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Apps de videoconferência ainda têm problemas de segurança

Se a ligação à net for rápida, a qualidade do vídeo e do áudio não desilude. Sendo lenta, a imagem é muito penalizada, mas o som também se ressente. Mais: algumas apps ainda usam medidas de proteção dos dados pouco eficazes.

  • Dossiê técnico
  • Pedro Mendes e Sofia Costa
  • Texto
  • Inês Lourinho
18 setembro 2020
  • Dossiê técnico
  • Pedro Mendes e Sofia Costa
  • Texto
  • Inês Lourinho
Mulher a trabalhar num computador e a assistir a uma videoconferência, com o frasco de álcool-gel em cima da mesa

iStock

Neste 2020 esculpido pela pandemia, a distância é território de contradições. Estamos afastados, mas nem por isso tão distantes que não possamos estar unidos. Enquanto o local de trabalho for, para muitos, a sala, o quarto ou qualquer outro canto da casa, as aplicações de videoconferência serão o elo de ligação ao escritório. E funcionam, ainda que a eficácia muito dependa da ligação wi-fi.

Testámos a versão grátis de 10 aplicações de videoconferência. Embora a qualidade da transmissão seja o aspeto mais importante, quase todas oferecem bastantes funções, que facilitam a utilização. Gravar reuniões, partilhar o ecrã, documentos ou até vídeos, enviar ficheiros para um serviço de armazenamento na cloud ou fazer a gestão do calendário são algumas.

Mas ainda temos questões de segurança a assinalar. Se a Zoom fez manchetes no início da pandemia, por revelar vulnerabilidades, problema que entretanto foi resolvido, a Bitrix24, a Discord, a Google Meet e a Slack ainda recorrem a medidas de proteção dos dados pouco eficazes.

Net lenta prejudica a imagem na videoconferência

Para analisarmos a qualidade da transmissão, usámos três computadores portáteis, ligados à internet por cabo ethernet, e dois smartphones, um conectado através de wi-fi e outro de uma rede celular (LTE). Durante os testes, garantimos que a ligação à net se mantinha estável. Para os resultados serem comparáveis, analisámos todas as apps com o mesmo excerto de vídeo que simulava uma reunião. Verificámos a qualidade da imagem e do som com ligação à net rápida e lenta, mas também a eficácia a reduzir os ruídos de fundo.

Com net rápida, todas as apps conseguiram transmitir um discurso claro e sem interrupções. Já a imagem revelou menos resolução na Cisco Webex Meetings e, na GoToMeeting, sofreu interferências. Com a ligação lenta, todas se ressentiram, sobretudo na imagem, que oscilou entre o mau e o medíocre. 

Quanto aos ruídos de fundo, nem todas as apps conseguiram anular o som do teclado ou de uma ventoinha. Portanto, se quiser continuar a escrever, tenha o cuidado de desligar o microfone da reunião enquanto não estiver a intervir.

Proteção dos dados nem sempre rigorosa

As questões de segurança estão sempre na ordem do dia, e a Zoom fez notícia no início da pandemia, pelas razões erradas. Tal como outras apps, permite que os participantes numa reunião convidem terceiros. Acontece que estes convidados tinham como digitar endereços maliciosos, onde os participantes podiam clicar, infetando o seu computador. O problema foi resolvido, e a Zoom está agora entre as apps mais rigorosas. Mas observámos falhas na concorrência.

Investigámos o tipo de password exigida, a proteção contra ataques informáticos e o protocolo de encriptação. E procurámos eventuais medidas de segurança adicionais usadas pelas apps. Muitos dos serviços (Bitrix24, Discord, Jitsi, GoToMeeting, Skype e Google Meet) ainda recorrem a protocolos de encriptação antigos. Além disso, com a exceção da Google Meet, não dão indicação da força da palavra-chave. Mais: na Bitrix24 e na Discord, ainda que a autenticação seja feita a vários níveis (por exemplo, fazendo depender o registo de utilizadores do registo prévio de uma empresa), é possível escolher uma combinação tão trivial como “123456”. Sem surpresa, estas foram as apps com pior nota na segurança.

Microsoft Teams e Zoom são as apps mais versáteis

Se no passado as reuniões à distância eram coisa do Skype, nos últimos tempos, a oferta de apps tem aumentado em força, com a pandemia a fazer disparar o número de utilizadores. A qualidade da transmissão é o principal fator de escolha. Mas, quando a concorrência é feroz, não basta, e a paleta de extras pode decidir.

O número de participantes em simultâneo é um aspeto importante. Uma app que admita 50 ou mais utilizadores é suficiente. A Slack não será a melhor opção: na versão grátis, só permite a conversação de duas pessoas. Outro fator a considerar é a duração máxima da reunião. A Cisco Webex Meetings aceita até 24 horas, enquanto a Zoom, no plano grátis, restringe a videoconferência a 40 minutos, se houver três ou mais participantes. As restantes não impõem limites. Veja ainda se é possível convidar participantes para uma reunião sem que tenham de instalar a aplicação. Neste caso, o acesso é feito através do browser.

As funções são mais uma ferramenta para diferenciar as apps. Eis algumas que podem interessar. A Cisco Webex Meetings, a Skype e a Microsoft Teams dão a possibilidade de fazer telefonemas, mas, no último caso, apenas mediante licença especial.

A Jistsi permite ajustar a qualidade do vídeo, partilhar vários ecrãs em simultâneo e, se for instalado um plugin da Google (Speech To Text, grátis até 60 minutos de conversação), converter voz em legendas.

A Discord, destinada sobretudo aos gamers, faz a integração com muitos jogos, a transmissão ao vivo (live streaming) e a ligação a comunidades de utilizadores. Faz ainda a gravação de ficheiros num canal específico, mas que é diferente de um serviço de cloud tradicional. O mesmo vale para a Skype.

Já a Microsoft Teams oferece vários fundos, para que o participante mantenha a privacidade sobre o ambiente em que está a trabalhar: pode ser interessante para quem está em casa. Também converte voz em legendas, e legendas em voz, mas apenas no caso da língua inglesa. E permite associar um serviço de cloud. Tal como a Slack, a Teams dá a possibilidade de integrar aplicações de escritório, como as que fazem parte do pacote do Office. Por exemplo, é possível gerir o calendário do Outlook por esta via. Mas, no caso da Slack, a integração só é possível com a instalação de extensões, disponíveis na respetiva loja de apps.

A mesma lógica segue a Zoom, cujas funções podem ser ampliadas com extensões a descarregar na loja de apps. Também nesta app é possível escolher um fundo, ajustar a qualidade do vídeo e partilhar vários ecrãs em simultâneo. Cereja em cima do bolo: vídeos guardados em serviços de cloud como Dropbox, OneDrive, Google Drive e Box podem ser reproduzidos durante uma reunião sob os auspícios da Zoom.

Tudo somado e subtraído, a Microsoft Teams e a Zoom são as apps mais versáteis, e a Google Meet e a Slack, as mais limitadas.

As apps de videoconferência são compatíveis com os principais sistemas operativos e plataformas: Windows ou Mac, para computador, e Android ou iOS, para smartphone ou tablet. Mas, apesar de a universalidade estar garantida, podem existir diferenças entre versões. Por exemplo, a Bitrix24 tem mais funções na app para o browser. Só nesta versão, entre outros, é possível partilhar o ecrã.

Uso diário bastante intuitivo

Num escritório físico, as reuniões sucedem-se a passo rápido, por vezes, até de corrida. Como tal, é de esperar que os substitutos virtuais sejam de uso intuitivo. Investigámos, assim, dois aspetos relacionados com a utilização. De um lado, detivemo-nos na instalação e nas funções de ajuda, que agregámos no critério “facilidade de utilização”. De outro, analisámos tarefas como iniciar e participar numa reunião, transformar uma chamada com dois participantes numa conversa de grupo, partilhar o ecrã ou documentos, digitar texto na caixa de diálogo (chat), gerir o calendário e alterar as fontes de áudio. Avaliámos estas tarefas no critério “uso diário”.

A Cisco Webex Meetings, a Google Meet e a Jitsi são as apps mais amigáveis na configuração do áudio e da câmara de vídeo. A Zoom destacou-se na facilidade de organizar uma reunião. Converter uma conversa de duas pessoas numa versão de grupo é simples em todas as apps, menos na Bitrix24. Já a partilha de ecrãs reuniu o pleno, e correu bem em todos os casos. Idem para o sistema de partilha de documentos, ainda que o processo seja mais fácil na Bitrix24, na Discord, na Microsoft Teams e na Zoom. A última é também a que permite a mais fácil gestão do calendário. E terminámos da melhor forma: alterar a fonte de áudio é coisa simples em todas as plataformas.

Expandir o ecrã facilita utilização

Quanto mais generoso for o ecrã, mais confortável será a utilização. Um computador é sempre mais conveniente do que um smartphone. E ainda é possível expandir-lhe as dimensões. Por exemplo, se trabalhar num portátil e lhe puder conectar um televisor LCD, de diagonal não superior a 32 polegadas, para a distância entre os dois aparelhos não exceder os 60 centímetros, melhor ainda.

Um cabo HDMI é o meio mais rápido e eficaz para fazer a ligação. Conectado o cabo, só é preciso garantir algumas definições. Por exemplo, terá de ajustar a resolução do televisor. Vá a Configurações > Sistema > Ecrã > Configurações de vídeo avançadas. Configure o Display 2, que é o televisor. Pode expandir ou duplicar os ecrãs, ou usar apenas um deles. A primeira opção é a mais aconselhável.

Convém ainda alterar o modo de imagem. Os modos usados para ver televisão, como o Standard ou o Vívido, proporcionam uma imagem de pior qualidade quando é conectado um computador. Para uma visualização equilibrada, é preferível trocar para o modo de Jogo, Filme ou PC. Os nomes variam consoante o televisor.

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