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Constipação: trate com descanso

07 outubro 2015

07 outubro 2015

A constipação não tem cura, mas é possível aliviar os sintomas com medicamentos e muito descanso.

As constipações são provocadas por vírus que causam uma infeção na zona do nariz e da garganta. Propagam-se com facilidade no inverno: a chuva e o frio obrigam a maiores concentrações de pessoas em espaços fechados, onde a probabilidade de transmissão é maior.

Em média, os adultos contraem 2 a 4 constipações por ano e as crianças, cujo sistema imunitário está menos desenvolvido, entre 3 e 8. Uma vez constipado, a melhor estratégia de combate é a paciência: com o descanso adequado, o organismo tem capacidade de superar a infeção, que pode durar até uma semana e meia.

Descongestionantes até 3 dias
Os vapores ajudam a aliviar o nariz entupido. O método tradicional de debruçar-se num alguidar com água a ferver e uma toalha a tapar não é recomendado, devido ao risco de queimaduras. Prefira os vapores de um duche quente e limpe com soro fisiológico ou água do mar esterilizada.

Em caso de “grande aflição”, pode recorrer a descongestionantes, como a oximetazolina, a xilometazolina e a fenilefrina. Os sprays têm menos efeitos adversos do que os comprimidos, mas o uso prolongado pode provocar uma recaída ou agravar o problema: se os aplicar por mais de 72 horas, em vez de desentupir, congestionam. Outros efeitos indesejáveis são a secura do nariz e as hemorragias.

Limão e mel para a garganta
Tal como a tosse, as dores de garganta resultam da inflamação na laringe e faringe. Não existindo outros sinais, como pus, gânglios inchados ou dor ao engolir, o problema passará sem tratamento. Gargarejar com água salgada pode aliviar o incómodo: dissolva meia colher de chá com sal num copo de água morna e use várias vezes por dia. Beber uma infusão quente com mel e limão também ajuda. Os anestésicos, como a benzocaína, permitem um alívio temporário, mas ficam mais caros e não servem para as crianças.

Paracetamol para a febre
O paracetamol é o medicamento mais indicado para a maioria dos que têm febre durante a constipação. As crianças e as grávidas podem tomá-lo, desde que respeitem a dose indicada no folheto informativo. Em excesso, pode causar danos no fígado e, em casos extremos, a morte. Não deve ser administrado a quem sofre de doença hepática grave, como insuficiência.

Pode também usar anti-inflamatórios, como ibuprofeno e ácido acetilsalicílico. O primeiro tem uma ação mais duradoura do que o paracetamol (6 horas, em vez de 4), mas não deve ser usado em bebés com menos de 3 meses. Em quantidade excessiva, pode originar problemas no estômago e nos intestinos.

O ácido acetilsalicílico é contraindicado até aos 12 anos, havendo mesmo especialistas que não o recomendam antes dos 16 anos. Nas crianças e jovens, pode provocar síndrome de Reye, problema grave e raro que atinge o cérebro e o fígado. Também não é aconselhado durante a gravidez, em particular, no último trimestre, e a idosos propensos aos seus efeitos adversos (por exemplo, com tendência para problemas gástricos). Quem já o tome para prevenir doenças cardiovasculares, não deve usá-lo para outros fins.

Sintomas incómodos e contágio fácil
O mal-estar localiza-se sobretudo na zona do nariz e da garganta. Com a inflamação destes, aumenta a produção de muco, surge o corrimento e a congestão nasal, acompanhada de espirros. Estas secreções podem irritar a faringe e provocar dor de garganta e tosse.

Ao tossir, espirrar ou falar, libertam-se gotículas contaminadas. Se alguém as inalar, muito provavelmente, ficará infetado. Por isso, é fundamental cobrir a boca e o nariz com um lenço de papel sempre que espirrar ou tossir. Em seguida, deite-o no lixo e lave as mãos. Se não puder usar um lenço, recorra ao antebraço, não à mão.

O contágio também pode ser indireto. Ao espirrar, por exemplo, o vírus é transferido para um telefone, uma maçaneta ou um teclado, onde sobreviverá até 3 horas.

Lavar as mãos amiúde, com água e sabão, ajuda a prevenir o contágio. Se possível, evite contacto próximo com doentes e não partilhe objetos, como toalhas, talheres, copos e brinquedos.

A constipação apresenta sintomas idênticos aos da gripe, pelo que é difícil distingui-las. Porém, na última, as manifestações tendem a ser mais intensas e incluem febre, arrepios, dores no corpo e cansaço extremo. Nalguns casos, evolui para pneumonia e pode ser necessário internamento hospitalar. Na constipação, as complicações são raras.

Xarope para a tosse pouco útil
A tosse surge quando há irritação na faringe, laringe e vias respiratórias superiores (tosse seca) ou quando há expetoração para libertar (tosse produtiva).

Para a primeira, existem antitússicos que inibem o reflexo da tosse. No caso das crianças, a Organização Mundial da Saúde sugere-os apenas quando a tosse prejudica a alimentação ou o sono.

Os expetorantes e os mucolíticos destinam-se à tosse produtiva. Os primeiros aumentam a produção de muco e os segundos tornam as secreções mais líquidas e fáceis de expelir. Nem uns nem outros têm benefícios comprovados e os efeitos secundários não devem ser negligenciados: dificuldade em respirar, problemas gastrointestinais e febre, no caso dos mucolíticos, e irritações no estômago e intestinos para os expetorantes.