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Como tratar infeções urinárias

As infeções urinárias são um tipo de infeção bastante comum que afeta cerca de 150 milhões de pessoas por ano. Veja como prevenir e tratar e saiba quais os produtos sem eficácia comprovada.

19 outubro 2022
infecoes urinarias

iStock

As infeções urinárias afetam 150 milhões de pessoas por ano. Trata-se de processos inflamatórios de causa infeciosa que podem atingir as vias urinárias superiores e/ou inferiores, nomeadamente:

  • bexiga (cistite);
  • uretra (uretrite);
  • ureteres;
  • rins (pielonefrite).

Trata-se de uma das infeções mais prevalentes no ser humano. Como tal, a identificação dos sintomas e o correto diagnóstico são fundamentais para otimizar o tratamento.

Causas da infeção urinária

As infeções urinárias podem ser causadas por quaisquer microrganismos patogénicos que tenham a capacidade de colonizar o trato urinário, nomeadamente fungos, parasitas, vírus ou bactérias. Na sua grande maioria, estas infeções apresentam uma origem bacteriana, sendo a bactéria Escherichia coli o seu principal agente causador identificado, responsável por cerca de 70% a 80% dos episódios.

Na maior parte dos casos, os microrganismos patogénicos responsáveis por estas infeções já existem naturalmente no organismo, nomeadamente nos intestinos, e são, quase sempre, provenientes da região perianal. De um modo geral, começam por colonizar a região vaginal e a uretra. A partir destas localizações, existe um pequeno número destes microrganismos que consegue ascender até à bexiga e mais excecionalmente à pélvis e aos rins. Em circunstâncias normais, são eliminados pelas defesas do nosso organismo e através do fluxo urinário. Quando tal não acontece, a sua presença poderá originar uma infeção urinária sintomática ou assintomática. Numa infeção urinária assintomática (bacteriúria assintomática), verifica-se o isolamento de microrganismos na urina mesmo na ausência de qualquer sintoma.

Infeção urinária é um problema grave?

Do ponto de vista clínico, as infeções urinárias complicadas (mais difíceis de tratar) tendem a afetar crianças, grávidas e doentes de risco, nomeadamente indivíduos com maior predisposição para contrair este tipo de infeção e para apresentar resistência ao tratamento selecionado, tais como imunodeprimidos, insuficientes renais crónicos, doentes com diabetes descontrolada, indivíduos que apresentem anomalias no trato urinário, doentes institucionalizados ou submetidos a algaliação, etc.

As infeções urinárias que afetam indivíduos saudáveis e que não apresentam alterações estruturais ou funcionais do trato urinário são consideradas não complicadas.

As infeções urinárias são mais frequentes nas mulheres. Estima‐se que uma em cada duas mulheres tenha, pelo menos, uma infeção urinária e, pelo menos, uma recidiva a cada 12 a 18 meses.

São vários os fatores que aumentam o risco de infeção urinária na mulher:

  • anatomia feminina (a uretra feminina é mais curta do que a dos homens e por isso está mais próxima do ânus, o que facilita a migração das bactérias existentes nessa zona para o interior da bexiga);
  • grau de atividade sexual (o risco de infeção aumenta com a frequência de relações sexuais);
  • uso de diafragmas e espermicidas como métodos contracetivos;
  • atraso na micção após a relação sexual;
  • histórico de infeção urinária recente;
  • alterações hormonais (por exemplo, durante a menopausa, observa-se uma diminuição do nível de estrogénios que fragiliza as paredes da vagina, aumentando a suscetibilidade de contaminação bacteriana).

As infeções urinárias são cerca de 50% menos frequentes nos homens. No sexo masculino, o risco de infeção urinária aumenta substancialmente com a idade e com a existência de distúrbios urológicos e funcionais que possam prejudicar a micção normal (por exemplo, presença de cálculos renais ou aumento do volume da próstata).

A prevalência de infeção urinária nas crianças, principalmente do sexo masculino, com idade inferior a um ano, é elevada. Além destas, idosos, grávidas e diabéticos são outros grupos populacionais com risco elevado de contraírem infeção urinária.

Quais os sintomas de infeção urinária?

O tipo de sintomas bem como a sua intensidade dependem da localização e da evolução da infeção urinária. Entre os sinais mais comuns, destacam-se:

  • dor, ardor e/ou desconforto ao urinar;
  • urinar menos quantidade, mas com maior frequência;
  • sangue na urina;
  • urina turva ou com odor forte;
  • dor na região pélvica.

Quando o microrganismo causador afeta os rins (pielonefrite), os sintomas são geralmente mais severos e podem incluir:

  • febre;
  • calafrios;
  • dores lombares (do lado do rim afetado);
  • náuseas;
  • vómitos.

Como é feito o diagnóstico?

A prova de diagnóstico mais frequentemente utilizada para a infeção urinária é a tira reativa. Permite realizar uma análise prática e rápida da urina, que se foca essencialmente na procura de possíveis sinais de infeção (por exemplo, presença de sangue, leucócitos e/ou nitratos na urina).

Caso esta análise se revele negativa, mas ainda assim persista a suspeita clínica de infeção urinária, o médico pode optar por solicitar uma análise de sedimento e/ou cultura de urina para confirmar o diagnóstico. Neste caso, a amostra de urina geralmente é submetida a uma análise laboratorial, que permite avaliar a presença de microrganismos. Caso estes estejam presentes, esta análise também permite determinar qual a sua suscetibilidade a diferentes antibióticos, o que é fundamental para que se consiga selecionar qual o antibiótico (antibioterapia) adequado a cada caso. Contudo, este método tem como inconveniente o facto de levar cerca de três a cinco dias para ser concluído. Por essa mesma razão, é comum na prática clínica que, perante um primeiro episódio de infeção urinária não complicada, o médico recomende a iniciação de terapêutica antibiótica de forma empírica, sem ter resultado da análise.

Quando existe suspeita de infeção urinária complicada e/ou um quadro de infeção de repetição, sobretudo nas crianças ou em doentes hospitalizados, é importante avaliar qual o microrganismo responsável e procurar identificar quais as situações que podem estar na base da infeção. Nestes contextos, além da análise laboratorial, também podem ser necessárias avaliações mais aprofundadas com recurso à realização de outras técnicas de diagnóstico, como, por exemplo, ecografia, tomografia ou ressonância magnética.

Qual o tratamento para infeção urinária?

Tendo em consideração que a grande maioria das infeções urinárias apresentam uma origem bacteriana, os antibióticos apresentam-se geralmente como a primeira opção terapêutica. A seleção do antibiótico adequado para cada caso de infeção é feita pelo médico. A decisão deve ser guiada pelo conhecimento do perfil de suscetibilidade dos microrganismos que dão lugar às infeções urinárias na comunidade face aos anti-infeciosos disponíveis.

Há alguns cuidados extra que devem ser adotados durante o tratamento de uma infeção urinária, bem como algumas medidas que podem ajudar a manter a infeção urinária à distância:

  1. beber água (pelo menos, 1,5 a 2 litros de água por dia) – ajuda a diluir os microrganismos e a reduzir o risco de infeção;
  2. urinar com frequência – ajuda a limpar o canal da uretra e a eliminar eventuais bactérias. Por este motivo, também não se deve adiar a ida à casa de banho, quando se tem vontade. Essa resistência aumenta o risco de infeção, porque permite que a urina permaneça mais tempo no interior da bexiga;
  3. ter cuidados gerais de higiene íntima – deve limpar-se de frente para trás (na direção da vagina para o ânus) para prevenir a contaminação da zona vaginal e da uretra com microrganismos presentes no trato intestinal;
  4. lavar a área genital antes da atividade sexual e urinar depois do ato sexual – isto potencia a eliminação de bactérias que possam ter penetrado na uretra e na bexiga;
  5. evitar usar diafragmas ou espermicidas como métodos anticoncetivos.

As infeções urinárias são contagiosas? Podem apanhar-se em casas de banho públicas?

Na maior parte dos casos, as infeções urinárias são causadas por bactérias que já existem naturalmente no nosso organismo, nomeadamente nos intestinos. Estas infeções ocorrem devido à contaminação da uretra por bactérias que migraram do ânus e não, por exemplo, pela utilização da sanita. Logo, não faz sentido apanhar uma infeção urinária por partilhar uma casa de banho.

O frio ou andar descalço causa ou agrava a infeção urinária?

Não existem dados sobre a maior prevalência de cistites no inverno. Aliás, a realidade clínica revela que as infeções urinárias podem ocorrer durante todo o ano. Fatores como o frio ou andar descalço não contribuem para o desenvolvimento ou agravamento deste tipo de infeções. É certo que beber água é fundamental e que uma correta ingestão de líquidos ajuda a prevenir a ocorrência de infeções urinárias. Contudo, quando está frio, tendemos a ingerir menos água, mas por outro lado também podemos beber mais chás e outras bebidas quentes.

Suplementos alimentares à base de probióticos ou bagas de arando-vermelho tratam infeções urinárias?

Os estudos científicos até agora realizados sobre a eficácia e a segurança destes suplementos alimentares apresentam resultados contraditórios e que necessitam de maior consolidação. O mesmo se aplica à manose (um açúcar presente nalgumas plantas) e aos chás de equinácea, uva-ursina, pés-de-cereja e barbas de milho.

Redobrar os cuidados de higiene íntima ajuda a prevenir infeções urinárias?

É importante que se mantenham cuidados gerais e adequados de higiene íntima. Se estes cuidados já existirem, não é necessário redobrá-los, já que a prática de uma limpeza excessiva, bem como o uso excessivo de produtos de higiene íntima (sobretudo perfumados) é desaconselhado. Estes podem causar um desequilíbrio da flora vaginal e, deste modo, favorecer as infeções urinárias.

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