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Testes rápidos antecipam casos de covid-19 positivos

Os testes rápidos de deteção de antigénio garantem maior rapidez de acesso ao diagnóstico de covid-19. Sem comparticipação, custam cerca de 25 euros. Os RT-PCR são gratuitos, por exemplo, quando é feita a referenciação do SNS24, mas, sem comparticipação, rondam os 100 euros.

 

  • Dossiê técnico
  • Joana Almeida e Teresa Rodrigues
  • Texto
  • Alda Mota
17 fevereiro 2021
  • Dossiê técnico
  • Joana Almeida e Teresa Rodrigues
  • Texto
  • Alda Mota
Teste covid-19

iStock

Desde novembro de 2020 que a estratégia nacional de testes para SARS-CoV-2, estabelecida no âmbito do Plano da Saúde para o Outono-Inverno 2020-21, leva a que se façam mais testes rápidos de pesquisa de antigénio para a deteção de casos de covid-19 no País. De acordo com a atualização da norma da Direção-Geral de Saúde para o controlo da transmissão comunitária, feita em 11 de fevereiro, devem agora ser realizados rastreios regulares com este tipo de testes às pessoas que vivam em concelhos com registo, nos últimos 14 dias, de mais de 480 casos de covid-19 por cada cem mil habitantes e sejam:

  • alunos, pessoal docente e não-docente, em estabelecimentos de ensino;
  • reclusos e profissionais, em estabelecimentos prisionais;
  • profissionais em contextos ocupacionais de elevada exposição social (nomeadamente, fábricas, construção civil, entre outros).

Estes testes devem ser realizados a cada 14 dias, desde que não sejam identificados casos de infeção por SARS-CoV-2. Caso a doença seja detetada, atua-se de acordo com os critérios definidos para evitar a propagação da doença.

Também os acompanhantes, que não saiam da unidade hospitalar, de crianças, pessoas com deficiência, pessoas em situação de dependência e pessoas com doença incurável em estado avançado e em estado final de vida devem ser testados. Neste contexto, os testes usados poderão ser:

  • os testes moleculares de amplificação de ácidos nucleicos (TAAN) – os conhecidos RT-PCR;
  • ou, caso os mesmos não estejam disponíveis ou não permitam a obtenção do resultado em menos de 24 horas, os testes rápidos de antigénio (TRAg).

A ideia é usar diferentes tipos de testes (RT-PCR ou testes rápidos de pesquisa de antigénio) consoante as circunstâncias, a estimativa da eventual carga viral do SARS-CoV-2 que a pessoa analisada poderá carregar e a ponderação de outros fatores, nomeadamente a existência de surtos em lares ou outras instituições, contactos de alto risco ou com populações vulneráveis e a necessidade de um diagnóstico rápido para agilizar a implementação de medidas adequadas de saúde pública para travar a propagação da covid-19.

Estes testes devem ser prescritos pelos médicos que avaliam a situação clínica do paciente. Sem comparticipação, os testes rápidos custam cerca de 25 euros. Os RT-PCR são gratuitos, por exemplo, quando é feita referenciação do SNS24, mas, sem comparticipação, rondam os 100 euros. 

Que tipo de testes à covid-19 existem?

Há vários tipos de testes laboratoriais para SARS-CoV-2 disponíveis. O seu desempenho depende muito do contexto clínico e epidemiológico em que são utilizados.  

Em traços largos, os testes à covid-19 podem dividir-se entre os que são projetados para diagnosticar uma infeção atual e os que têm como objetivo determinar se a pessoa já teve contacto com o novo coronavírus

Testes serológicos 

Os testes serológicos, feitos a partir de análise de amostra de sangue, detetam a presença de anticorpos (produzidos durante uma resposta imunitária à doença) e não estão recomendados para o diagnóstico de novos casos de covid-19. 

Até à data, não há dados científicos suficientes que permitam deduzir se esses anticorpos conferem imunidade de longa duração. Apesar da sua limitada utilidade clínica, estes testes podem ser utilizados em estudos epidemiológicos populacionais e de investigação.

Para se verificar se existe ou não contaminação com SARS-CoV-2, é preciso realizar outros tipos de testes, tais como os testes moleculares de amplificação de ácidos nucleicos (TAAN) e os testes de pesquisa de antigénio.

Testes moleculares ou testes de PCR

Os testes moleculares de amplificação de ácidos nucleicos (TAAN) desenvolvidos para o diagnóstico de infeção por SARS-CoV-2 são testes de pesquisa de RNA viral (o genoma do SARS-CoV-2) ou testes RT-PCR. Trata-se do método de referência para a deteção de RNA viral do SARS-CoV-2, que permite concluir que alguém está contaminado com este vírus (a deteção de RNA viral na amostra recolhida leva ao diagnóstico de covid-19). 

No grupo dos testes moleculares de amplificação de ácidos nucleicos incluem-se os RT-PCR convencionais, feitos em tempo real, e os RT-PCR em circuito fechado, que são testes de amplificação de ácidos nucleicos, realizados geralmente em equipamentos portáteis, que permitem um resultado mais rápido quando comparados com os testes ditos "convencionais".

Para a realização destes testes moleculares, são recolhidas, com o auxílio de um cotonete (zaragatoa), amostras do trato respiratório superior e/ou inferior para a eventual deteção de RNA viral. A evidência científica atual mostra que o RNA de SARS-CoV-2 pode ser identificado um a dois dias antes do início dos sintomas, podendo persistir, nos casos moderados, até 8 a 12 dias depois do início da doença (embora existam casos reportados de deteção de RNA após o 28.º dia de infeção). Dependendo da capacidade do laboratório, os resultados do teste podem ser conhecidos no prazo de 24 horas após a sua requisição.

Testes rápidos de pesquisa de antigénio

Os testes de pesquisa de antigénio desenvolvidos para o diagnóstico do SARS-CoV-2 visam detetar proteínas específicas do vírus produzidas no trato respiratório. São realizados através da colheita de amostras de exsudado (normalmente, da nasofaringe) com um cotonete (zaragatoa).

Os estudos científicos demonstram que a fase em que, com maior probabilidade, se deteta um antigénio viral num indivíduo infetado por SARS-CoV-2 é geralmente nos dias imediatamente antes do aparecimento dos primeiros sintomas e nos cinco a sete dias imediatamente seguintes, período em que a carga viral no trato respiratório superior é mais elevada.

A tecnologia envolvida é semelhante à de um teste de gravidez. Os testes de pesquisa de antigénio podem ser realizados em pequenas séries, com baixa complexidade de execução técnica, e não implicam o recurso a um laboratório. Os resultados ficam, na maioria dos casos, disponíveis para leitura visual ou ótica no equipamento portátil no espaço de 10 e 30 minutos.

Quais os testes à covid-19 mais fiáveis?

A fiabilidade dos testes à covid-19 mede-se, geralmente, por dois critérios: a sua sensibilidade (ou seja, a capacidade de detetar pessoas infetadas) e a sua especificidade (o número de falsos positivos que pode eventualmente indicar). 

Como em todos os testes laboratoriais, existem vários aspetos que podem condicionar a fiabilidade dos resultados dos testes RT-PCR. A probabilidade de um resultado positivo varia consoante o tipo de amostra biológica, a qualidade da colheita e a quantidade de RNA viral presente numa determinada localização anatómica e em cada fase e gravidade da doença. 

Os testes de deteção de pesquisa de antigénio, em princípio, têm uma menor sensibilidade do que os testes moleculares (RT-PCR), particularmente quando a carga viral é mais baixa. Sobretudo no início da infeção, a deteção da presença de uma proteína do SARS-CoV-2 pode ocorrer mais tarde do que a identificação do RNA viral por RT-PCR. Contudo, quando a carga viral é elevada (nos dias que antecedem os sintomas e nos cinco a sete dias depois do aparecimento dos mesmos), o potencial destes testes aumenta.  

A nova geração de testes rápidos de deteção de antigénio que se encontram registados no Infarmed apresentam desempenhos diversos, variando a sensibilidade entre 60% e 99%, com especificidades consistentemente elevadas (iguais ou superiores a 98%). No entanto, a Direção-Geral de Saúde só recorre a testes que apresentem uma sensibilidade igual ou superior a 90% e uma especificidade igual ou superior a 97%. Em suma, os testes rápidos de deteção de antigénio usados são fiáveis, sobretudo quando usados numa fase inicial da doença, e podem orientar as decisões em saúde pública e a vigilância da covid-19, permitindo, por exemplo, isolar antecipadamente casos assintomáticos, ou obter um diagnóstico rápido numa fase inicial da doença.

Para quem estão indicados os testes rápidos de antigénio?

De acordo com a norma da Direção-Geral da Saúde relativa à Estratégia Nacional de Testes para SARS-CoV-2 em vigor a partir de 11 de fevereiro de 2021, os testes rápidos de antigénios estão indicados para:

  • pessoas com sintomas e indicação para vigilância clínica e isolamento no domicílio nos primeiros cinco dias (inclusive) de doença;
  • pessoas assintomáticas que tiveram ou mantêm contacto de alto risco com algum caso confirmado de covid-19, se o teste molecular não estiver disponível ou não permitir a obtenção do resultado em menos de 24 horas;
  • profissionais de saúde que prestam cuidados de saúde diretos e de maior risco de contágio (devem ser testados a cada 7 a 14 dias) – também podem ser usados testes moleculares (RT-PCR) para o mesmo efeito; 
  • surtos em escolas, lares e outras instituições, sob coordenação das equipas de saúde pública;
  • doentes sintomáticos com indicação para internamento, antes de serem admitidos e durante o próprio internamento, nos casos em que o teste molecular não esteja disponível ou não permita obter resultados em tempo útil;
  • pessoas sem sintomas e sem contacto de alto risco com caso confirmado, no contexto da admissão hospitalar, em estruturas residenciais para idosos, em unidades da rede nacional de cuidados continuados integrados e em instituições de acolhimento social, entre outras. Nestes casos, o uso de testes rápidos visa prevenir e mitigar o impacto da covid-19 nos serviços de saúde e nas populações vulneráveis;
  • acompanhantes, que não saiam da unidade hospitalar, de crianças, pessoas com deficiência, pessoas em situação de dependência e pessoas com doença incurável em estado avançado e em estado final de vida;
  • em zonas de elevada incidência da covid-19, alunos, pessoal docente e não-docente sem sintomas (em estabelecimentos de ensino), reclusos e profissionais sem sintomas (em estabelecimentos prisionais e profissionais em contextos ocupacionais de elevada exposição social (nomeadamente, fábricas, construção civil, entre outros).

Onde são disponibilizados os testes rápidos de antigénio?

Para o controlo da transmissão comunitária e monitorização da evolução epidemiológica da covid-19 no âmbito das medidas previstas na nova norma da Direção-Geral da Saúde, são disponibilizados testes rápidos de antigénio nas unidades dos agrupamentos de centros de saúde (ACES) e nas unidades locais de saúde (ULS). Para este efeito, são disponibilizados testes rápidos de antigénio aos utentes assintomáticos que se apresentem em consulta presencial e que consintam na sua realização.

Os testes rápidos também podem ser feitos, mediante pagamento do utente, em estabelecimentos prestadores de cuidados de saúde, com registo válido na Entidade Reguladora da Saúde (ERS) – por exemplo, farmácias – desde que estas cumpram os requisitos para a realização dos testes rápidos de antigénio para SARS-CoV-2.

Como posso saber os resultados dos testes?

Em Portugal, os resultados dos testes laboratoriais (tanto os moleculares como os de pesquisa de antigénio) são disponibilizados e comunicados ao utente através de mensagem SMS, boletim de resultado, e-mail ou outra via, até 12 horas após a realização do teste. Também são transmitidos ao médico, ou ao serviço prescritor, no mesmo prazo.

São ainda, regra geral, registados na plataforma do Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica (Sinave) pelos laboratórios, no período de 24 horas desde a requisição do teste laboratorial e a obtenção do resultado.

Com um teste rápido negativo, é preciso fazer um PCR?

Face a um resultado negativo num teste rápido de pesquisa de antigénio, caso haja elevada suspeita clínica da covid-19, a Direção-Geral da Saúde recomenda a realização de um teste molecular (RT-PCR). Contudo, a decisão de fazer um teste molecular compete ao médico assistente, que age consoante análise e ponderação da situação clínica e epidemiológica evidenciada.

Onde podem ser feitos os testes à covid-19?

A lista completa de laboratórios de referência convencionados com o Serviço Nacional de Saúde para a realização de testes do tipo RT-PCR pode ser consultada no site do SNS. Este tipo de testes pode ser realizado nos seguintes locais:

  • laboratório de referência nacional – Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA);
  • laboratórios hospitalares capacitados para o efeito;
  • rede complementar de laboratórios privados;
  • outros postos de colheita (como os chamados “drive thru”).

Os testes rápidos de antigénio também podem ser feitos noutros estabelecimentos prestadores de cuidados de saúde, desde que tenham registo válido na Entidade Reguladora da Saúde (ERS).

A colheita da amostra para o teste pode ser feita em casa?

Sim. Muitos destes laboratórios permitem a colheita das amostras tanto nos pontos de colheita destinados para o efeito como no domicílio. Se está interessado nesta possibilidade, verifique na lista disponibilizada no site do SNS se o laboratório escolhido faz domicílios. A colheita tem de ser realizada por profissionais devidamente qualificados (conselho especialmente importante para os testes rápidos de pesquisa de antigénio, que podem ser feitos feitos fora de laboratórios).

Posso fazer um teste de diagnóstico à covid-19 numa farmácia?

Pode, mas apenas se lhe for prescrito um teste rápido de antigénio para o SARS-CoV-2. Caso a prescrição refira especificamente um teste molecular para pesquisa de RNA do vírus SARS-CoV-2 por RT-PCR, terá de recorrer a um dos laboratórios de referência. A circular normativa conjunta do Infarmed, da Direção-Geral da Saúde e do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), de 16 de dezembro de 2020, estabelece que todos os estabelecimentos prestadores de cuidados de saúde, com registo válido na Entidade Reguladora da Saúde (ERS), podem realizar testes rápidos de pesquisa de antigénio, o que engloba as farmácias, desde que cumpram os requisitos para a realização dos testes rápidos de antigénio para SARS-CoV-2.

É necessário, contudo, que os testes sejam realizados em condições de segurança elevadas e em unidades prestadoras de cuidados de saúde onde sejam asseguradas as condições de higiene e biossegurança adequadas. Têm também de ser aplicadas e verificadas as devidas condições regulamentares, por exemplo, a realização dos testes por profissionais de saúde devidamente habilitados e a garantia do consentimento informado do utente.

Posso pedir para fazer um teste por minha iniciativa?

Pode, mas não deve fazê-lo. À partida, é possível através de uma instituição de saúde ou de um laboratório ter acesso a testes de diagnóstico à covid-19, onde se incluem os testes rápidos de antigénio. Contudo, a DGS desaconselha as pessoas a fazê-lo por sua alta recreação. Os testes de diagnóstico para a covid-19 devem ser realizados após indicação médica e por profissionais de saúde qualificados que têm o dever de registar os resultados, para que as autoridades de saúde possam manter a vigilância epidemiológica da covid-19 em Portugal.

Quanto custa fazer um teste à covid-19?

Os utentes com prescrição médica do Serviço Nacional de Saúde para a realização de um teste à covid-19 estão isentos do seu pagamento. Para os restantes, de acordo com a recolha que efetuámos aos preços disponibilizados online entre 22 e 26 de janeiro, o custo pode variar entre:

  • 20 e 40 euros, para os testes de pesquisa de antigénio (sendo o preço mais frequente 25 euros);
  • 60 e 120 euros, para os testes por RT-PCR (100 euros é o preço mais comum).

Como obtenho a prescrição para um teste à covid-19?

Os testes que permitem diagnosticar uma infeção pelo SARS-CoV-2 devem ser sempre prescritos pelos profissionais de saúde que fazem a avaliação clínica do doente numa situação de suspeita de contágio. Em caso de sintomas ou contacto próximo com um caso positivo, deve contactar o SNS24 para que a situação seja avaliada e eventualmente seja reencaminhado para consulta.

A prescrição individual pode ser dispensada nos casos de investigação de surtos sob avaliação das autoridades de saúde.

A seguradora comparticipa os testes à covid-19?

A comparticipação do teste vai depender da seguradora e dos motivos que levarem o utente a fazê-lo. Se vai realizar um teste de diagnóstico à covid-19 do tipo RT-PCR devido à necessidade de ser submetido a uma intervenção cirúrgica ou a um procedimento invasivo numa instituição privada, por exemplo, ou por manifestar sintomas compatíveis com a doença, entre em contacto com a sua seguradora. A maioria comparticipa o teste nestas situações, desde que prescrito por um médico. Já se o motivo for a necessidade de ter o teste para viajar de avião, o mesmo poderá não acontecer.

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