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Como comprar medicamentos online em segurança

A compra de medicamentos através da internet deve ser feita em sites autorizados. Saiba como confirmar se o produto que pretende comprar online é legal.

  • Dossiê técnico
  • Susana Santos
  • Texto
  • Bruno Miguel Dias e Alda Mota
24 fevereiro 2021
  • Dossiê técnico
  • Susana Santos
  • Texto
  • Bruno Miguel Dias e Alda Mota
Comprar medicamentos online

iStock

Há portugueses a comprar, através da internet, medicamentos falsos para dores, disfunção erétil ou para emagrecer, mas também para doenças graves como tuberculose e cancro. Os medicamentos para a disfunção erétil e para o sistema nervoso são as classes de medicamentos mais compradas online. Há também notícia de pessoas levadas a encomendar vacinas, por exemplo, contra a covid-19, mas tal é burla, pois a vacina contra a covid-19 é gratuita e não está disponível na internet.

Comprar medicamentos pela internet em sites não autorizados pode ser perigoso, porque estes podem:

  • ser falsos;
  • ter a composição alterada (outra substância ativa ou em quantidade insuficiente);
  • conter ingredientes tóxicos;
  • estar fora do prazo;
  • ter sido transportados sem precauções, o que pode afetar a qualidade.

Como consequência, é possível que não produzam o efeito pretendido ou causem efeitos secundários inesperados. Para combater este risco para a saúde pública, o projeto Fakeshare identifica e denuncia as páginas de internet que vendem medicamentos ilegais e/ou falsos. A página do projeto está aberta a qualquer cidadão para consulta e para denúncias. Lá, pode confirmar se o produto que pretende comprar é legal.

A diretiva europeia sobre medicamentos contrafeitos, que acompanhámos de perto desde 2008, também endureceu as suas medidas: mais controlo e inspeção aos produtores de princípios ativos, assim como mais exigências aos distribuidores para um registo mais apertado das suas atividades.

Medicamentos: arriscar não compensa

Os consumidores encontram algumas vantagens em comprar online, porque é mais cómodo, pode não exigir receita médica ou parecer mais barato. O nosso conselho: o melhor é comprar só em sites autorizados. Verifique a legalidade destes no Infarmed ou em Fakeshare.

Os sites não autorizados vendem medicamentos sem que haja a intervenção de um profissional de saúde, sem conhecerem a história clínica ou a existência de outras doenças e, por vezes, com uma composição diferente da alegada, aumentando o risco para quem os toma. O medicamento encomendado pode não ser enviado ou ficar retido na alfândega e alguns sites não garantem a confidencialidade dos dados pessoais.

Comprar online e em segurança

Desde 1 de julho de 2015, há um logótipo que identifica as farmácias online seguras, com um link para a autoridade competente do Estado-membro onde se encontra registado o site. Por exemplo, se a farmácia estiver registada em Portugal, o link leva-o ao site do Infarmed.

 
Se, ao clicar no logótipo, o consumidor for reencaminhado para o site do Infarmed, significa que a farmácia está registada em Portugal.

Ao clicar no logótipo deverá ser reencaminhado para a lista de entidades licenciadas para a venda de medicamentos online, onde pode confirmar se a entidade em questão se encontra licenciada.

Suspeite do site quando:

  • não tem contactos telefónicos;
  • pratica preços muito mais baixos do que a concorrência;
  • vende medicamentos sem a necessária prescrição médica, o que é ilegal;
  • troca os pedidos.

Medicamento contrafeito, o que é?

Para a Organização Mundial da Saúde, um medicamento contrafeito é toda a imitação de produtos de marca ou genérico, produzida fora do laboratório original, sem autorização. 

Em muitos casos, não são necessárias análises para identificar a fraude: basta a inspeção visual. As embalagens defeituosas e os rótulos mal impressos, por exemplo, são indício de falsificação.

Prefira os sites que disponibilizam o contacto de profissionais para questões.

Não forneça dados pessoais, como números de Segurança Social, cartão de crédito ou a sua história clínica.

Caso viaje, leve uma quantidade suficiente dos medicamentos que costuma tomar e alguns para problemas comuns, como analgésicos. Em especial para um país em vias de desenvolvimento, como Angola, Índia ou Tailândia.

Se precisar de adquirir medicamentos nestes países, recorra a farmácias licenciadas. Não o faça em mercados ou na rua.

Aceite apenas medicamentos que lhe pareçam bem embalados. A má qualidade de impressão dos rótulos e embalagens em mau estado são indício de falsificação.

Como verificar a autenticidade dos medicamentos?

Os medicamentos sujeitos a receita médica têm de apresentar um código de barras 2D e um dispositivo de prevenção de adulterações na caixa dos medicamentos, e as farmácias devem verificar a autenticidade dos medicamentos antes de os darem aos doentes. O modelo, associado a um sistema online de verificação, permite aos Estados-membros da União Europeia rastrear melhor os diferentes medicamentos, em especial se algum suscitar preocupações, evitando assim a sua contrafação.

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Exemplo de medicamento sujeito a receita médica com código de barras 2D que pretende travar falsificação.
 

Estas regras visam reforçar a segurança dos doentes e pôr um travão à comercialização de medicamentos falsificados. As medidas introduzidas resultam da aplicação de uma diretiva europeia de 2011 sobre medicamentos falsificados.

Há regras pormenorizadas para os dispositivos de segurança que deverão figurar nas embalagens: são definidas as características e especificações técnicas do identificador único, que deverá conter o código do produto, o número de série, o lote, o prazo de validade e o número de registo. 

Estas ferramentas pretendem facilitar a verificação da autenticidade por parte dos hospitais e das farmácias, possibilitando aos consumidores o acesso a medicamentos legais ao comprarem-nos em farmácias devidamente licenciadas.

A Comissão Europeia considera os medicamentos falsos uma ameaça grave para a saúde pública na Europa, e a Organização Mundial da Saúde estima que um em cada dez medicamentos seja falso, nos países com rendimentos médio-baixos.

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