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Saúde oral: 35% não lavam os dentes duas vezes por dia

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São sobretudo os homens e os participantes com baixo nível de escolaridade quem mais desrespeita as recomendações. Mas a prevenção, comprova o nosso inquérito, contribui para a saúde oral e evita algumas idas ao dentista.

  • Dossiê técnico
  • Bruno Carvalho e Susana Santos
  • Texto
  • Inês Lourinho
26 março 2019 Exclusivo
  • Dossiê técnico
  • Bruno Carvalho e Susana Santos
  • Texto
  • Inês Lourinho
saude oral

iStock

São 20 ou 32, conforme a fase da vida, metade em cada maxilar. Mas, em qualquer dos casos, têm superpoderes, como cortar, rasgar e moer os alimentos. Os dentes dizem muito sobre quem somos e de onde vimos. Características como a forma dos incisivos, o número e o contorno dos sulcos à superfície dos molares e a presença ou ausência de dentes do siso permitem identificar populações e as épocas em que viveram.

Estas características têm variado ao longo da evolução da nossa espécie, consoante as necessidades relacionadas com a dieta e a mastigação. E, a este respeito, o advento do fogo foi decisivo. Os humanos passaram a cozinhar os alimentos e deixaram de despender horas a mastigar peças cruas, tarefas em que os molares e, em especial, os sisos, assim como maxilares poderosos, eram uma mais-valia. Com o passar de gerações, estas ferramentas foram minguando em importância e dimensões, pelo que os sisos têm agora pouco espaço para se desenvolverem sem perturbarem os vizinhos, até porque, graças aos cuidados orais, perdemos menos dentes. Além disso, por serem de acesso mais difícil, os sisos envolvem uma escovagem menos eficaz, o que propicia o aparecimento de inflamações nos tecidos moles à sua volta e, claro, de cáries. Por vezes, é preferível extraí-los, mesmo porque alguns nem chegam a despontar.

Mas a dentição está longe de ser apenas uma máquina de processar alimentos. Existe toda uma componente estética e social: o sorriso é o nosso cartão de visita. E há que cuidar dele. A estratégia não tem nada que saber: além de uma dieta equilibrada, lavar os dentes, pelo menos, duas vezes por dia. Não fumar nem abusar de alguns alimentos, como café e chá preto, também ajuda. A prevenção, diz o nosso inquérito a 731 portugueses, realizado em setembro de 2018, tem um impacto muito positivo na saúde oral e contribui para evitar males maiores. Não significa que as idas ao dentista possam ser dispensadas. Uma vez a cada ano é a recomendação. Porém, apenas metade dos inquiridos cumpre. A maioria diz que não vai ao dentista por ser caro. E, dos que o fizeram, só 6% conseguiram vaga no público.

Independentemente de muitos dos que recorreram ao privado poderem encontrar-se abrangidos por seguros de saúde suportados pela entidade patronal, os cuidados de saúde oral continuam a ser uma das falhas mais graves do Serviço Nacional de Saúde, apesar de experiências positivas como o cheque-dentista. É certo que este pretende chegar aos mais vulneráveis, caso de crianças e jovens, grávidas, idosos e portadores de VIH/sida. No entanto, o sistema deveria prever consultas de acesso facilitado a qualquer cidadão: o estudo também prova que os mais carenciados têm uma saúde oral mais deficiente.

Conheça os resultados do nosso inquérito, ponderados segundo critérios de género, idade, nível educacional e distribuição geográfica, que incluiu participantes entre os 18 e os 74 anos. As respostas refletem as suas experiências.

 

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