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Serviços de televisão: descubra o que devolve a melhor experiência de utilização

Boas opções para gerir a privacidade, comando com botões dedicados e microfone, zapping veloz, fácil localização de conteúdos e agendamento de gravações, qualidade da app e baixo consumo definiram o vencedor do teste. Saiba qual o serviço de televisão que garante a melhor experiência de utilização.

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24 junho 2025
Mulher vê televisão deitada na sala

iStock

Vinte e três euros de um lado, 39,49 a 40,50 do outro. Três meses de fidelização de um lado, 24 do outro. Assim se faz o confronto entre a Digi e a concorrência, corporizada por MEO, NOS e Vodafone. Em causa estão os pacotes 3P mais baratos de cada operador, com telefone fixo, televisão com box 4K e velocidade anunciada de 250 a 500 Mbps no download (exceto a Digi, apenas disponível com 1 Gbps). E a pergunta que se impõe: esta diferença entre a mensalidade dos principais operadores e o preço cobrado pelo estreante romeno justifica-se?

A DECO PROteste analisou a experiência de utilização dos serviços de televisão e não tem propriamente resposta para uma questão simples na aparência. Sim, o trio dos principais operadores oferece um serviço de qualidade superior, com mais funcionalidades que melhoram a usabilidade e consentem que o consumidor faça a gestão da sua privacidade e das informações pessoais recolhidas. Tão-pouco é possível ignorar que o operador low-cost está, pelo menos, por enquanto, circunscrito às principais cidades e ao Litoral.

Mesmo assim, os três grandes têm lições a aprender. Obrigam à contratação do telefone fixo para aceder ao serviço de televisão e, ainda por cima, impõem uma caixa descodificadora. A Digi e até as low-cost que pertencem aos principais operadores (Uzo, Woo e Amigo) vêm provar o argumento tantas vezes formulado pela DECO PROteste, de que a box deveria ser facultativa. Em muitos casos, traduz-se num custo mensal desnecessário, por mais um aparelho e por mais um comando remoto a gastarem energia. Questionável é ainda o interesse de todos os canais que vêm nos pacotes. Além disso, do lado da internet fixa, que é um componente de peso dos tarifários 3P, a Digi oferece bastante mais por menos: 1 Gbps de velocidade de download anunciada, mesmo no tarifário mais barato, contra metade da concorrência (500 Mbps).
Voltamos, portanto, à questão: o dobro da mensalidade compensa? A DECO PROteste reúne argumentos pró e contra, e o consumidor decide.

Usabilidade dos serviços de televisão em estudo

Digi, MEO, NOS, NOWO e Vodafone: os cinco serviços foram instalados no mesmo local, a saber, o laboratório da DECO PROteste. Em seguida, um painel de utilizadores de diferentes idades e níveis de experiência recebeu treino e experimentou os serviços durante três semanas, período que permitiu considerar as várias possibilidades de completar a mesma tarefa.

Os testes recorreram a televisores de resolução 4K com diagonal mínima de 40 polegadas e foram executados de forma sequencial: cada tarefa foi concluída em todos os serviços antes de se avançar para a seguinte.

O laboratório efetuou ainda algumas medições técnicas, como o consumo dos aparelhos instalados, em standby e em operação.

Configuração nem sempre permite ao consumidor gerir a privacidade

Para conhecer os pontos fortes e fracos de cada serviço, identificados pela DECO PROteste, acompanhemos a jornada do consumidor. Com a instalação, vem o primeiro momento de uso.

Logo na configuração, os melhores, NOS e Vodafone, separam a declaração de privacidade e o mais intrusivo sistema de recomendação, que implica a recolha dos dados de visualização dos utilizadores, para construir perfis de consumo, sugerir conteúdos ou até direcionar propostas de publicidade. Dão a oportunidade ao consumidor de rejeitar o modo inteligente sem pôr em causa a utilização do serviço. O mesmo não sucede nos serviços da NOWO e da Digi. Aqui, o consumidor não pode fazer a gestão da sua privacidade.

A primeira utilização é ainda o momento para ordenar o posicionamento dos canais, excluir os que não interessam e organizar listas de favoritos. O serviço da Vodafone é o único que permite ordenar os canais de modo manual, ocultar os não pretendidos e destacar os mais vistos recentemente, embora não deixe fazer listas de favoritos. O serviço da NOS é o inverso: não prevê a ordenação manual, mas dá a possibilidade de eliminar da lista os canais que não interessam, e de fazer listas de favoritos. É ainda o único que prevê logins individuais. A Digi volta a mostrar que tem o serviço mais limitado. Opções para gerir canais ou programas são zero.

Comando remoto agrada em todos os serviços

O operador romeno redime-se na qualidade do comando remoto. Todos os serviços propõem dispositivos ergonómicos, que dão ao consumidor o poder de mudar de canal e controlar o volume sonoro de modo intuitivo.

Um extra interessante é o microfone integrado no comando, que deixa dar ordens vocais para manobrar a box. As operações do dia-a-dia, como mudança de canal, controlo do volume e pesquisa de conteúdos, podem ser transmitidas de viva voz. O comando da Digi, apesar de integrar microfone, apenas permite usá-lo para dar ordens no contexto do sistema operativo Android TV (por exemplo, iniciar uma música na app do Spotify ou lançar um vídeo no YouTube).

Zapping da MEO é o mais veloz

No saltitar do zapping, agradou sobretudo a MEO, pela velocidade da alternância: leva 15 segundos a revezar outros tantos canais de resolução HD. Mas a NOS e a Vodafone não ficam muito atrás, e a Digi e a NOWO tão-pouco desiludem. Veja-se: o último é o serviço mais lento, e demora 34 segundos a alternar entre 15 canais.

Todos os serviços devolvem ainda uma boa visualização rápida dos programas a decorrer nos canais, usando as teclas cursoras. Mas, na Digi, os ícones não deixam perceber o programa anterior e o posterior, apenas o que está a ser reproduzido.

Nem todos permitem agendar gravações

Nas gravações automáticas e no guia eletrónico de programas, também todos entregam bons ou excelentes resultados. Fica, assim, assegurada a possibilidade de visualizar conteúdos já transmitidos. Ao navegar pela grelha de programas ou usar a caixa de pesquisa, o consumidor consegue reproduzir os programas dos dias anteriores. Em todos os serviços, pode recuar uma semana e consultar o que vai ser transmitido na seguinte.

Agendar e gerir gravações são mais dois passos na jornada do consumidor. Vodafone, NOS e NOWO revelam excelência. Um pouco abaixo, a MEO ainda alcança bom desempenho. É penalizada pela impossibilidade de bloquear gravações e pelo processo mais moroso para iniciar uma gravação imediata. De novo, a Digi fica aquém da liga da frente: o consumidor não pode fazer gravações, vendo-se limitado às automáticas.

O operador romeno, agora na companhia da NOWO, volta a ficar para trás na pausa de emissões ao vivo. Os comandos remotos da concorrência, superiores nas avaliações, contam com botões para executar a tarefa. MEO, NOS e Vodafone preveem ainda botões para navegar nos conteúdos, após pausar a emissão, e a diferentes velocidades. Também permitem, de forma simples, reproduzir desde o início programas encontrados a meio. Mas, na NOWO e na Digi, ao selecionar um programa, é possível escolher entre ver em direto ou desde o início.

Muitas falhas na gestão da privacidade

Opções para gerir a privacidade, com a separação de funcionalidades intrusivas das indispensáveis ao uso dos serviços, devem ficar asseguradas na instalação. Não significa que o consumidor esteja impedido de alterar as decisões mais tarde. Por isso, o Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD) estipula que deve ser prevista uma forma expedita de consultar e gerir as opções de privacidade a qualquer momento. Aliás, o mesmo RGPD determina que a recolha e o tratamento de dados pessoais dependem do consentimento explícito dado pelo consumidor.

Os serviços devem, pois, ser claros quanto à recolha de dados e ao uso que lhes dão. E devem conceder ao consumidor a oportunidade de aceitar ou não essa recolha, através de um formulário que seja apresentado de modo explícito e autónomo, indicando que a decisão pode ser alterada a qualquer momento. A DECO PROteste, de resto, considera indispensável um mecanismo que permita modificar as opções de privacidade num menu da box ou da app do serviço.

A NOS e a Vodafone dão ao consumidor o mais amplo conjunto de instrumentos para fazer valer os seus direitos. Bastante mais atrás, o serviço da MEO ainda é aceitável. Na NOWO e na Digi, pelo contrário, não é possível gerir as funcionalidades relacionadas com a privacidade. Também não é facultada informação sobre que dados são recolhidos, com que propósito e com quem são partilhados, desrespeitando a letra do RGPD.

Algumas apps similares ao serviço original

E aceder ao serviço de televisão no telemóvel ou num tablet, é possível? Sim, todos propõem apps Android e iOS para um uso móvel. A DECO PROteste começou por conferir as avaliações médias destas apps nas lojas da Google e Apple. Depois, considerou os resultados de um inquérito que fez entre outubro e novembro de 2024 junto de 15 535 utilizadores. O estudo não incluiu a Digi, que tinha acabado de se estrear no mercado português. Finalmente, um painel de utilizadores analisou se as funcionalidades disponíveis nas apps as aproximavam daquilo que é possível obter acedendo ao serviço pela via clássica. Um guião de perguntas orientou esta fase do estudo. Por exemplo? É consentido ao consumidor usar os repositórios de conteúdos e o guia eletrónico de programas? Pode agendar gravações? E retomar um conteúdo deixado a meio? As gravações automáticas estão presentes?

Do encontro destas três fontes de informação resultou uma conclusão: as apps mais completas e intuitivas são as da NOS e Vodafone. A última foi a que mais agradou aos participantes no inquérito.

Outras apps, as de streaming, podem ser instaladas na box, se não for possível fazê-lo no televisor, por este não ser inteligente. As mais populares, do YouTube e da Netflix, estão disponíveis em quase todos os serviços, ainda que a NOWO prime pela ausência da segunda. Mas, tal como a MEO e a Digi, permite descarregar apps da Google Play Store através da box. Logo, a ausência não é um problema real.

Consumo dos aparelhos está mais reduzido

Um router, uma box e, por vezes, um modem ótico são instalados na casa do consumidor, na altura da subscrição do serviço. Ora, esta tríade consome eletricidade.

O laboratório mediu os valores e concluiu que, face a estudos anteriores, quase todos os serviços registam consumos mais moderados. Não é o caso dos aparelhos da Vodafone, que, se já eram os maiores devoradores de energia, assim se mantêm. Mesmo assim, fazem uma marca razoável, com 17,4 W de consumo para o agregado do router em operação e da box em standby. No confronto, ganha a NOS, com 11,7 W, o que lhe garante mais uma constelação de quatro estrelas, a somar a um desempenho bastante convincente em todas as provas. Este ano, o título está atribuído.

E o vencedor do teste é…

Ponderados todos os critérios de avaliação, a DECO PROteste elegeu como Melhor do Teste o serviço NOS 3 (box UMA TV 4K, 500 Mbps, 180 canais), que custa 39,49 euros com fidelização de 24 meses. Na instalação, separa a função de recomendação de conteúdos, mais intrusiva em termos de privacidade, dos restantes termos e condições exigidos para usar o serviço. Sem ordenação manual de canais, permite ocultar os não desejados, definir programas favoritos, seguir atores e usar vários logins. É fácil localizar, bloquear ou iniciar gravações, bem como ver do início programas a meio. O comando funciona por bluetooth e infravermelhos, e tem microfone e botões para pausar a emissão e navegar. A app mobile é completa e intuitiva. O zapping está na média. Já o consumo é o mais baixo.

 

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