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Testes rápidos antecipam casos de covid-19 positivos

A nova geração de testes rápidos de deteção de antigénio são a arma mais recente da DGS na luta contra a pandemia. A grande diferença é a maior rapidez de acesso ao diagnóstico de covid-19.

  • Dossiê técnico
  • Joana Almeida
  • Texto
  • Alda Mota
10 novembro 2020 Em atualização
  • Dossiê técnico
  • Joana Almeida
  • Texto
  • Alda Mota
Teste covid-19

iStock

O mote parece ser testar o mais possível para agir o mais cedo possível. A estratégia nacional de testes para o SARS-CoV-2, que leva a que, desde 9 de novembro, se façam mais testes rápidos de pesquisa de antigénio para a deteção de casos de covid-19 no País, foi finalmente implementada. Segundo o Plano da Saúde para o Outono-Inverno 2020-21, a nova tática da Direção-Geral da Saúde passa por controlar a evolução epidemiológica em Portugal testando em larga escala, o que permitirá fazer um rastreio efetivo com a deteção e o isolamento precoces de casos de covid-19 positivos e dos respetivos contactos.

A ideia será usar diferentes tipos de testes consoante as circunstâncias, a estimativa da eventual carga viral do SARS-CoV-2 que a pessoa analisada poderá carregar e a ponderação de outros fatores, nomeadamente a existência de surtos em escolas, lares e outras instituições, contactos de alto risco ou com populações vulneráveis e a necessidade de um diagnóstico rápido para agilizar a implementação de medidas adequadas de saúde pública para travar a propagação da covid-19.

Que tipo de testes à covid-19 existem?

Há vários tipos de testes laboratoriais para SARS-CoV-2 disponíveis. O seu desempenho depende muito do contexto clínico e epidemiológico em que são utilizados.  

Em traços largos, os testes à covid-19 podem dividir-se entre os que são projetados para diagnosticar uma infeção atual e os que têm como objetivo determinar se a pessoa já teve contacto com o novo coronavírus

Testes serológicos 

Os testes serológicos, feitos a partir de análise de amostra de sangue, detetam a presença de anticorpos (produzidos durante uma resposta imunitária à doença) e não estão recomendados para o diagnóstico de novos casos de covid-19. 

Até à data, não há dados científicos suficientes que permitam deduzir se esses anticorpos conferem imunidade de longa duração. Apesar da sua limitada utilidade clínica, estes testes podem ser utilizados em estudos epidemiológicos populacionais e de investigação.

Para se verificar se existe ou não contaminação com covid-19, é preciso realizar outros tipos de testes, tais como os moleculares e os testes de pesquisa de antigénio.

Testes moleculares ou testes de PCR

Os testes moleculares de amplificação de ácidos nucleicos desenvolvidos para o diagnóstico de infeção por SARS-CoV-2 são testes de pesquisa de RNA viral (o genoma do SARS-CoV-2) ou testes RT-PCR. Trata-se do método de referência para a deteção de RNA viral do SARS-CoV-2, que permite concluir que alguém está contaminado com este vírus (a deteção de RNA viral na amostra recolhida leva ao diagnóstico de covid-19). 

No grupo dos testes moleculares de amplificação de ácidos nucleicos incluem-se os RT-PCR convencionais, feitos em tempo real, e os RT-PCR em circuito fechado, que são testes de amplificação de ácidos nucleicos, realizados geralmente em equipamentos portáteis, que permitem um resultado mais rápido quando comparados com os testes convencionais.

Para a realização destes testes moleculares, são recolhidas, com o auxílio de um cotonete (zaragatoa), amostras do trato respiratório superior e/ou inferior para a eventual deteção de RNA viral. A evidência científica atual mostra que o RNA de SARS-CoV-2 pode ser identificado um a dois dias antes do início dos sintomas, podendo persistir, nos casos moderados, até 8 a 12 dias depois do início da doença (embora existam casos reportados de deteção de RNA após o 28.º dia de infeção). Dependendo da capacidade do laboratório, os resultados do teste podem ser conhecidos no prazo de 24 horas após a sua requisição.

Testes rápidos de pesquisa de antigénio

Os testes de pesquisa de antigénio desenvolvidos para o diagnóstico do SARS-CoV-2 visam detetar proteínas específicas do vírus produzidas no trato respiratório. São realizados através da colheita de amostras de exsudado (normalmente, da nasofaringe) com um cotonete (zaragatoa).

Os estudos científicos demonstram que a fase em que, com maior probabilidade, se deteta um antigénio viral num indivíduo infetado por SARS-CoV-2 é geralmente nos dias imediatamente antes do aparecimento dos primeiros sintomas e nos cinco a sete dias imediatamente seguintes, período em que a carga viral no trato respiratório superior é mais elevada.

A tecnologia envolvida é semelhante a um teste de gravidez. Os testes de pesquisa de antigénio podem ser realizados em pequenas séries, com baixa complexidade de execução técnica, e não implicam o recurso a um laboratório. Os resultados ficam, na maioria dos casos, disponíveis para leitura visual ou ótica no equipamento portátil no espaço de 10 e 30 minutos.

Quais os testes à covid-19 mais fiáveis?

A fiabilidade dos testes à covid-19 mede-se, geralmente, por dois critérios: a sua sensibilidade (ou seja, a capacidade de detetar pessoas infetadas) e a sua especificidade (o número de falsos positivos que pode eventualmente indicar). 

Como em todos os testes laboratoriais, existem vários aspetos que podem condicionar a fiabilidade dos resultados dos testes RT-PCR. A probabilidade de um resultado positivo varia consoante o tipo de amostra biológica, a qualidade da colheita e a quantidade de RNA viral presente numa determinada localização anatómica e em cada fase e gravidade da doença. 

Os testes de deteção de pesquisa de antigénio, em princípio, têm uma menor sensibilidade do que os testes moleculares (RT-PCR), particularmente quando a carga viral é mais baixa. Sobretudo no início da infeção, a deteção da presença de uma proteína do SARS-CoV-2 pode ocorrer mais tarde do que a identificação do RNA viral por RT-PCR. Contudo, quando a carga viral é elevada (nos dias que antecedem os sintomas e nos cinco a sete dias depois do aparecimento dos mesmos), o potencial destes testes aumenta.  

A nova geração de testes rápidos de deteção de antigénio que se encontram registados no Infarmed apresentam desempenhos diversos, variando a sensibilidade entre 60% e 99%, com especificidades consistentemente elevadas (iguais ou superiores a 98%). No entanto, a Direção-Geral de Saúde só recorre a testes que apresentem uma sensibilidade igual ou superior a 90% e uma especificidade igual ou superior a 97%. Em suma, os testes rápidos de deteção de antigénio usados são fiáveis, sobretudo quando usados numa fase inicial da doença, e podem orientar as decisões em saúde pública e a vigilância da covid-19, permitindo, por exemplo, isolar antecipadamente casos assintomáticos, ou obter um diagnóstico rápido numa fase inicial da doença.

Para quem estão indicados os testes rápidos de antigénio?

De acordo com a norma da Direção-Geral da Saúde relativa à Estratégia Nacional de Testes para SARS-CoV-2 em vigor a partir de 9 de novembro, os testes rápidos de antigénios estão indicados para:

  • pessoas com sintomas e indicação para vigilância clínica e isolamento no domicílio nos primeiros cinco dias (inclusive) de doença;
  • pessoas assintomáticas que tiveram ou mantêm contacto de alto risco (por exemplo, profissionais de saúde) com algum caso confirmado de covid-19, se o teste molecular não estiver disponível ou não permitir a obtenção do resultado em menos de 24 horas; 
  • surtos em escolas, lares e outras instituições, sob coordenação das equipas de saúde pública;
  • doentes sintomáticos com indicação para internamento, mas antes de serem admitidos, nos casos em que o teste molecular não esteja disponível ou não permita obter resultados em tempo útil;
  • pessoas sem sintomas e sem contacto de alto risco com caso confirmado, no contexto da admissão hospitalar, em estruturas residenciais para idosos, em unidades da rede nacional de cuidados continuados integrados e em instituições de acolhimento social, entre outras. Nestes casos, o uso de testes rápidos visa prevenir e mitigar o impacto da covid-19 nos serviços de saúde e nas populações vulneráveis.

Como posso saber os resultados dos testes?

Em Portugal, os resultados dos testes laboratoriais (tanto os moleculares como os de pesquisa de antigénio) são disponibilizados e comunicados ao utente.

São também, regra geral, registados na plataforma Sinave pelos laboratórios, no período de 24 horas desde a requisição do teste laboratorial e a obtenção do resultado.

Com um teste rápido negativo, é preciso fazer um PCR?

Face a um resultado negativo num teste rápido de pesquisa de antigénios, caso haja elevada suspeita clínica de covid-19, a Direção-Geral da Saúde recomenda a realização de um teste molecular (RT-PCR). Contudo, a decisão de fazer um teste molecular compete ao médico assistente, que age consoante análise e ponderação da situação clínica e epidemiológica evidenciada.

Há testes rápidos de pesquisa de antigénio à venda nas farmácias?

Segundo o Infarmed e a Direção-Geral da Saúde (DGS), os testes para SARS-CoV-2 só podem ser realizados em laboratórios hospitalares ou outros que cumpram requisitos de segurança elevados, e em unidades prestadoras de cuidados de saúde onde sejam asseguradas as condições de higiene e biossegurança adequadas. No âmbito da legislação em vigor que regula o funcionamento das farmácias comunitárias e respetivos serviços prestados (decreto-lei n.º 306/2007, de 31 de agosto), “as farmácias podem prestar serviços farmacêuticos de promoção da saúde e do bem-estar dos utentes”, pelo que poderão vir a ser incluídos nos serviços prestados pelas farmácias os testes rápidos para SARS-CoV-2. É necessário, contudo, que sejam aplicadas e verificadas as devidas condições regulamentares, por exemplo, a realização dos testes por profissionais de saúde devidamente habilitados e a garantia do consentimento informado do utente.

Posso pedir para fazer um teste rápido?

Pode, mas não deve fazê-lo. À partida, é possível através de uma instituição de saúde ou de um laboratório ter acesso a testes de diagnóstico à covid-19, onde se incluem os testes rápidos. Contudo, a DGS desaconselha as pessoas a fazê-lo por sua alta recreação. Os testes de diagnóstico para a covid-19 devem ser realizados após indicação médica e por profissionais de saúde qualificados que têm o dever de registar os resultados, para que as autoridades de saúde possam manter a vigilância epidemiológica da covid-19 em Portugal.

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