunca se pronunciou sobre os comportamentos dos seus colaboradores nem apresentou qualquer pedido de desculpas. Entendo que existiu uma clara violação dos deveres de informação, diligência, transparência e boa-fé que devem pautar a atividade de mediação imobiliária, induzindo-me em erro e levando-me a tomar decisões que me causaram prejuízos económicos. Já apresentei reclamação junto do IMPIC e publiquei igualmente uma avaliação pública relatando a experiência vivida. Venho agora solicitar a intervenção da DECO PROteste, por considerar que os meus direitos enquanto consumidora foram lesados e que a empresa nunca procurou resolver efetivamente a situação nem assumir responsabilidade pela atuação dos seus colaboradores.