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Cigarros eletrónicos são seguros?

A Direção-Geral da Saúde desaconselha o uso de e-cigarros, por suspeitas de estar associado ao desenvolvimento de doenças pulmonares graves ou mesmo fatais.

  • Dossiê técnico
  • Susana Santos
  • Texto
  • Sofia Frazoa e Fátima Ramos
06 dezembro 2019
  • Dossiê técnico
  • Susana Santos
  • Texto
  • Sofia Frazoa e Fátima Ramos
Thumb_cigarros eletronicos

iStock

Nos Estados Unidos, já foram reportados ao Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) 48 mortes e 2291 casos de doença respiratória grave possivelmente associados ao uso de cigarros eletrónicos.

Apesar de variável, a doença tem algumas caraterísticas comuns nos casos relatados, nomeadamente, febre, fadiga ou dor abdominal, sintomas respiratórios (tosse, falta de ar, dor no peito) e gastrointestinais (náuseas, vómitos ou diarreia).

As autoridades norte-americanas estão a investigar a eventual relação causal entre os casos relatados e o uso dos e-cigarros, bem como as substâncias envolvidas.  O acetato de vitamina E, o canabidiol e outros derivados de canábis parecem ser substâncias associadas às lesões pulmonares descritas.

Conselhos para defender a saúde respiratória

Até à data não há casos reportados em Portugal, no entanto, perante estes números, a Direção-Geral da Saúde (DGS) e o Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) consideram não haver cigarros eletrónicos nem tabaco aquecido seguros, pelo que desaconselham a sua utilização, com particular destaque para os que contêm líquidos com canabidiol e outros derivados de canábis, acetato de vitamina E e diacetil. Eis as recomendações destas entidades:

  • os cigarros eletrónicos, com ou sem nicotina, nunca devem ser usados, sobretudo por jovens, jovens adultos ou grávidas;
  • os consumidores de cigarros eletrónicos não devem modificar os líquidos para cigarro eletrónico legalmente comercializados e devidamente rotulados pelo fabricante;
  • não se deve recorrer a líquidos ou produtos comprados fora dos circuitos legais de comercialização, incluindo através da Internet;
  • as instruções de uso e contraindicações que, obrigatoriamente, acompanham os cigarros eletrónicos devem ser observadas e os dispositivos devem ser mantidos fora do alcance das crianças;
  • os consumidores de cigarros eletrónicos devem procurar um médico se tiverem tosse, falta de ar, dor no peito, febre, calafrios, náuseas, vómitos, dor abdominal ou diarreia. Os sintomas podem desenvolver-se durante alguns dias ou várias semanas;
  • os adultos que usam cigarros eletrónicos para deixar de fumar devem avaliar todos os riscos e benefícios desta alternativa e considerar a utilização de terapêuticas de substituição de nicotina aprovadas pelo Infarmed, ou procurar apoio do médico ou numa consulta de apoio à cessação tabágica.
Os cigarros eletrónicos ou e-cigarros podem ser menos nefastos do que o tabaco tradicional, mas não são inócuos.

 

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