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Nova etiqueta energética dos televisores aperta cerco ao consumo

Desde março que os televisores têm nova etiqueta energética, com escala revista e valores muito apertados para cada nível de eficiência. Analisámos o impacto da medida, e verificámos uma discreta melhoria nos consumos.

  • Dossiê técnico
  • António Alves
  • Texto
  • Inês Lourinho
03 novembro 2021
  • Dossiê técnico
  • António Alves
  • Texto
  • Inês Lourinho
Nova etiqueta energética de televisores aperta cerco ao consumo

iStock

Eletrão a eletrão se ganha a guerra contra o desperdício de energia. Poderia ser este o lema da União Europeia, que em março de 2021 intensificou o cerco aos consumos de várias categorias de equipamentos, lançando etiquetas energéticas bastante mais exigentes. Os televisores não ficaram à margem da investida e, juntamente com os aparelhos de frio (frigoríficos e congeladores) e as máquinas de lavar loiça e roupa, desde então passaram a ostentar a nova etiqueta, sejam vendidos em lojas físicas ou online. Com uma escala que vai de A a G e valores mais apertados para cada patamar de eficiência, a nova etiqueta empurrou para o fundo da tabela muitos televisores que, ainda há pouco tempo, eram considerados moderados em termos de gastos. Não estranhe, por isso, se um A se transformar em G. O equipamento não passou a consumir mais eletricidade: as autoridades europeias é que se tornaram mais rigorosas.

Resumindo, a um televisor, não basta ter bom desempenho ao nível de som e imagem. Tão-pouco a conectividade ou a facilidade de utilização ou de navegação no portal de smartTV lhe completam a lista de regras a cumprir. O preço é importante, mas não é tudo. A sustentabilidade do planeta pressiona as nossas escolhas enquanto sociedade, e os televisores têm de fazer a sua parte. Os Melhores do Teste e as Escolhas Acertadas têm bom desempenho e registam consumos modestos, mas que, à luz da nova etiqueta, caem para a despromoção.

Escassos meses após a transição entre as duas escalas de eficiência, analisámos o impacto da mudança. Como esperado, os rebaixamentos foram expressivos — era essa a intenção da União Europeia. Os primeiros dados que recolhemos apontam para que a estratégia esteja já a dar alguns frutos. Nota-se uma melhoria, ainda que discreta, na classificação dos novos televisores. Temos, porém, de continuar a monitorizar o mercado, para avançarmos com conclusões mais sólidas.

Gastos cortados para um quarto dos valores antigos

Se, no passado, se considerava que um televisor com etiqueta abaixo de A tinha uma eficiência muito abaixo da média, agora, nem uma classe G está necessariamente nessa situação, pois a exigência aumentou fortemente. Grosso modo, a União Europeia cortou os consumos para um quarto.

Para ostentar a classe A, um painel de 65 polegadas (4K e com HDR) poderia gastar 159 W no sistema antigo, enquanto agora está obrigado a cumprir 38 W. Um televisor de 55 polegadas e com as mesmas tecnologias caiu de 115 para 28 W, para receber essa classe mais elevada. Por sua vez, um equipamento de 48 polegadas tem neste momento de consumir apenas 22 W, quando antes podia ir até aos 89 W. Já os modelos de 43 polegadas são obrigados a 16 W, podendo, no sistema anterior, registar 73 W.

Muito consumo a abater rumo à eficiência

Em parceria com as nossas congéneres em mais de 20 países, nos últimos dois anos, testámos quase mil televisores, a grande maioria LCD e OLED, com diagonais de 32 a 65 polegadas. Aplicámos aos consumos destes painéis as fórmulas da nova e da antiga etiqueta. Resultado: passámos de um cenário em que a esmagadora maioria teria a etiqueta A, ou superior, para uma situação em que os mesmos modelos receberiam a classe F ou inferior. Trata-se de uma revolução.

Os nossos ensaios mostram que, em termos médios, os televisores de 65 polegadas, com as definições de imagem originais, consomem 114 W, ou seja, ficam a mais de 70 W da fasquia estabelecida para a classe A na nova etiqueta. Com o sistema atual, os modelos de 55 polegadas também ficam a dever: a média dos consumos anda nos 90 W, bem acima dos 28 W agora preconizados. E por aí em diante. Na diagonal das 48 polegadas, o gasto médio é de 76 W, quando há que cumprir 22 W para receber a classe A. Já os televisores de 43 polegadas, com uma média de 60 W, ficam a 44 W da nova classe energética mais alta.

Estas nossas medições permitiram verificar ainda que, também em termos médios, os painéis que recorrem à tecnologia LCD gastam menos do que os OLED. Uma terceira conclusão: os aparelhos mais simples, com ecrãs de resolução mais modesta e sem HDR, tendem a consumir menos energia.

As mudanças da nova etiqueta energética dos televisores

A exigência da nova etiqueta é evidente. Mas os nossos dados preliminares parecem mostrar que as marcas estão a responder. Constatámos que há agora maior percentagem de televisores das novas classes E e F, e menos da G. A melhoria é discreta, mas pode constituir um ponto de viragem. Vejamos as novidades em detalhe.

Nova etiqueta energética televisores

No canto superior direito, o código QR, que pode ser lido com o telemóvel, é um novo elemento na etiqueta: permite aceder a informação oficial (não-comercial) sobre o televisor.

Logo abaixo, surge a classe energética, que agora vai de A a G, em vez de A+++ a D, na escala antiga. As classes de eficiência das duas escalas não têm correspondência. Como tal, um televisor que dantes pertencia à A pode agora ser remetido para a G.

Depois da classe energética, figura o consumo. Na etiqueta antiga, era indicado em kWh por ano, para um cenário de funcionamento diário de quatro horas, sem contabilizar o gasto em standby. Agora, é referido o consumo por cada mil horas de funcionamento sem o modo HDR ativado.

Mas, como a maioria dos ecrãs acima de 46 polegadas inclui otimização de contrastes (HDR), também deve ser indicado o consumo, por mil horas de funcionamento, quando esta tecnologia é ativada.

Mais uma novidade: no passado, só era obrigatório indicar a diagonal, tanto em polegadas como em centímetros. Agora, também deve ser referida a resolução horizontal e vertical, em píxeis.

Quase mil televisores testados: o impacto da mudança

Nova etiqueta energética de televisores aperta cerco ao consumo - gráficos

 

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