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Coronavírus: 70% das famílias portuguesas estão mais pobres

Em média, cada família portuguesa já perdeu 944 euros desde o início da crise provocada pela covid-19. O prejuízo total representa 3,9 mil milhões de euros. Um valor que, em dois meses, quase triplicou. 

  • Dossiê técnico
  • Carlos Morgado
  • Texto
  • Deonilde Lourenço
22 maio 2020
  • Dossiê técnico
  • Carlos Morgado
  • Texto
  • Deonilde Lourenço
Lupa sobre o novo coronavírus e sobre várias notas

iStock

Ao mesmo tempo que as medidas de confinamento travavam o contágio pela covid-19, muitas famílias portuguesas entravam em crise financeira. Desde o início da pandemia no nosso País, em março último, até meados de maio, a perda de rendimento generalizou-se a 70% dos agregados familiares. Em média, cada um destes lares foi lesado em 1374 euros. Se considerarmos o universo das famílias portuguesas, cada uma já perdeu, em média, 944 euros. Ao multiplicar este valor pelo número de agregados (perto de 4,2 milhões), concluímos que, no total, o prejuízo já ultrapassa 3,9 mil milhões de euros. Em meados de março, era de 1,4 mil milhões euros. Ou seja, em dois meses, o prejuízo quase triplicou. 

Os números do nosso inquérito a uma amostra representativa da população nacional, sobre o impacto da covid-19 na situação financeira e profissional, não deixam margem para dúvidas: a crise instalou-se, está a avolumar-se e, segundo a perceção dos nossos inquiridos, o mais certo é que venha a agudizar-se ao longo dos próximos 12 meses. Apesar do aliviar das regras de confinamento e do gradual regresso à normalidade, as medidas de proteção aos consumidores terão de se prolongar durante mais algum tempo, para suavizar o impacto económico nas famílias.

No âmago deste abalo financeiro, está a perda ou a redução do rendimento profissional. Entre meados de março e meados de maio, a falta de liquidez salarial acentuou-se, passando de 581 para 1126 euros. Metade dos portugueses estão a sofrer as consequências dessa delapidação. Mas outras razões estão igualmente na base dos danos financeiros: cancelamento de viagens, de eventos culturais e desportivos, perdas em rendas de imobiliário e em investimentos em produtos financeiros. 

 

Habitação e alimentação: as despesas mais críticas 

Conseguir fazer face às despesas requer uma disciplina espartana em muitos lares. E pode até não ser suficiente. Comparando os dados do Barómetro DECO PROTESTE, de 2019, com os obtidos no inquérito atual, o crescimento da dificuldade é notório. As despesas com a alimentação e o pagamento da renda ou da prestação da casa são as áreas onde a situação é mais sensível. Do mesmo modo, o pagamento das contas da água, eletricidade e gás pesam nas contas domésticas dos mais fragilizados. 

As poupanças, como consequência, estão a ser bastante afetadas. Num terço dos casos, as economias já foram usadas para enfrentar as despesas diárias. E outro terço das famílias antevê a necessidade de o vir a fazer. 

Dadas as circunstâncias adversas, uma em quatro famílias viu-se forçada a pedir auxílio financeiro. As principais necessidades prendem-se com ajuda alimentar, assistência à família (para ficar em casa com filhos até aos 12 anos), subsídios (de desemprego, por exemplo), adiamento do pagamento das contas da água, luz, gás e telecomunicações, ou de impostos, e ainda com a suspensão ou adiamento do pagamento da renda, da prestação da casa ou de outros empréstimos.


Perceção pouco otimista sobre o futuro

Desde o início da crise provocada pela pandemia, 65% dos portugueses mantiveram-se ativos profissionalmente. Destes, 42% continuam a receber o mesmo salário. Contudo, 23% viram a sua fonte de rendimento reduzida. 

Horizontes mais negros enfrentam 22% das famílias, nas quais algum elemento ficou temporariamente sem trabalho, devido, por exemplo, a uma situação de lay-off (redução temporária dos períodos normais de trabalho ou suspensão dos contratos de trabalho por iniciativa das empresas), ou devido a desemprego, situação que atinge 13% das que responderam ao nosso inquérito. 

Os trabalhadores independentes são o elo mais fraco neste contexto: a maioria manteve-se a trabalhar, mas com perda de rendimentos. Porém, mesmo para quem trabalha por contra de outrem, o pessimismo é a palavra de ordem para os próximos 12 meses. A confiança no futuro está em queda. Mais de um terço dos portugueses vê como plausível ficar sem emprego. Já a perspetiva de perder parte do salário, sem a correspondente redução do horário laboral, é partilhada por cerca de metade. A perda de benefícios (subsídio de almoço ou seguro de saúde) ou a redução das oportunidades de carreira (promoções e aumento salarial) é um cenário expectável para a maioria.  

Como realizámos o estudo

Para este estudo, entre 14 e 15 de maio, enviámos um questionário online a uma amostra representativa da população portuguesa entre os 18 e os 74 anos. Recebemos, no total, 1002 respostas, que ponderámos pelas variáveis sexo, idade, região e nível educacional, para espelharem a realidade do nosso País.  

 

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