BYD, três letras fazem tremer o mercado automóvel
A estratégia industrial da Europa deve garantir que os carros elétricos sejam fabricados na União Europeia, e não apenas por empresas europeias. A BYD irá consolidar ou destruir o sonho do automóvel elétrico na Europa?
A Europa precisa de uma estratégia benéfica para o consumidor, o clima e a indústria. Por isso, as tarifas – se vierem – devem ser acompanhadas de um impulso à eletrificação. BYD (três letras que se vão tornar muito familiares aos europeus neste verão) significa Build Your Dreams. Os fabricantes e os políticos europeus precisam de agir para impedirem que a marca destrua (Y)our Dreams.
No final de fevereiro, um navio navegou para Bremerhaven, no norte da Alemanha, transportando uma mensagem. As três letras gigantes (BYD) no casco deveriam ter sido um alerta para a indústria e os decisores políticos. Ao sair do porto de Shenzhen, o BYD Explorer n.º 1 transportava milhares de carros elétricos made in China para o mercado europeu. Como se esta chegada "em grande" ao coração da Das Auto não fosse ameaçadora, em 2023, a BYD destronou a Tesla como o maior vendedor mundial de veículos elétricos.
A BYD é desconhecida da maioria, mas o Explorer n.º 1 é a ponta do icebergue. Numa jogada simbólica, tornou-se patrocinador do Euro 2024, o europeu de futebol na Alemanha.
A BYD, tal como outros fabricantes chineses e norte-americanos, aumenta a escolha, reduz o preço dos carros e força os fabricantes da Europa a avançarem na transição. A indústria chinesa lidera em custos e tecnologia de baterias. Os gigantes europeus foram demasiado lentos na transição e arrogantes para reconhecerem o atraso. Agora, correm. Além disso, a dependência excessiva de grandes SUV premium está a paralisar o mercado, abrindo a porta a automóveis chineses compactos de baixo preço.
A Comissão Europeia está a analisar a possibilidade de impor taxas a carros feitos na China. Há rumores de que poderão aumentar os custos de importação em 25% ou mais. Existem bons argumentos a favor, mas só podem ser prejudiciais para o consumidor, para o clima e para a indústria. Encorajar os fabricantes chineses e norte-americanos a manterem a produção na Europa é um objetivo razoável. Mas tentar proteger as marcas convencionais é inútil.
Em dois a três anos, a BYD terá fábricas na Europa. Se os construtores tradicionais não acelerarem, vão "fritar". Aqui, entram as frotas das empresas. Estes carros são a arma secreta na corrida. Um plano europeu firme criaria uma grande e estável procura de carros elétricos feitos na Europa, que entrariam no mercado de usados três ou quatro anos depois. Combinadas com uma estratégia para estimular as cadeias europeias e o acesso a minerais de origem responsável, as tarifas poderiam trazer os históricos fabricantes europeus de volta à corrida.
Sabia que...?
Em 2023, a BYD destronou a Tesla como o maior vendedor mundial de veículos elétricos.
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