Notícias

Tarifas da água: custos desiguais em todo o País

Portugal continuou, em 2021, com faturas totais da água com métodos de cobrança, saneamento e resíduos muito diferentes e disparidades de preço entre municípios. E, quando o consumo mensal aumenta, os preços disparam em muitas autarquias.

17 dezembro 2021
Encher o copo com água da torneira

iStock

O nosso estudo mais recente às tarifas da água, de saneamento e de resíduos em vigor em 2021 põe a nu discrepâncias de preço. Numa viagem pelas autarquias e pelos seus 924 tarifários, o diagnóstico tende a repetir-se. Tal como em anos anteriores, de norte a sul, as tarifas de abastecimento de água continuam mais elevadas nos municípios que realizaram contratos de concessão com entidades gestoras.

Para calcular o custo dos serviços de abastecimento de água, saneamento e resíduos sólidos a cobrar na fatura mensal, desenhámos dois cenários: o consumo médio mensal de 10 m3 e de 15 m3, que correspondem, respetivamente, a 120 m3 e a 180 m3 anuais. E qual a sua razão de ser? O facto de a Organização Mundial da Saúde estabelecer como necessários 50 a 100 litros diários (entre 1500 e 3000 litros por mês) de água, por pessoa, para a satisfação das necessidades mais básicas. Desta forma, considerámos que uma família de três pessoas precisa de gastar, em média, 10 000 litros (10 m3) por mês para cobrir essas mesmas necessidades, o que, por ano, perfaz 120 metros cúbicos.

Quanto custa a fatura da água no seu município?

Os 15 municípios mais caros em 2021...

Trofa, Santo Tirso e Vila do Conde, todos do distrito do Porto, cobram 241,37 (os dois primeiros) e 250,02 euros por ano, unicamente pelo abastecimento de 120 m3 de água. Se fizermos as contas à fatura total, e acrescentarmos o saneamento, no final do ano, acresce mais 166,24 euros em Trofa e Santo Tirso, e 154,41 euros, em Vila do Conde. E, ao somarmos os resíduos sólidos urbanos, cuja cobrança consta na fatura da água, acrescentam-se 96 euros (Trofa), 83,16 euros (Santo Tirso) e 75,78 euros (Vila do Conde). Ou seja, um total de mais de 500 euros anuais, no primeiro município, e próximo desse valor, nos outros dois. Concluindo, residir nos 15 municípios mais caros implica pagar por ano, no mínimo, 391 euros. 

Comparando a fatura global destes municípios, caracterizados pelos preços mais elevados, constata-se que, em Trofa e Santo Tirso, o valor desceu devido à redução, no último trimestre de 2021, do custo do serviço de abastecimento de água. O valor anual deste serviço, para o consumo de 120 m3, desceu de 265,27 euros para 241,37 euros. Ainda em Fafe, o valor do serviço de abastecimento passou, no início de setembro, para a responsabilidade das Águas de Fafe, o que levou à descida do tarifário. 

Consumo anual de 120 metros cúbicos. Valores sem IVA. O total refere-se aos três serviços incluídos na fatura: abastecimento, saneamento e resíduos sólidos urbanos.

... e os 15 mais baratos

No extremo oposto, os 15 mais baratos, no Continente, são liderados por Vila Nova de Foz Côa (88,20 euros) e, logo a seguir, por Monchique (Faro) e Terras de Bouro (Braga), nos quais se paga 99 e 103,22 euros, respetivamente. Nalguns destes municípios, ainda não se cobram os serviços de saneamento ou de resíduos sólidos.

 
Consumo anual de 120 metros cúbicos. Valores sem IVA. O total refere-se aos três serviços incluídos na fatura: abastecimento, saneamento e resíduos sólidos urbanos.

Gasto de água superior a 120 m3 por ano faz disparar fatura

O preço a pagar a mais quando se excede o consumo de 120 m3 de água por ano (10 m3 por mês) e se atinge o patamar dos 180 manuais (15 m3 por mês) dispara nalguns municípios. Contas feitas ao abastecimento, ao saneamento e aos resíduos, a autarquia do Fundão lidera na maior diferença: passa de 347,72 para 665,35 euros, desembolsando o consumidor mais 317,63 euros. Só no abastecimento, o salto é de 143,34 euros: de 183,15 para 326,49 euros. Logo a seguir, encontra-se Espinho, no distrito de Aveiro: a diferença da fatura global é de 290,46 euros (de 368,79 para 659,25 euros). 

 
Os valores anuais em euros, sem IVA, contemplam o abastecimento, o saneamento e os resíduos.  

Junte-se à maior organização de consumidores portuguesa

A independência da DECO PROTESTE é garantida pela sustentabilidade económica da sua atividade. Manter esta estrutura profissional a funcionar para levar até si um serviço de qualidade exige uma vasta equipa especializada.

Registe-se para conhecer todas as vantagens, sem compromisso. Subscreva a qualquer momento.

Junte-se a nós

 

O conteúdo deste artigo pode ser reproduzido para fins não-comerciais com o consentimento expresso da DECO PROTESTE, com indicação da fonte e ligação para esta página. Ver Termos e Condições.