Notícias

Disney+ chega a Portugal, mas não derruba Netflix

A Disney já tem um serviço de streaming de vídeo, juntando-se à Amazon Prime Video, à Apple TV+, à HBO e à Netflix. O catálogo conta com muitos títulos de peso, e o preço, de 6,99 euros mensais, não é elevado. Mas ainda não chega para destronar a Netflix.

  • Dossiê técnico
  • António Alves e José Almeida
  • Texto
  • Inês Lourinho
16 dezembro 2020
  • Dossiê técnico
  • António Alves e José Almeida
  • Texto
  • Inês Lourinho
Mão a segurar num telecomando e a operar um televisor inteligente, montado na parede junto a uma janela, com diversas aplicações no ecrã, destacando-se a da Disney+

iStock

Em setembro, a Disney+ fez a sua estreia num campo de batalha nitidamente dominado pela Netflix. No nosso último teste comparativo, esta apresentava o melhor serviço, sendo que, dos três planos disponíveis, o Standard, a 10,99 euros por mês, com vídeos em resolução full-HD e dois acessos simultâneos, era o mais equilibrado entre competência e custo. Um pouco mais abaixo em termos de qualidade, mas, ainda assim, interessante, a Amazon Prime Vídeo, apenas com um plano, praticava um preço mais reduzido: 5,99 euros.

Foi com estes adversários diretos que o serviço Disney+ veio concorrer. Trouxe títulos de peso na bagagem, como todos os conteúdos da Disney, Pixar, Marvel, Star Wars e National Geographic, alguns dois quais chegaram a integrar o catálogo da Netflix nos primeiros tempos. Agora em serviço autónomo, custam 6,99 euros ao mês. Mas continua a ser pouco para a Disney+ assumir a liderança.

Netflix continua a ter o melhor serviço de streaming

A Netflix é imbatível no catálogo, deixando a concorrência à distância em número de títulos, mas também na facilidade da navegação, na localização e no sistema de recomendação de conteúdos, ainda que muita da legendagem e dobragem esteja em português do Brasil, e nem sempre tenha qualidade irrepreensível.

Mas destaca-se claramente na compatibilidade. Por outras palavras, a app do serviço pode ser descarregada para vários aparelhos além do telemóvel, do tablet e do computador, como algumas caixas descodificadoras de operadoras de televisão, todas as plataformas de smartTV mais recentes, consolas de jogos modernas e muitos leitores multimédia. Mais: já vários fabricantes se renderam à popularidade do serviço e incluem no telecomando um botão dedicado à Netflix. É só carregar e aceder.

Também a gestão da conta e o acesso às definições são muito simples. Existem ainda opções de gestão de dados móveis, importantes neste tipo de serviços. Embora nem todos os títulos possam ser descarregados para ver offline, é possível escolher o nível de qualidade dos vídeos e, logo, o volume de dados gastos. Existe ainda a hipótese de guardar os vídeos transferidos na memória interna ou no cartão de memória.

Disney+ com catálogo modesto e sem período experimental grátis

Pode trazer no enxoval os heróis da Marvel ou da saga Star Wars, que fidelizam pais e filhos, mas o catálogo da Disney+ fica alguns furos abaixo do proporcionado pela Netflix. Enquanto esta proporciona mais de mil séries, a Disney+ fica-se pelas 170. O número de documentários é também extremamente reduzido: 50 contra mais de 600 na rival. Idem para os filmes, que são de 680 na Disney+, face a mais de 1500 na Netflix.

A Disney+ procura compensar com um preço mensal mais baixo (6,99 euros) e que inclui benefícios extra, como a possibilidade de associar dez equipamentos, ainda que apenas quatro possam aceder em simultâneo. A resolução máxima dos conteúdos é de 4K, com otimização de contrastes (HDR).

O novo serviço também aposta na compatibilidade. Além de correr no browser e de prever uma app para smartphone e tablet (Android e iOS), é possível aceder diretamente em algumas plataformas de smartTV (Android TV; Tizen, da Samsung; e WebOS, da LG), consolas de jogos (várias versões da Microsoft Xbox One e novas Series S e X, assim como Sony PS4 e PS5) e leitores multimédia com sistema operativo Android TV, Apple TV e Amazon Fire TV. É ainda compatível com as tecnologias Cast e AirPlay, que facilitam a partilha de conteúdos a partir de telemóveis e tablets Android e iOS, respetivamente.

A gestão do consumo de dados é outro ponto a favor. Todos os serviços, e o Disney+ não é exceção, permitem a ligação a uma rede wi-fi para descarregar títulos e visualizar mais tarde, de modo a não gastar dados móveis. Também dão a possibilidade de escolher um nível mais baixo de resolução dos conteúdos, se a visualização for feita a partir dos dados móveis, e de bloqueá-los por completo. Mas, aqui, a Netflix perde para a Disney+, que deixa o utilizador descarregar todos os vídeos, e não apenas alguns.

O calcanhar de Aquiles é a ausência de período experimental gratuito. Pelo menos, na altura em que efetuámos a nossa análise, este não existia. A fase de experiência é muito importante, pois permite um primeiro contacto, sem encargos, para verificar a usabilidade, a qualidade de reprodução, a compatibilidade com os equipamentos e, sobretudo, o catálogo de conteúdos.

Como é evidente, a escolha de um serviço de streaming depende bastante do gosto pelo catálogo. A nossa avaliação incide sobre a quantidade de títulos, e não sobre a sua qualidade, aspeto extremamente subjetivo. Mas existem outros critérios que pesam na escolha, como a resolução e a qualidade da imagem, a facilidade de navegar e localizar vídeos, a quantidade de aparelhos e acessos simultâneos e a gestão dos dados móveis. E, tudo pesado, a Netflix continua a ser o melhor serviço, ainda que o plano mais completo, que permite o acesso a vídeos 4K (HDR, em alguns casos) e quatro acessos simultâneos, seja algo dispendioso: 13,99 euros mensais. Por isso, o plano Standard, a 10,99 euros mensais, acaba por ser o mais equilibrado. E já sabe: tem 30 dias para experimentar e, se não gostar, desistir.

Junte-se à maior organização de consumidores portuguesa

Num Mundo complexo e com informação por vezes contraditória, a DECO PROTESTE é o sítio certo para refletir e agir.

  • A nossa missão exige independência face aos poderes políticos e económicos. 
  • Testamos e analisamos uma grande variedade de produtos para garantir que a escolha dos consumidores se baseia em informação rigorosa. 
  • Tornamos o dia-a-dia dos consumidores mais fácil e seguro. Desde uma simples viagem de elevador ou um desconto que usamos todos os dias até decisões tão importantes como a compra de casa.
  • Lutamos por práticas de mercado mais justas. Muitas vezes, o País muda com o trabalho que fazemos junto das autoridades e das empresas. 
  • Queremos consumidores mais informados, participativos e exigentes, através da informação que publicamos ou de um contacto personalizado com o nosso serviço de apoio.

A independência da DECO PROTESTE é garantida pela sustentabilidade económica da sua atividade. Manter esta estrutura profissional a funcionar para levar até si um serviço de qualidade exige uma vasta equipa especializada.

Faça parte desta comunidade.

Registe-se para conhecer todas as vantagens, sem compromisso. Subscreva a qualquer momento.

Junte-se a nós

 

O conteúdo deste artigo pode ser reproduzido para fins não-comerciais com o consentimento expresso da DECO PROTESTE, com indicação da fonte e ligação para esta página. Ver Termos e Condições.