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Desigualdade de género, ausência de condições adequadas de acompanhamento terapêutico

Em curso Pública

Clínica Dr. Nuno R. Santiago, Unip., Lda.

Reclamar

Problema identificado:

Qualidade

Reclamação

L. B.

Para: Clínica Dr. Nuno R. Santiago, Unip., Lda.

14/09/2026

Venho, por este meio, apresentar uma reclamação formal relativamente à minha experiência enquanto utente nessa clínica, por considerar terem existido situações graves de desigualdade de género, falta de ética profissional, ausência de informação transparente e insuficiência de acompanhamento técnico adequado. Desde o momento da admissão, foram impostas às mulheres regras extremamente restritivas relativamente ao vestuário, sem que essas informações tivessem sido previamente comunicadas antes da entrada na clínica. As utentes estavam impedidas de usar tops de alças, camisolas ou camisas com qualquer tipo de decote, bem como calções acima do joelho. Inclusive, na época balnear, na piscina, apenas era permitido o uso de fato de banho. Acresce ainda o facto de as mulheres não poderem manter uma conversa com um homem sem a presença de um terceiro elemento. Contudo, os homens utentes não estavam sujeitos a qualquer tipo de restrição semelhante relativamente ao vestuário ou interação social, o que considero uma clara situação de desigualdade de género e discriminação. Quando questionei a psicóloga sobre o fundamento destas regras, foi-me referido que as mesmas se deviam a situações ocorridas anteriormente na clínica. Contudo, manifestei a minha opinião de que, caso tenham existido incidentes no passado, os mesmos refletem uma falha de supervisão e controlo por parte da administração e não devem justificar medidas discriminatórias dirigidas exclusivamente às mulheres. Foi igualmente informado, antes da admissão, que existiria assistência médica disponível 24 horas por dia, informação essa que não corresponde à realidade. Na prática, apenas existiam os chamados “monitores”, muitos deles ex-adictos tratados na mesma clínica, sem formação na área da saúde. A assistência prestada em situações de urgência limitava-se, segundo o que foi transmitido, a contactar o 112, exatamente como qualquer pessoa faria em casa. Estamos a falar de uma clínica com mais de 40 utentes, onde frequentemente a monitorização diária era assegurada maioritariamente por apenas dois utentes em tratamento, designados como “grupo líder”, por serem considerados os mais assertivos do grupo. Considero extremamente preocupante que responsabilidades de acompanhamento e controlo recaíssem sobre pessoas igualmente em processo terapêutico, sem qualificações técnicas adequadas. Durante várias sessões de terapia de grupo, presenciei a psicóloga, Médica: CATARINA CUNHA (65592), utilizar expressões como: “isto aqui é para doer, tem que doer”. Em 15 anos de acompanhamento psicológico e psiquiátrico, nunca ouvi semelhante abordagem por parte de profissionais de saúde mental. Os utentes que procuram tratamento para dependências procuram igualmente apoio para lidar com traumas, impulsos, baixa autoestima, ansiedade e sofrimento emocional. Ouvir este tipo de discurso provocou em mim um profundo sentimento de falta de ética, empatia e respeito perante pessoas vulneráveis e em tratamento. Somos pessoas com problemas de adição, não somos animais — e nem os animais devem ser tratados com imposição, arrogância ou jogos psicológicos. Este tipo de comportamento apenas reforça a perceção de ausência de ética profissional dentro da instituição. Apesar de ter permanecido apenas quatro dias na clínica, esse período foi suficiente para reconhecer a falta de técnicos devidamente qualificados para a quantidade de utentes presentes, bem como a insuficiência de acompanhamento adequado em momentos críticos. Tive episódios de ansiedade e ataques de pânico sem o devido apoio especializado. Posso ainda referir que o meu familiar, identificado como tutor, contactou diariamente a clínica, sem nunca receber qualquer feedback relativamente ao meu estado emocional ou psicológico, nem sequer uma palavra de incentivo ou orientação sobre a continuidade do tratamento. No dia em que manifestei a intenção de desistir do internamento, por perceber que a realidade da clínica não correspondia ao que me tinha sido apresentado inicialmente, não houve qualquer tentativa de diálogo, avaliação clínica ou acompanhamento no sentido de compreender a minha decisão. Pelo contrário, foram imediatamente apresentados os documentos de desistência e contactado o meu familiar para me ir buscar. Acresce ainda que, dois dias antes da minha saída, solicitei autorização para contactar a minha psicóloga do CRI de Gondomar, pedido esse que me foi recusado sem qualquer justificação aceitável. Estando eu a necessitar de acompanhamento, e sem o ter, e terem simplesmente respondido que não havia contatos para médicos externos à clínica. Considero que todas estas situações demonstram falta de transparência, falhas graves no acompanhamento terapêutico, ausência de condições adequadas para os devidos tratamentos e práticas discriminatórias incompatíveis com aquilo que se espera de uma instituição desta natureza. Solicito, assim, que esta reclamação seja analisada com a devida seriedade e que sejam tomadas medidas para averiguar as práticas adotadas nesta clínica, de forma a garantir a dignidade, segurança e igualdade de todos os utentes. É de lamentar uma clínica receber pessoas a necessitar de acompanhamento diário, e poder dizer que em apenas 5 dias que estive, foram o suficientes para passar tudo isto. Ajuda, tratamento, inclusão, acompanhamento e outras coisas mais, foram coisas que posso dizer que não obtive! Já para não falar que tratasse de uma clínica em que se paga para lá estar, e ainda assim existe todos estas questões negativas a apontar.

Mensagens (1)

Clínica Dr. Nuno R. Santiago, Unip., Lda.

Para: L. B.

24/09/2026

A Clínica Dr. Nuno Santiago tomou conhecimento da reclamação apresentada através da plataforma Reclamar, cujo teor foi devidamente analisado. Após apreciação do exposto, a Clínica esclarece que não se revê na caracterização efetuada relativamente ao seu funcionamento, ao modelo de acompanhamento disponibilizado aos utentes ou à atuação dos seus profissionais. A Clínica desenvolve a sua atividade de acordo com as normas legais, regulamentares e deontológicas aplicáveis, dispondo de procedimentos e orientações adequados à natureza dos serviços prestados e ao modelo terapêutico adotado. Relativamente à informação prestada no momento da admissão, importa esclarecer que a Clínica informa os seus utentes sobre a existência de assistência médica, não sendo prestada informação de que existiria assistência médica presencial ou permanente 24 horas por dia. No que respeita às orientações relativas ao vestuário, estas correspondem a sugestões e adequações ao contexto institucional e terapêutico, não tendo por fundamento o género dos utentes. Relativamente à interação entre pares, existem orientações destinadas a promover um ambiente terapêutico adequado, a prevenir situações de isolamento e a contribuir para a segurança dos utentes, integrando-se estas orientações no modelo de funcionamento da instituição. No âmbito da organização interna, alguns utentes podem assumir determinadas funções de liderança e apoio na supervisão e observação de algumas atividades desenvolvidas pelo grupo. Estas funções não substituem, nem se confundem com, as funções dos profissionais da Clínica, permanecendo o acompanhamento técnico e clínico a cargo dos profissionais competentes. Quanto à situação concreta que esteve na origem da reclamação, a Clínica encontra-se vinculada aos deveres de confidencialidade e de proteção dos dados pessoais e de saúde, pelo que não poderá divulgar publicamente elementos relativos ao processo clínico, intervenções realizadas ou outras informações de natureza reservada. Sem prejuízo dessa obrigação de confidencialidade, e apenas na medida necessária para esclarecer a questão suscitada, cumpre referir que, no momento em que a utente manifestou a intenção de interromper o internamento, foi realizado acompanhamento psicológico com o objetivo de a sensibilizar para a importância da continuidade do tratamento. Pouco antes da saída, a utente foi igualmente avaliada pela médica psiquiatra, tendo sido considerada a necessidade de intervenção clínica e de sensibilização para a continuidade do tratamento. A Clínica respeita o direito dos utentes de apresentarem reclamações e considera esses mecanismos importantes para a avaliação e melhoria contínua dos serviços. Mantém, igualmente, o seu compromisso com a dignidade, segurança, confidencialidade e direitos dos utentes, bem como com a qualidade e adequação do acompanhamento prestado. Com os melhores cumprimentos, A DIREÇÃO Clínica Dr. Nuno R. Santiago, Lda escreveu (segunda, 14/09/2026 à(s) 22:15):


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