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Alimentos passam a ter limites de ácidos gordos trans

A Comissão Europeia impõe o máximo de 2 g de ácidos gordos trans por 100 g de gordura nos alimentos. A gordura trans pode causar doenças cardiovasculares.

  • Dossiê técnico
  • Sofia Mendonça
  • Texto
  • Sofia Frazoa e Laís Castro
27 junho 2019
  • Dossiê técnico
  • Sofia Mendonça
  • Texto
  • Sofia Frazoa e Laís Castro
limite acidos gordos

iStock

A Comissão Europeia adotou um regulamento que estabelece o limite máximo de 2 g de ácidos gordos trans por 100 g de gordura nos alimentos, incluindo os alimentos destinados ao abastecimento do comércio retalhista. Deste limite ficam excluídos os ácidos gordos trans naturalmente presentes em lípidos de origem animal. Os alimentos que não cumpram com o disposto no regulamento podem continuar a ser colocados no mercado até 1 de abril de 2021.

O objetivo da medida é eliminar ou reduzir da alimentação este tipo de gordura existente, por exemplo, em produtos de pastelaria como folhados, bolos, bolachas e biscoitos, minimizando os seus efeitos prejudiciais para a saúde, como as doenças cardiovasculares.

Os ácidos gordos trans, além de aumentarem o “mau” colesterol no sangue, reduzem o nível do “bom” colesterol. Estas gorduras encontram-se naturalmente presentes em alguns alimentos como o leite e a carne. Mas resultam, sobretudo, da hidrogenação dos óleos vegetais, processo através do qual se solidificam as gorduras líquidas. É um processo usado pela indústria alimentar para melhorar a textura dos alimentos (produtos de pastelaria, por exemplo), a conservação e a resistência à oxidação. Estamos perante as gorduras trans quando, na rotulagem, é referido “gordura hidrogenada”.

Ácidos gordos trans: ingira o menos possível

A Organização Mundial da Saúde recomenda, desde 2003, que o consumo de ácidos gordos trans deve representar menos de um por cento do aporte energético total dos alimentos. Alguns países, como a Dinamarca, por exemplo, limitaram a proporção de ácidos gordos trans a dois por cento do total de matérias gordas para todos os alimentos que não sejam produtos lácteos e carnes. Em 2009, um parecer científico da EFSA - Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos concluiu que a ingestão de ácidos gordos trans deve ser tão baixa quanto possível no contexto de uma dieta adequada do ponto de vista nutricional.

A Comissão Europeia adotou, em 2015, um relatório sobre os ácidos gordos trans nos alimentos e no regime alimentar geral da população que refere que as doenças coronárias são a principal causa de morte e que uma elevada ingestão deste tipo de ácidos aumenta significativamente o risco de doenças cardíacas, mais do que qualquer outro nutriente. O relatório concluiu, ainda, que o estabelecimento de um limite legal para os ácidos gordos trans industriais nos alimentos parece ser a medida mais eficaz de proteção dos consumidores em termos de saúde pública.

Em 2018, a Organização Mundial da Saúde apelou à eliminação dos ácidos gordos trans, produzidos industrialmente, do abastecimento alimentar mundial.

Contribuímos, recentemente, para o documento da Reformulação dos Produtos Alimentares da Direção-Geral da Saúde, que levou à assinatura de protocolos com a indústria alimentar e de distribuição para uma alimentação mais saudável, especialmente ao nível da redução dos teores de sal, açúcar e ácidos gordos trans.

Com o novo regulamento, de aplicação direta em todos os estados membros, Portugal (e a Europa) caminham no sentido de limitar a ingestão destas gorduras. Lamentamos que o período de transição - 1 de abril de 2021 - seja longo para permitir o esgotamento de produtos no mercado. 

 

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