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Portugueses pouco confiantes na resposta do SNS ao coronavírus

Apenas um quarto dos portugueses considera que o Serviço Nacional de Saúde tem capacidade de resposta em caso de grande aumento do número de infetados pelo novo coronavírus. Em contrapartida, a maioria admite não seguir à risca as recomendações das autoridades.

  • Dossiê técnico
  • Carlos Morgado
  • Texto
  • Fátima Ramos
11 março 2020
  • Dossiê técnico
  • Carlos Morgado
  • Texto
  • Fátima Ramos
mão segura frasco de laboratório com a palavra coronavírus com o globo terrestre ao fundo

iStock

Segundo o nosso inquérito, 51% dos portugueses pensam que o Serviço Nacional de Saúde não está bem preparado para responder a um grande aumento de infetados pelo novo coronavírus e apenas 40% têm alguma confiança nas autoridades para controlar eficazmente a propagação deste vírus.

A maioria dos inquiridos considera ter, pelo menos, a informação mínima sobre o novo coronavírus. Em Lisboa e Porto, a percentagem de pessoas que se considera bem informada (37% e 35%, respetivamente) é ligeiramente mais alta do que no resto do País (32 por cento).

Quase 60% consideram adequada a comunicação que tem sido feita pelos órgãos do Governo sobre o assunto, mas um terço pensa que tem sido demasiado tranquilizadora, subestimando o problema. Relativamente aos meios de comunicação social, os inquiridos são mais críticos: 62%  classificam-nos alarmistas e apenas 31% avaliam a informação divulgada como adequada à dimensão do problema.

Como previnem a covid-19?

Sete em cada 10 inquiridos afirmam ter receio de ser contaminados, mas só 38% dizem seguir à risca as recomendações da Direção-Geral da Saúde com vista à prevenção do contágio. Estas recomendações aplicam-se a toda a população e devem ser levadas a sério: além da possibilidade de contrair a infeção, todos podemos ser agentes de contágio, por exemplo, transportando o vírus nas mãos.

Os participantes com mais de 50 anos e maior nível de educação são os mais respeitadores. Já os homens entre os 29 e os 50 anos mostram-se os menos cuidadosos. Pouco mais de metade (53%) dos portugueses alteraram alguns hábitos diários por receio da contaminação, como evitar zonas com muita gente, viagens e transportes públicos. Um em cada 10 inquiridos revelou ainda ter aumentado os stocks de comida e água em casa. No geral, os lisboetas tendem a adotar mais medidas preventivas.

Às medidas gerais de prevenção, 38% dos portugueses juntam a compra de produtos para proteção, como desinfetantes para as mãos, máscaras e luvas, gastando uma média de 20 euros (7% indicaram ter gastado mais de 50 euros). Estes custos são desnecessários, de acordo com as recomendações da Direção-Geral da Saúde e das organizações de saúde internacionais: lavar bem as mãos com água e sabão é suficiente e o uso de máscara só é aconselhável para pessoas que já estejam infetadas e para quem delas cuida.

Impacto do coronavírus no quotidiano 

A maioria dos inquiridos está convencida de que a “crise do coronavírus” irá causar grandes danos na economia nacional. Já ao nível pessoal, 30% referem implicações na vida social e 27% indicam algum impacto negativo no orçamento familiar. Este deve-se, por exemplo, a perda de rendimentos ou ao cancelamento de viagens, eventos ou reservas de alojamento para férias sem reembolso. 

O que dizem os portugueses? 

Concorda que o Serviço Nacional de Saúde está bem preparado para responder a um grande aumento de infetados por coronavírus?

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Concorda com a afirmação "confio nas autoridades para controlar eficazmente a propagação do coronavírus"?

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 Comprou produtos específicos para prevenir a infeção?

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Como fizemos o estudo

Para este estudo, entre 5 e 9 de março, enviámos um questionário online a uma amostra da população adulta portuguesa. No total, recebemos 1006 respostas, que foram ponderadas pelas variáveis sexo, idade, região e nível educacional, por forma a refletirem a realidade nacional.

 

 

 

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