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Mais de 60% dos portugueses com problemas de sono

23 novembro 2016
problemas de sono

23 novembro 2016
Quase dois terços dos portugueses dormem mal e muitos acusam níveis de sonolência preocupantes durante o dia, revela o inquérito a 1106 portugueses. Em 12 anos, os números duplicaram.

Um terço dos inquiridos revela ter más noites, mas os restantes dados do estudo indicam que os problemas de sono afetam quase dois terços. Por outras palavras: cerca de metade dos inquiridos que dorme mal não tem consciência disso e sofre as consequências no quotidiano. No dossiê dormir melhor, encontra dicas para lutar contra as estatísticas. 

Quatro em cada 10 portugueses que responderam acusam um nível de sonolência preocupante, que afeta a produtividade e aumenta o risco de acidentes. Estes inquiridos confessam sentir dificuldade em manter-se acordados ao volante, à mesa ou em eventos sociais, pelo menos, uma vez por mês. Face ao último estudo sobre hábitos de sono, em 2004, a situação agravou-se: a percentagem de inquiridos que agora considera dormir mal quase duplicou.

sonolência durante o dia

Muitas benzodiazepinas para dormir
Dos participantes no estudo, 59% referem ter dificuldade em adormecer. A exposição a equipamentos com ecrã até tarde e o sedentarismo estão associados a este tipo de insónia. Oito em cada dez queixam-se de acordar a meio da noite ou cedo demais de manhã, devido ao calor ou frio, problemas financeiros ou no trabalho, ansiedade, depressão ou dores.

Para contrariar os problemas de sono, cerca de um quarto dos inquiridos toma medicamentos para dormir, mais de metade dos quais benzodiazepinas. Estes fármacos podem ter uma ação ansiolítica e indutora do sono. Porém, “os seus efeitos secundários, o risco de dependência e tolerância e a possibilidade de agravarem outras doenças do sono tornam o seu uso indiscriminado num grave problema de saúde. Além disso, frequentemente, as benzodiazepinas não tratam a causa do distúrbio”, explica Carla Bentes, neurologista e especialista em problemas do sono. Por isso, recomenda aos pacientes que não tomem este tipo de medicação para dormir, mas que falem com um especialista em medicina do sono. “Na insónia, existem aspetos cognitivos, comportamentais, de higiene do sono e outros fármacos e terapêuticas que têm de ser ponderadas individualmente”, esclarece.

Um em cada dez inquiridos opta por terapias não medicamentosas, como psicoterapia, técnicas de relaxamento ou dormir com a ajuda de um aparelho para facilitar a respiração, terapia recomendada em caso de apneia do sono. Quem recorreu a estas últimas soluções passou a dormir melhor.

 Percentagem de pessoas que tomou fármacos para dormir

Dívidas de sono
Muitos inquiridos têm hábitos que não contribuem para noites repousantes, como dormir menos do que o geralmente recomendado (por regra, 7 a 8 horas para os adultos) ou ficar a ver televisão ou em frente a outros ecrãs até tarde.

Em média, os portugueses dormem cerca de 7 horas, o tempo de sono que a maior parte refere também como o ideal para se manter fresca todo o dia. Mas há quem reporte precisar de menos de 6 horas, sobretudo mulheres. E aqui soam as campainhas, porque o nosso estudo mostra que as mulheres são quem menos dorme e quem reporta níveis de sonolência diurna mais preocupantes, a par dos trabalhadores que fazem turnos noturnos. 

Os distúrbios do sono afetam cerca de 40% da população mundial, segundo a Organização Mundial de Saúde, sendo já considerados um problema de saúde pública muito relevante. A curto prazo, a falta de sono gera um estado emocional instável e afeta as capacidades de trabalho e de concentração, o tempo de reação, o raciocínio lógico e a capacidade para tomar decisões. Também aumenta o risco de acidentes. Com o acumular, a privação do sono tem repercussões devastadoras: reduz as defesas do organismo, aumenta o risco de problemas cardiovasculares (hipertensão, AVC e enfarte do miocárdio), obesidade e diabetes. Alguns estudos associam ainda a falta de sono a alguns cancros, como o colorretal e o da mama.

 Maus hábitos para o sono

 
Noites repousantes
O inquérito revela os fatores que mais contribuem para noites repousantes: deitar e acordar à mesma hora, incluindo ao fim de semana, não ficar a ver televisão e usar ecrãs até tarde (computador, tablet ou smartphone) e manter o peso adequado. Dormir num quarto confortável, calmo, escuro e com temperatura adequada é outro aspeto fundamental.
 

 

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