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Máscaras caseiras para proteger de coronavírus podem aumentar o risco

A falta de máscaras à venda aguçou o engenho e surgiram soluções caseiras. Mas estas alternativas ainda não deram provas da sua eficácia. O perigo de contrair covid-19 pode até ser maior.

  • Dossiê técnico
  • Susana Santos
  • Texto
  • Deonilde Lourenço
24 março 2020
  • Dossiê técnico
  • Susana Santos
  • Texto
  • Deonilde Lourenço
Máscaras de tecido caseiras

iStock

Quando o stock de máscaras acabou nas farmácias e nas lojas, houve quem pusesse mãos à obra e começasse a fazê-las em casa com tecido, filtros de café e até papel de cozinha. O mundo virtual encheu-se de vídeos a mostrar a criatividade humana, numa altura em que a pandemia causada pela covid-19 ainda dá poucos sinais de abrandamento. Mas os perigos destas máscaras, algumas das quais à venda online, superam os possíveis benefícios.

As máscaras, tal como as luvas, criam uma falsa sensação de segurança nas pessoas saudáveis, levando-as a descurar outras medidas de higiene. Além disso, o uso incorreto fomenta um maior risco de contágio, uma vez que se tende a mexer mais no rosto e nos olhos, aumentando a probabilidade de infeção.

Um estudo publicado na BMJ Open, revista inglesa de divulgação científica na área da medicina clínica, saúde pública e epidemiologia, prova que as máscaras de tecido não são eficazes na prevenção de infeções respiratórias. O estudo, de 2011, realizado com profissionais de saúde, concluiu que a retenção de humidade, a reutilização de máscaras de tecido e a filtragem insuficiente podem aumentar o risco de infeção. Os casos de infeção foram significativamente superiores nos profissionais com máscaras de tecido. Outras investigações têm questionado o uso deste tipo de máscaras. A própria Direção-Geral da Saúde (DGS) refere que são de evitar, uma vez que podem acumular resíduos ou até partículas infecciosas, fazendo com que o risco de disseminação do vírus aumente.

Distanciamento social mais eficaz do que máscaras

Profissionais de saúde, que lidam diretamente com doentes com covid-19, pessoas comprovadamente infetadas e suspeitos são os três grupos aos quais se aconselham máscaras. E porquê? A Organização Mundial de Saúde (OMS) justificou não haver evidência da sua utilidade na proteção de quem não está infetado. Graça Freitas, da DGS, faz eco deste posicionamento e tem afirmado que o mais seguro é o "distanciamento social", tal como abster-se de tocar na boca e no nariz.  

As máscaras cirúrgicas são essencialmente recomendadas como medida de prevenção para limitar o contágio, dado evitarem a disseminação do vírus por pessoas infetadas. São aconselhadas em doentes ou em casos suspeitos. Além disso, como já referiu a OMS, usar máscaras sem indicação gera custos desnecessários, o aumento da procura e cria uma falsa sensação de segurança, que pode levar a negligenciar outras medidas essenciais, como a lavagem das mãos. E basta uma máscara mal colocada para comprometer a eficácia na redução do risco de transmissão. 

Nos países asiáticos usaram máscara... e funcionou

Porquê? Nos países da Ásia Oriental, usar máscara é um hábito enraizado e a colocação correta está assegurada. No combate ao coronavírus, toda a população aderiu às máscaras, impedindo que doentes sem sintomas fossem agentes de contaminação. Porém, esta foi apenas uma das medidas que contribuiu para a limitação do alastramento da doença. A quarentena obrigatória, o fecho de fronteiras e o isolamento social desempenharam um papel importante. Nos países ocidentais, a máscara só seria benéfica se a utilização fosse massificada, uma vez que as pessoas infetadas, mas assintomáticas, não transmitiriam o vírus.

Onde depositar as máscaras?

As máscaras, bem como as luvas, não são reutilizáveis, mas não devem ser abandonadas no chão, tal como alguns relatos têm denunciado. Como se trata de material potencialmente contaminado, o gesto absolutamente necessário é colocá-lo num saco de plástico fechado que, por sua vez, deve ser depositado no lixo indiferenciado. As luvas devem ser retiradas e enroladas de dentro para fora, fazendo um embrulho, sem tocar na parte exterior. Põem-se, de seguida, no saco. Por fim, lavam-se as mãos.

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