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Colares de âmbar são perigosos e inúteis

São uma moda para aliviar a dor causada pelos primeiros dentes, mas os bebés que usam colares de âmbar podem correr risco de asfixia. Além disso, nada garante a sua eficácia.

  • Dossiê técnico
  • Teresa Rodrigues
  • Texto
  • Laís Castro
22 agosto 2018
  • Dossiê técnico
  • Teresa Rodrigues
  • Texto
  • Laís Castro
bebé deitado na cama, perto de um colar de âmbar

iStock

Os colares feitos em âmbar são vendidos como um "analgésico" natural, supostamente capaz de acalmar o incómodo provocado pelo nascimento dos primeiros dentes. De acordo com a publicidade, o contacto entre o colar e o corpo do bebé liberta os óleos e as propriedades do âmbar que, depois, são absorvidos pela corrente sanguínea. Alegadamente, isso ajuda a diminuir o mal-estar da criança.

Não existem estudos científicos que comprovem a eficácia dos colares de âmbar. Além disso, o seu uso acarreta alguns riscos para a criança. Desde 2007, o Sistema Europeu de Alerta Rápido (RAPEX) emitiu alguns alertas sobre estes colares, por considerar que apresentam riscos de asfixia. O colar pode rebentar e as crianças podem colocar as pedras na boca e engasgarem-se. De acordo o RAPEX, se o produto não cumpre as regras de segurança dos brinquedos, deve ser retirado do mercado.

Na Alemanha, foi o que aconteceu recentemente aos colares de âmbar da marca Gallmayer. O RAPEX pediu que saíssem do mercado, por não estarem de acordo com as regras de segurança e acarretarem risco de asfixia e de estrangulamento.

Testes feitos por duas agências governamentais ligadas à segurança do consumidor, uma australiana (Australian Competition & Consumer Comission) e outra irlandesa (National Consumer Agency), mostraram que o colar de âmbar parte-se facilmente. Se isso acontecer, os bebés podem engolir ou inalar as peças soltas e até metê-las no nariz. As três possibilidades implicam um risco elevado de asfixia para crianças com menos de três anos, segundo aquelas agências. Há também o perigo de o colar estrangular o bebé, por exemplo, enquanto dorme.

Outras entidades ligadas à segurança infantil também já alertaram para os riscos dos colares de âmbar. Segundo a Children Safety Europe, estes colares são considerados um brinquedo. Como tal, devem obedecer as regras de segurança (EN71) e ter a marca CE. Esta entidade não recomenda o uso de colares em crianças com menos de 2 anos. A Royal Society for the Prevention of Accidents alerta para o risco de "as crianças se engasgarem" com as pedras, caso o colar se parta.

Alguns pontos de venda garantem que entre as peças são dados nós para evitar que estas se espalhem no caso de o fio partir. O nosso conselho é não arriscar e não comprar estes colares.

 

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