Osteoporose: fatores de risco e formas de proteger a saúde dos ossos
É uma doença silenciosa, que muitas vezes só é detetada quando ocorre uma fratura após uma queda ou um impacto. O que é a osteoporose, quais os fatores de risco e como se previne e trata?
A osteoporose é uma doença óssea metabólica em que a perda da densidade dos ossos os leva a tornarem‑se mais fracos e mais suscetíveis a fraturas. Ao longo da vida, o osso é continuamente renovado, com a substituição de osso antigo por osso novo, o que contribui para a manutenção da resistência do esqueleto. A osteoporose ocorre quando a regeneração óssea já não consegue acompanhar o processo da sua degradação. É considerada uma "doença silenciosa", porque a maior parte dos pacientes não sabe que a tem até ser confrontada com uma fratura depois de uma queda ou de um impacto ligeiro. A questão é que a intensidade desse impacto, normalmente, não seria suficiente para partir um osso numa pessoa que não sofresse da doença. As fraturas mais frequentemente associadas à osteoporose ocorrem nas vértebras (coluna), no fémur proximal (anca) e no rádio distal (punho).
Maioria dos pacientes são mulheres
Afeta 200 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). A proporção futura estimada é superior entre as mulheres (33%, contra 20% de homens, com cerca de 50 anos ou mais). E é responsável por nove milhões de fraturas em todo o mundo.
A OMS estima que uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens na faixa etária superior aos 50 venham a sofrer uma fratura devida à osteoporose.
Em Portugal, cerca de 80% dos doentes com osteoporose são mulheres. Por dia, há 194 fraturas que se devem à osteoporose e estima-se em 89 por 100 mil as mortes, por ano, devidas a essas fraturas, com um custo médio de 98 euros por indivíduo.
Fatores de risco da osteoporose
A doença pode dividir‑se em dois tipos: a osteoporose primária e a secundária. A primeira ocorre principalmente com o envelhecimento e pós‑menopausa, enquanto a segunda resulta de doenças subjacentes ou do uso de certos medicamentos.
A osteoporose tem diversos fatores de risco.
- Baixa densidade mineral óssea: a redução da densidade mineral dos ossos aumenta o risco de fraturas.
- Idade: o processo de envelhecimento pode acelerar o decréscimo da densidade óssea, aumentando o risco de fraturas.
- Género e etnia: as mulheres, especialmente após a menopausa, são mais suscetíveis à perda de densidade óssea do que os homens, uma vez que o organismo passa a produzir menos estrogénios. Esta hormona é importante na inibição da perda óssea. A osteoporose afeta mais as populações brancas e asiáticas.
- Antecedentes familiares: um historial de osteoporose na família aumenta a probabilidade de se padecer desta doença.
- Baixo índice de massa corporal: défice ou perda de peso associam‑se a maior perda óssea e aumento do risco de fraturas.
- Hábitos pouco saudáveis: fumar, consumir bebidas alcoólicas, sedentarismo e uma alimentação pouco variada e pobre em cálcio e vitamina D contribuem para a perda de massa óssea, aumentam o risco de fraturas e são de evitar.
Diagnóstico e prevenção
O diagnóstico da osteoporose baseia‑se na história clínica, em exame físico e em testes complementares. A história clínica recolhe informações sobre antecedentes médicos, estilo de vida e fatores de risco, enquanto o exame físico avalia a postura do doente, alterações de cifose (curvatura excessiva da coluna para a frente) ou diminuição da altura, sinais que podem indicar uma ou mais deformidades vertebrais. Testes adicionais, como a densitometria óssea (que mede a densidade mineral óssea) e análises laboratoriais de cálcio, fósforo e outros marcadores, podem ser necessários.
A avaliação da densidade óssea é fundamental para estimar o risco de fratura e determinar a necessidade de tratamento, e deve ser realizada de acordo com o perfil de risco individual de cada doente.
De acordo com a norma da Direção‑Geral de Saúde (DGS), os valores de referência da massa óssea utilizados são os da população feminina jovem. São referência tanto para a maioria dos pacientes – as mulheres – quanto para os homens. Após a avaliação de fatores de risco, a osteodensitometria é indicada a:
- Mulheres com idade superior a 65 anos e homens com idade superior a 70 anos;
- mulheres pós-menopáusicas com idade inferior a 65 anos e homens com idade superior a 50, que apresentem fatores de risco relevantes;
- mulheres pré-menopáusicas e homens com idade inferior a 50 anos, apenas se existirem causas conhecidas de osteoporose secundária ou fatores de risco relevantes.
Alimentos e exercício físico adequados são uma boa prevenção
A prática regular de atividade física, especialmente exercícios que promovam a força muscular, o equilíbrio e a mobilidade, ajuda a proteger a estrutura óssea e a reduzir o risco de quedas.
Quanto a alimentos, o leite e derivados são boas fontes de cálcio. Se não gostar ou não puder ou quiser consumir leite e derivados, há alternativas. Alguns exemplos, com a quantidade de cálcio que poderemos obter:
| Alimento | Cálcio aproximado |
|---|---|
| Copo de leite (250 ml) | 300 mg |
| Iogurte (125 g) | 175 mg |
| Sardinhas em conserva (lata) | 285 mg |
| Prato de robalo com batata-doce e grelos | ~360 mg |
O papel crucial da vitamina D
Manter os níveis de vitamina D é outra maneira de prevenir a osteoporose. Uma pessoa saudável consegue prevenir a deficiência de vitamina D através da exposição ao sol duas vezes por semana. Faça-o durante 5 a 30 minutos, expondo os braços e as pernas à luz solar. Use protetor solar.
A alimentação é uma fonte complementar de vitamina D.
Em que alimentos pode ser encontrada?
- Peixes gordos como o salmão, o atum ou as sardinhas.
- Farinha láctea.
- Ovos.
- Leite meio gordo.
As necessidades de vitamina D variam ao longo da vida, mas a dose diária de referência definida é de 5 microgramas.
Também existem suplementos alimentares, mas são preferíveis os alimentos e a exposição ao sol.
Como se trata a osteoporose?
Por vezes, apesar de todos os cuidados, a genética pode determinar que venha, efetivamente, a ocorrer a doença. Medicamentos como bifosfonatos (o ácido ibandrónico é um exemplo) inibem a reabsorção óssea, aumentado a densidade mineral do osso.
Da mesma família terapêutica faz parte o ácido zoledrónico. Outras terapias que ajudam a reduzir a perda óssea incluem a terapia hormonal, por exemplo.
Os resultados dos tratamentos com bifosfonatos são evidentes: uma terapia de três anos reflete‑se em 20 a 30 vezes menor risco de fraturas vertebrais, 10 vezes menos não‑vertebrais e três vezes menos da anca.
Outra família terapêutica é a conhecida como anabólica. Esta serve, essencialmente, para estimular a formação de osso novo. No entanto, os resultados dos medicamentos são de perceção relativa pelos pacientes. Tal como a osteoporose é "silenciosa" até determinado estado, também o tratamento pode não ter resultados imediatamente percetíveis. Mas é eficaz.
A suplementação de cálcio e de vitamina D também é, de resto, usada frequentemente como complemento a estes medicamentos, para assegurar a eficácia do tratamento.
O tratamento da osteoporose não se baseia apenas em medicamentos. A prática regular de exercício físico adaptado é uma parte fundamental da abordagem terapêutica. Contribui para a manutenção da força muscular, a melhoria do equilíbrio e a redução do risco de quedas.
Perguntas frequentes
A osteoporose tem cura?
Não, mas pode ser controlada eficazmente com tratamento adequado.
Os homens também podem ter osteoporose?
Sim. Embora menos frequente, o risco aumenta com a idade.
Quem tem osteoporose deve evitar exercício físico?
Não. Pelo contrário, o exercício adequado é parte fundamental da prevenção e do tratamento.
A osteoporose causa dor?
A doença em si não causa dor. A dor surge, sobretudo, quando ocorrem fraturas.
|
O conteúdo deste artigo pode ser reproduzido para fins não-comerciais com o consentimento expresso da DECO PROTeste, com indicação da fonte e ligação para esta página. Ver Termos e Condições. |
