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Formas de silicone para bolos são seguras?

Há migração de substâncias químicas das formas de silicone usadas para confecionar bolos. Mas faltam estudos para saber se representam risco para a saúde. A DECO PROTESTE exige legislação para as definir, à escala europeia.

23 dezembro 2022
Mãe e filho a colocarem bolos no forno em forma de silicone

iStock

Para preparar bolinhos em casa, no forno, nada melhor do que uns moldes comprados há pouco tempo numa loja de especialidades domésticas – são maleáveis, práticos, fáceis de lavar e arrumar. Estes moldes, ou formas de silicone, têm ainda o detalhe simpático de se adequarem a qualquer queque ou muffin que se preze – encaixam-se na perfeição, por mais imaginativa que seja a receita. E podem ir ao forno.

Mas um teste a 20 amostras destas formas, realizado em setembro em diversos países, revela um senão: verificou-se que algumas substâncias químicas migram para os alimentos a que servem de base durante a confeção, no caso, os bolos.

Nas análises laboratoriais, a DECO PROTESTE detetou a migração de químicos como fragmentos e compostos de siloxanos, provenientes de um fabrico imperfeito dos moldes (os silicones são constituídos por cadeias de siloxanos) e aditivos (plastificantes, antioxidantes...), ainda que em concentrações muito baixas. A DECO PROTESTE procurou outras substâncias tóxicas, como o bisfenol A ou as aminas aromáticas, mas, felizmente, não as detetou.

Quer isto dizer que há motivo para alarme? Não. Provavelmente, estas substâncias não representam um perigo para a saúde. Mas, se os moldes forem usados intensivamente, a quantidade ingerida aumentará.

Falta lei para as formas

Os efeitos que estas substâncias químicas podem ter na saúde ainda não são bem conhecidos, pelo que são necessárias mais pesquisas sobre a sua toxicidade. Além disso, não há legislação que regule o uso do silicone em utensílios alimentares, que estabeleça que tipo de substâncias podem ser integradas no seu fabrico e que limite as quantidades em que podem ser encontradas. É necessário uma lei que defina todos estes aspetos, e à escala europeia. Até lá, diante do desconhecido, o princípio da precaução deve prevalecer. O conselho possível, com a informação disponível, é que se utilizem estas formas com parcimónia, não numa base diária, e ainda menos vezes para preparar algo destinado à criançada lá de casa.

É de louvar, de qualquer modo, o desempenho dos modelos de três marcas que passaram pelo teste de laboratório.

Algumas precauções ao usar formas de silicone

Com os três modelos que indicamos na figura, já sabe que está em segurança. Mas, se tiver outros em mente, algumas precauções simples poderão guiar a compra: não adquira moldes de silicone num site qualquer. É comum pesquisarmos num motor de busca pelos produtos que queremos, e os primeiros resultados podem indicar lojas de que nunca tínhamos ouvido falar. Ora, neste caso, convém verificar se o site é de confiança. Consulte a ferramenta da DECO PROTESTE que pode guiar essa escolha. Prefira os sites das lojas físicas ou online que cumpram alguns requisitos mínimos, como nome e contacto de apoio ao cliente. Verifique, ainda, se o produto tem um símbolo com o desenho de um copo e de um garfo no rótulo ou na embalagem. Significa que o molde pode entrar em contacto com a comida.

Antes de usar a forma pela primeira vez, lave-a cuidadosamente. Prepare-a depois, passando farinha, água e óleo. Leve-a assim ao forno, a 220oC, durante cerca de uma hora, e só então deite o preparado dos bolos. A técnica poderá eliminar parte das substâncias suscetíveis de migrarem para os alimentos. Junte todos estes ingredientes de segurança ao já referido princípio da precaução: use as formas com frequência moderada.

Como se usam as formas?

No geral, as formas podem ir ao forno, mas há exceções. Alguns moldes, como os usados para bombons e chocolates, não aguentam o calor fechado dos fornos. Por isso, servem apenas para acomodar as guloseimas. Ainda assim, a regra é mesmo poder levá-las à confeção de corpo inteiro: no forno, com temperatura recomendada que varia entre os 200 e os 260ºC. Se quiser saber o valor ideal para o modelo que escolheu, basta ir às instruções.

Alguns moldes podem ser usados neste tipo de forno, desde que se evite as funções grill ou crisp, destinadas a grelhar e a tostar. As formas podem deteriorar-se com estas opções. Restam indicações de bom senso: não deve deixar as formas perto de fontes de calor e, no forno, há que evitar que toquem nas paredes.

Algumas marcas recomendam que se barre os moldes com manteiga, umas na primeira utilização, outras sempre que se lhes dê uso. Como a gordura facilita a migração de substâncias, é preferível que não use manteiga, mas o referido preparado de farinha, água e óleo.

Para desenformar, evite as facas ou outro utensílio cortante, pois podem danificar o produto.

Por fim, a lavagem. Alguns moldes podem ir à máquina: os modelos indicam, no rótulo, se é possível. Preferindo lavar à mão, não use detergentes agressivos nem esponjas abrasivas. Enquanto não chega a lei, pode precaver-se com estes gestos simples.

 

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