Pedro Silva: "A informação é uma vantagem"
É importante fazer simulações regulares para encontrar a tarifa mais baixa na eletricidade, e mudar sempre que compensar, aconselha o especialista da DECO PROteste em energia e sustentabilidade. O processo de mudança é simples e rápido, sem transtornos para o consumidor.
Verificar se paga a mais
A fatura da eletricidade está entre as que mais pesam no orçamento mensal das famílias. Por muitos cuidados que se tenha na escolha dos equipamentos e no uso da energia, há aparelhos que estão sempre a consumir, como o frigorífico. Outra forma de poupar, e da qual nem sempre os consumidores se lembram, é optar, a todo o momento, pelo melhor tarifário para os consumos do lar. Pedro Silva, especialista da DECO PROteste na área da energia, explica a importância de procurar a melhor tarifa e como fazê-lo.
Um estudo da DECO PROteste revelou que ainda há muitos portugueses com relutância em mudar de fornecedor de energia, em parte por acharem que não vale a pena. Faz sentido esta postura?
Estar informado é sempre uma vantagem, e é sobretudo útil em mercados como o da energia, em que os preços podem mudar com muita rapidez. Realmente, o estudo da DECO PROteste revelou que 80% dos consumidores preferem permanecer com a mesma tarifa, por acharem que nada ganham em mudar. Mas, mais do que este dado, é preciso salientar que, nos 12 meses anteriores ao estudo, 20% dos consumidores mudaram, e, destes, 80% afirmaram tê‑lo feito por existir uma vantagem económica. Mais: ficaram satisfeitos por tomarem a decisão.
Quem analisa com mais atenção a fatura da eletricidade pode encontrar sinais de que talvez esteja a pagar demais pelo que consome. De facto, um tarifário aliciante, contratado há um ano, pode já não compensar como se pensava. No caso dos tarifários de eletricidade, e para os 5,7 milhões que têm o seu contrato no mercado liberalizado, sugiro uma avaliação rápida: procurar na fatura a frase que refere se está a pagar mais ou menos do que pagaria com a tarifa regulada. Não significa que a tarifa regulada seja a melhor opção para o lar em causa, mas, se estiver a pagar mais do que este ponto de comparação, então, há margem para poupar.
Pode dizer‑se que a liberalização do mercado ficou em standby quando passou a ser possível voltar à tarifa regulada?
Não, de todo. O mercado liberalizado continua a ter, para a generalidade dos perfis de consumo, as ofertas mais económicas. A exceção é o caso do gás natural, em que, sem dúvida e sem qualquer necessidade de fazer contas, a tarifa regulada é a que gera uma menor fatura ao fim do mês.
A liberalização do mercado não se traduziu só num "preço", pois surgiu uma panóplia de novos serviços, que complementam o da energia, como a digitalização da informação dos consumos e a interação com o operador, as soluções integradas com energia solar ou as wallboxes, para carregamento de carros elétricos. A liberalização do mercado abriu a porta para que exista mais do que a opção "do costume", e aqui há diversidade e valor para o consumidor, mas também maior complexidade, que obriga a ter atenção às decisões que se tomam.
A tarifa regulada da eletricidade ainda é a melhor opção?
Não é, e raramente o foi. Exceto no caso do gás natural, como referi. A tarifa regulada não é, em si, uma tarifa de mercado. É definida pelo regulador, sendo, assim, menos flexível e adaptada. Contudo, é escrutinável, e a metodologia da sua fixação bem conhecida. Funciona como um ponto de referência para algo que pode chamar-se um "preço adequado". Os operadores em mercado têm a liberdade e a agilidade para fixarem preços e reagirem muito mais rapidamente – daí que as ofertas mais competitivas sejam as dos operadores em mercado liberalizado. Mas tal não significa que estas, uma vez contratadas, permaneçam eternamente competitivas.
Quem é Pedro Silva?
Licenciado em Gestão, dedica-se à causa da defesa do consumidor na DECO PROteste há 27 anos, onde é analista de mercado de energia e sustentabilidade.
Baixar a fatura
Então como podem os consumidores encontrar a melhor tarifa?
No caso da eletricidade, basta começar por olhar para a fatura. Se inclui uma frase a informar de que está a pagar mais do que pagaria caso tivesse optado pela tarifa regulada, é o momento de fazer contas à vida. Mesmo quem ainda usufrui da tarifa regulada é muito provável que esteja a pagar mais do que deveria.
Para descobrir a melhor tarifa, é preciso descobrir primeiro o consumo médio mensal ou anual da casa. Atualmente, é possível consultar o consumo médio mensal, na maioria das faturas, embora dependa do fornecedor. Em alternativa, esta informação e a evolução do consumo são encontradas na aplicação do fornecedor. Uma terceira solução para encontrar o consumo da casa passa por comparar o valor, em kWh, que marcava o contador numa fatura antiga, de há um ano, por exemplo, e subtrair esse valor aos kWh que constam de uma fatura mais atual. Obtidos os dados do consumo, e com o valor pago por kWh e por dia (termo de potência) no fornecedor atual, basta usar o simulador de preços de energia da DECO PROteste. Quem quiser uma solução mais rápida tem na plataforma Saber Poupar as melhores ofertas negociadas para os subscritores.
Os consumidores têm, na ponta dos dedos, a solução para saberem como poupar na energia que consomem. Há que salientar que convém fazer uma simulação, pelo menos, uma vez ao ano.
Muitos fornecedores propõem uma percentagem de desconto nas tarifas. A escolha deve ter em conta esses valores?
Nos primeiros anos de liberalização do mercado elétrico, os fornecedores tinham o hábito de usar a tarifa regulada como referência e anunciar um desconto sobre esta bitola. Esta prática foi proibida em 2015. De facto, não fazia sentido que adotassem uma referência externa, pois não refletia a estrutura de atividade que tinham. O que faz sentido é cada fornecedor definir os seus tarifários.
Embora o anúncio da percentagem de desconto esteja menos visível do que noutras alturas, continua a ser um argumento para convencer potenciais clientes. O problema é que os descontos incidem sobre tarifas diferentes, o que leva a valores finais distintos. Fazer uma escolha com base na percentagem de desconto é uma má decisão, por muito que as empresas queiram fazer passar outra ideia.
O modo como as ofertas são apresentadas dificulta ainda mais a comparação entre fornecedores. As explicações e a matemática envolvida não ajudam o consumidor menos atento ou que não saiba como todas as variáveis se repercutem na fatura.
Tarifas com condições de acesso valem a pena?
As tarifas condicionadas aparentam ser mais baixas, mas há que analisar as condições exigidas, como ser um novo cliente, receber a recomendação de um amigo ou contratar um serviço de telecomunicações com um operador específico. Se, para cumprir as condições, tiver de gastar mais, o consumidor deve analisar se a tarifa compensa esse extra.
A mudança é simples e rápida?
Em menos de 15 dias, na maioria dos casos até menos, o contrato muda de operador. Não são necessárias quaisquer inspeções, e a mudança é gratuita. Como não há fidelização, é possível mudar quando se quiser, e as vezes desejadas. Segundo o estudo anual que a DECO PROteste realiza junto dos consumidores, quem muda de fornecedor fica satisfeito.
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