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Como prevenir e lidar com assédio no trabalho

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Há novas medidas para prevenir o assédio no trabalho e proteger os trabalhadores, a partir de 1 de outubro. Em Portugal, quase dois em cada dez já foram vítimas de assédio moral, um número superior à média europeia. 

06 setembro 2017
como lidar com assédio no trabalho

Thinkstock

O assédio no trabalho, também designado por mobbing, pode ser moral e sexual. Considera-se assédio moral, quando os factos repetidos afetam a integridade física e moral da vítima, e assédio sexual quando o comportamento indesejado é desta natureza, seja verbal, não-verbal ou físico. A partir de 1 de outubro, há um novo regime no que respeita à produção de prova, sanções disciplinares, deveres das empresas e indemnizações aos ofendidos.

Sanções proibidas

Um dos principais problemas do assédio é a dificuldade em provar o que aconteceu, o que algumas vezes pode resultar em retaliações para com os trabalhadores que são vítimas de assédio ou para com as testemunhas (quando se trata de colegas de trabalho, por exemplo). 

A nova lei prevê que tanto o trabalhador que denuncia como as testemunhas não podem ser alvo de sanções disciplinares pelas declarações que prestaram no processo. O despedimento ocorrido até um ano depois de um trabalhador ter denunciado uma situação de assédio presume-se abusivo. Parte-se do princípio de que foi provocado pela denúncia e terá de ser a entidade patronal a provar que assim não foi.

No entanto, em caso de dolo (por exemplo, quando o trabalhador quer prejudicar a empresa e mente ao dizer que foi vítima de assédio), a entidade patronal pode sancionar disciplinarmente o funcionário e as suas testemunhas sem ter de aguardar pela decisão final dos tribunais.

Prevenção com códigos de boa conduta

Para as empresas com mais de seis trabalhadores, a nova lei consagra o dever de elaboração de códigos de boa conduta para prevenir e combater o assédio no trabalho. Além disso, sempre que tenha conhecimento de alguma situação de assédio no local de trabalho, a entidade patronal fica obrigada a instaurar procedimentos disciplinares. O desrespeito por estas regras constitui contraordenação grave.

Reparação de danos

Qualquer doença profissional que resulte do assédio no trabalho passa a estar abrangida pelo regime das doenças profissionais, com o pagamento de compensações aos trabalhadores pelos danos sofridos em consequência do assédio.

Direito a indemnização

A proibição de assédio passa a ser expressamente prevista na lei, que confere à vítima o direito a pedir uma indemnização por danos patrimoniais (perdas materiais, por exemplo) e morais (como a dor ou a vergonha sofrida). O assédio passa, ainda, a ser motivo de rescisão do contrato com justa causa pelo trabalhador quando seja praticado pelo empregador ou por um seu representante. 

Informações e denúncias

Os sites da Autoridade para as Condições do Trabalho (para o setor privado) e da Inspeção-Geral de Finanças (para o setor público) passam a disponibilizar a informação sobre a identificação de práticas de assédio e medidas de prevenção e combate ao assédio no local de trabalho. Estarão também aptos para receber as queixas de assédio. Além destas entidades, as vítimas podem contactar a Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego, recorrer aos tribunais ou à ajuda de centrais sindicais, como a CGTP ou a UGT.


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