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Decoração de pastelaria: cuidado com a cor

02 maio 2014
decoração de pastelaria

02 maio 2014

Corantes naturais e sintéticos com efeitos prejudiciais para a saúde e rótulos sem uma única palavra em português estão entre os problemas mais comuns.

Com o aproximar de mais um aniversário, muitos pais apostam em bolos elaborados e coloridos que fazem as delícias dos mais novos. Nos últimos anos, a variedade de produtos para decorar pastelaria que chegou ao mercado facilitou a tarefa e ajudou a dar largas à imaginação de uma classe de “pasteleiros domésticos”. Mas há que ter cuidado, pois há perigos escondidos por trás de toda a cor e brilho.

Os corantes alimentares tanto podem ser de origem natural (extraídos de substâncias vegetais, animais ou minerais), como produzidos por síntese. A origem natural não isenta de riscos. Mas são, sem dúvida, os corantes sintéticos que colocam mais problemas e cuja inocuidade toxicológica é mais discutida.

São vários os corantes que devem ser evitados devido aos seus possíveis efeitos secundários desde o potencial alergénico ou cancerígeno a eventuais alterações de comportamento.

Perigos escondidos na cor
As falhas na rotulagem e a presença de corantes potencialmente nocivos são dois problemas que detetámos na nossa análise. Alguns, como a tinta Metallic Red, da Rainbow Dust, concentram vários problemas. Neste caso, não só a embalagem não exibia uma única palavra em português, como o produto incorpora o corante vermelho E 124 (ponceau 4R ou vermelho-de-cochonilha A) e o branco E 171 (dióxido de titânio). O primeiro, de origem sintética, pode desencadear reações alérgicas e tem sido suspeito de conter substâncias potencialmente cancerígenas e ter efeitos negativos na atividade e atenção das crianças. Já o segundo, de origem natural mineral, tem sido relacionado com eventuais efeitos cancerígenos.

Da mesma marca, o Edible Glitter Ocean Blue volta a não apresentar rotulagem em português como não identifica qualquer ingrediente, privando o consumidor do conhecimento sobre os aditivos usados.

O produto Edible Glitter Ocean Blue não apresenta rotulagem em português, nem identifica qualquer ingrediente.
O produto Edible Glitter Ocean Blue não apresenta rotulagem em português, nem identifica qualquer ingrediente.
No caso da pasta de açúcar Sweetarts, a rotulagem não levanta problemas. Mas os aditivos incluídos nas várias cores merecem a nossa atenção. Nas pastas azuis está presente o corante sintético E 131 (azul patenteado V) que se revelou cancerígeno em animais e é desaconselhado para pessoas alérgicas. Já a pasta vermelha tem o já mencionado E 124 e o E 153 (carvão vegetal), um corante negro produzido por combustão de matérias vegetais, onde não está excluída a presença de compostos cancerígenos.
Na pasta de açúcar Sweetarts, não há problemas na rotulagem, mas os aditivos incluídos nas várias cores suscitam atenção.
Na pasta de açúcar Sweetarts, não há problemas na rotulagem, mas os aditivos incluídos nas várias cores suscitam atenção.

No caso da pasta de açúcar da Royalpast é anunciado um cocktail de 10 aditivos - E 102, E 110, E 122, E 124, E 131, E 132, E 133, E 142, E 151 e o E 171 – o que leva a crer que o mesmo rótulo seja utilizado para as diferentes cores da marca.

Entre os aditivos anunciados, o E 102 (tartarazina), o E 110 (amarelo-sol FCF ou amarelo alaranjado S), E 122 (azorubina ou carmosina) e E 151 (negro brilhante BN ou negro PN), todos de origem sintética, estão associados a efeitos secundários como reações alérgicas, eventuais efeitos negativos na atividade e atenção das crianças e suspeita de possíveis resíduos de substâncias cancerígenas. Já o E133 (azul brilhante FCF) pode, em concentrações elevadas, gerar depósitos nos rins e vasos linfáticos, havendo também suspeitas da presença de resíduos de substâncias potencialmente cancerígenas. Também o E 142 (verde S) pode ser nefasto em concentrações elevadas. Entre os possíveis efeitos secundários constam a alteração do património hereditário (confirmado apenas em experiências com bactérias) e eventual presença de substâncias potencialmente cancerígenas.

Cocktail de 10 aditivos anunciado na pasta de açúcar da Royalpast deve ser utilizado para as diferentes cores da marca.
Cocktail de 10 aditivos anunciado na pasta de açúcar da Royalpast deve ser utilizado para as diferentes cores da marca.
Vários produtos da marca Wilton, como o Decorating Icing em rosa ou o Icing Color em christmas red e royal blue, não apresentam rotulagem em português. O primeiro anuncia como corantes o E 122, E 129, e o E 171, cujos principais problemas são as reações alérgicas e eventuais efeitos negativos na atenção e atividade das crianças, além das suspeitas da presença de resíduos de substâncias cancerígenas. Também o Cake Craft azul da Cassie Brown’s não tem rotulagem em português.
Vários produtos da marca Wilton não apresentam rotulagem em português.
Vários produtos da marca Wilton não apresentam rotulagem em português.

Prefira a fruta aos aditivos
Ao verificarmos que, em todos os exemplos selecionados aleatoriamente, os corantes anunciados são passíveis de desencadear efeitos adversos na saúde dos consumidores, aconselhamos que dê largas à imaginação, tentando recorrer o menos possível a produtos como os referidos. Por exemplo, pode utilizar extratos de fruta ou de vegetais como forma de decorar os produtos de pastelaria caseiros.

Ainda não se conhecem todos os efeitos secundários de alguns corantes (vários continuam a ser avaliados) e muito menos da sua mistura. As pessoas alérgicas ou sensíveis devem ter cuidados redobrados. Neste último grupo, incluem-se as crianças que são, com frequência, o alvo principal da utilização de corantes. Dado o seu baixo peso, os mais pequenos correm maior risco de atingir as doses diárias admissíveis.

Na nossa análise à rotulagem, verificámos que as regras nem sempre estão a ser cumpridas, para a necessidade de uma fiscalização rigorosa.


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