Roupa: portugueses compram muito e procuram promoções
Consumidores nacionais gastaram, em média, 283 euros em roupa no último ano. Nesses 12 meses, compraram oito peças de vestuário e quatro pares de ténis. O que diz o inquérito aos hábitos de compra de roupa dos portugueses?
Lojas físicas e preços mais competitivos, de preferência. É esse o retrato dos locais e contextos económicos em que o consumidor português se move para adquirir nova roupa, segundo o inquérito recente da DECO PROteste, realizado em conjunto com as associações congéneres da Bélgica, de Espanha e de Itália.
A maioria privilegia a loja real (62%), em detrimento da virtual (11%), enquanto outra parte (27%) compra nos dois espaços. As grandes cadeias de retalho, como a Zara e a H&M, levam a palma sobre as lojas de bairro, na preferência dos consumidores – 72% para as primeiras e 37% para as segundas. Plataformas como a Shein ou a Amazon praticamente ombreiam com a preferência pela roupa comprada em outlets (27% no primeiro caso, contra 24% no segundo).
Em média, os consumidores nacionais gastaram 283 euros, no último ano, o que se traduziu por oito peças de vestuário e quatro pares de sapatos em 12 meses. A maioria diz-se atraída por preços competitivos (41% apontaram para o preço mais baixo possível), deixando para trás a qualidade e o design (19% dos inquiridos apontaram cada um destes dois aspetos) e os saldos e promoções (11 por cento).
Quem compra roupa em excesso? Quem é mais consciente?
Com base nos comportamentos avaliados no inquérito, foi possível definir três tipos de consumidores e a sua relação com a compra de vestuário.
- 5% dos inquiridos são “overbuyers”, isto é, compram em excesso. Adquirem, frequentemente, mais itens do que realmente precisam e dispõem de roupa por usar no guarda-fatos. A incidência de mulheres neste grupo é superior à da população geral: 8 por cento.
- 17% são consumidores conscientes: verificam a origem e a matéria-prima do vestuário que adquirem e evitam marcas/empresas com comportamentos nocivos do ponto de vista social e ambiental. A maioria são mulheres com mais de 46 anos.
- 8% são guiados pela oportunidade de comprar a baixo preço e pela raridade dos bens: são os que “correm atrás” de promoções. São, essencialmente, consumidores abaixo dos 30 anos, com um nível de educação médio ou baixo.
Preço é o motor da compra de roupa
O estudo centrou-se, também, no modo como os portugueses lidam com a compra de roupa em segunda mão. 34% dos inquiridos compraram roupa ou calçado em segunda mão nos últimos 12 meses. A maior parte (45%) num site ou app, e 29% numa loja física. Aqueles com menos de 37 anos são os que mais compram. O preço mais acessível é a principal motivação de compra para 68% dos inquiridos, seguido da elevada qualidade das peças por um preço baixo (para 42%), enquanto a motivação de sustentabilidade – ajudar a reduzir o desperdício têxtil – é invocada por 20% dos respondentes ao inquérito.
Poucos conhecem a certificação ambiental da roupa
O vestuário tem selos de certificação ambiental, que atestam a segurança do vestuário para a saúde humana, ou em que se seguiram normas ambientais e éticas na sua produção – entre muitos outros aspetos –, mas o seu significado não é claro para a maioria dos inquiridos.
Roupa mais sustentável é mais cara
O preço volta a ser uma variável importante neste inquérito. O facto de as roupas e o calçado mais sustentáveis serem também mais caros aparece no top das principais barreiras a um comportamento mais amigo do ambiente, no ato de comprar roupa (35 por cento). E quase 30% dizem que falta informação fidedigna sobre a sustentabilidade de um produto ou de uma empresa.
Como foi realizado o estudo
A DECO PROTESTE, em conjunto com as associações de consumidores congéneres da Bélgica, Espanha e Itália, realizou, entre setembro e outubro de 2025, um inquérito a uma amostra representativa da população com idades entre os 18 aos 74 anos. Foi complementada com uma amostra online, o que permitiu reunir um total de 5277 respostas válidas, das quais 1615 em Portugal. Os resultados foram ponderados para serem representativos da população nacional e espelham as experiências e as convicções dos inquiridos portugueses sobre os hábitos de compra de roupa e de calçado.
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Este projeto é uma iniciativa conjunta da Euroconsumers. Reunindo cinco organizações nacionais de consumidores e dando voz a um total de mais de 1,5 milhões de pessoas em Portugal, Espanha, Itália, Bélgica e Brasil, a Euroconsumers é o principal grupo de consumidores do mundo em informação inovadora, serviços personalizados e defesa dos direitos dos consumidores. |
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