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"Superalimentos", o grande mito do marketing

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Nutritivos e saborosos, sem dúvida, os chamados "superalimentos" não são superiores a outros com qualidades idênticas e, por vezes, bem mais baratos. Por exemplo, em vitamina C, 30 gramas de bagas góji equivalem a um quarto de laranja. 

  • Dossiê técnico
  • Dulce Ricardo e Susana Costa Nunes
  • Texto
  • Deonilde Lourenço
31 janeiro 2019
  • Dossiê técnico
  • Dulce Ricardo e Susana Costa Nunes
  • Texto
  • Deonilde Lourenço
superalimentos

iStock

O que é que os “superalimentos” têm? Uma riqueza nutricional admirável. Porém, esta, só por si, não funciona como um escudo contra todos os males, ao contrário do que a publicidade tem levado a acreditar. E há outros alimentos mais baratos que reúnem benefícios idênticos e merecedores de iguais louvores. Selecionámos oito alimentos em voga, desmistificamos as propriedades nutritivas e os efeitos na saúde com base na prova científica, e damos sugestões equivalentes, em geral, muito mais baratas. Mais do que procurar soluções milagrosas, o mais razoável é uma dieta variada que inclua cinco porções diárias de frutas e de legumes.

Indicamos as equivalências alimentares para oito "superalimentos": abacate, açaíbagas de góji, cacauespirulina, gengibre, sementes de chia e sementes de linhaça

Os “superalimentos” acumulam atributos e poderes nutritivos especiais, segundo a sabedoria propagada por especialistas instantâneos nas redes sociais, na internet em geral e nalgumas publicações que se esmeram em títulos apelativos. Elaboram-se listas dos melhores “superalimentos” com intermináveis benefícios e todos, ou quase todos, os nutrientes necessários a uma saúde de ferro. São os antioxidantes, as vitaminas e os minerais. E outros tantos atributos. Não significa que a generalidade dos chamados "superalimentos" não seja saudável e recomendável ou que não contribua para a diversificação alimentar. Mas não são a solução milagrosa publicitada, nem justificam uma ingestão intensiva.  

Ciência, medicina e lei concordam: o conceito de “superalimento” não tem definição. A designação é uma obra de puro marketing, que tem mais de lenda do que de realidade. E, à medida que os anos passam, os nomes debaixo do chapéu das qualidades extraordinárias vão sofrendo alterações. O conhecimento científico avança e a situação altera-se. O óleo de coco, por exemplo, perdeu pontos quando se verificou que o elevado teor em gordura saturada aconselhava a moderação. E a popularidade nem sempre beneficia os povos nativos. A procura da quinoa, por exemplo, fez subir o preço, dificultando o acesso daqueles a um alimento de base.

 

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