Café: como testamos
A arte de fazer café consiste em misturar duas ou mais variedades numa fórmula equilibrada. Arábica e robusta são as principais. A primeira, com teor em acidez mais elevado, é cultivada em quase todo o mundo, enquanto a segunda, com cerca do dobro da concentração em cafeína, provém essencialmente de África. Mas existem também nas versões 100% arábica e 100% robusta.
Para testar café torrado moído, café em cápsulas ou em grão, o laboratório começa por determinar justamente o teor em cafeína. Depois, afere a humidade, o extrato aquoso, as cinzas e a pesquisa de ocratoxina A, uma micotoxina.
Degustação diferencia marcas
Sem problemas de composição detetados nas marcas, tanto ao nível da humidade, como das cinzas, ou ainda do extrato aquoso, a degustação acaba por ser, com a análise do impacto ambiental dos materiais da embalagem, um fator de diferenciação entre marcas. Embora gostos não se discutam, alguns parâmetros podem contribuir para a escolha. É o caso da consistência e da persistência do creme ou da uniformidade da cor. Estes e outros aspetos são avaliados por um painel de especialistas numa prova cega e sem adição de açúcar.
Os provadores começam por apreciar a cor, a intensidade, a uniformidade, a consistência e a persistência do creme. Em seguida, investigam a intensidade e a complexidade do aroma, assim como o equilíbrio entre acidez, amargor e adstringência, a qual corresponde à sensação de boca “encortiçada” ou de “verde”. Apreciam ainda o corpo ou a consistência do café e procuram odores ou sabores que não deveriam estar presentes, que são considerados defeitos.
Impacto ambiental das embalagens em teste
A DECO PROteste avalia também os impactos ambientais causados pelos materiais da embalagem, para verificar que produtos representam as opções mais sustentáveis ao nível da embalagem. As embalagens exteriores devem ser concebidas com materiais leves (idealmente sem mistura de materiais), recicláveis e dimensionados ao volume do produto, para minimizar a quantidade de resíduos gerados.
Há ainda que somar eventuais embalagens interiores ou secundárias desnecessárias. O material da cápsula é igualmente relevante. Combinar três ou mais materiais é considerado uma má prática, pois desrespeita os critérios de ecodesign e preparação para a reciclagem. Além disso, também se avalia a relação entre o peso da embalagem vazia e a quantidade de café contido na mesma. Contabiliza-se igualmente a quantidade de café por cápsula.
A embalagem exterior, usualmente de plástico ou mistura, com alumínio (plásticos mistos ou metalizados) deve ser colocada no ecoponto amarelo. As embalagens de papel normalmente têm uma embalagem interior de plástico, pelo que devem ser separadas e cada uma colocada no devido ecoponto (o papel é para o azul).
Se tivermos em conta um consumo de 700 cafés por ano, isto é, cerca de dois por dia, entre papel, plástico e mesmo alumínio, estamos a falar de um total de resíduos que pode chegar a mais de 200 gramas, em média, por ano, com diferenças de quase quatro quilos entre os produtos que geram mais (as latas de metal ou de plástico com metal) e menos resíduos.
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