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Como o caso Google e Huawei pode afetar os utilizadores

A polémica das restrições comerciais de empresas como a Google à Huawei tem conhecido vários desenvolvimentos. Para já, não tome decisões precipitadas e saiba o que fazer se tem um aparelho Huawei.

23 maio 2019 Em atualização
huawei android

iStock

A polémica com a Huawei começou a 15 de maio, quando o governo dos Estados Unidos (EUA) decidiu juntar o gigante tecnológico chinês à lista negra das transações de hardware e software entre empresas norte-americanas e empresas consideradas de risco (norte-americanas ou estrangeiras, que requerem autorização especial).

Os EUA consideraram a empresa chinesa um “adversário estrangeiro” que pode representar um “risco inaceitável” para a segurança nacional, incluindo sabotagem e ciberespionagem.

A 19 de maio circulou a informação de que toda a atividade do Google com a Huawei ia ser suspensa. A decisão alastrou-se a outros parceiros, como a Intel, Qualcomm, Broadcom e Xilinx, todos fornecedores de hardware à Huawei (por exemplo, com modems ou processadores), que informaram suspender também as relações comerciais até novo aviso.

As notícias mais recentes, de 21 de maio, dão conta da decisão dos EUA suspenderem por 90 dias a aplicação de sanções à Huawei. Desta forma, os clientes terão tempo de encontrar outros fornecedores para evitar interrupções nos serviços de telecomunicações mais críticos.

A informação que existe até ao momento sobre a Google e a Huawei refere-se aos futuros smartphones da Huawei e Honor, que poderão perder acesso à Play Store e aos Google Services. Os smartphones já existentes das mesmas marcas mantêm o acesso à Play Store e aos serviços da Google.

Estamos a trabalhar com as outras organizações europeias de defesa do consumidor para que a situação entre a Google e a Huawei não tenha impacto negativo para o consumidor. O caso que tem dominado esta semana já sofreu várias evoluções. Por isso, aconselhamos os consumidores a aguardarem por mais desenvolvimentos antes de tomarem qualquer decisão em relação aos seus aparelhos da Huawei.

Quais poderão ser as consequências do caso Google e Huawei?

Utilizadores atuais Huawei/Honor

Os utilizadores atuais devem evitar alarmismos com estas notícias porque, de acordo com a Google, podem continuar a usar as apps do Google e os serviços do Google Play, apesar de não se saber por quanto tempo. Estes utilizadores deverão receber atualizações de segurança do Google porque são distribuídas com o Android Open Source. Os telefones Android atuais incluem o Android Open Source (OS), as Google Apps (Gmail, YouTube, Chrome, Google Maps, Google Agenda, etc.) e os serviços do Google (login da conta, sincronização da conta, auto android, função Chromecast, backup de dados, etc). 

Além disso, a Huawei confirmou que vai continuar a fazer as atualizações de segurança dos seus telefones Android.

Provavelmente, os equipamentos não serão capazes de receber nenhuma atualização de uma nova versão Android, o que levará a uma obsolescência prematura. Infelizmente para o consumidor existem muitos outros fabricantes que nunca atualizam o sistema operativo de alguns dos seus telefones, mesmo que tal seja possível. Também não há nenhum compromisso dos fabricantes (nem da Huawei nem de nenhum outro) quanto à atualização do sistema operativo por um período mínimo.

Futuros utilizadores de aparelhos Huawei

A Huawei terá de desenvolver aparelhos com um novo sistema operativo e os seus próprios serviços, o que a empresa já está a empreender. Seja como for, nenhum dos serviços do Google deve estar disponível, assim como não haverá sincronização de dados ou outras compatibilidades. A situação ainda não é clara, por isso, aconselhamos os utilizadores a aguardarem por mais desenvolvimentos antes de comprarem um novo dispositivo da Huawei.

Outros concorrentes

O grupo Huawei, em conjunto com outras empresas chinesas, estimulou o mercado ao lançar vários equipamentos a preços mais baixos e, progressivamente, dispositivos mais sofisticados. Se a mesma situação acontecer com outras empresas chinesas internacionais, como a Xiaomi, o impacto na concorrência pode ser enorme. Aguardamos para ver os resultados deste conflito também para companhias norte-americanas como a Apple, por exemplo, que têm fábricas na China.

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