Dicas

Como identificar uma convulsão e o que fazer

Uma crise convulsiva demora apenas alguns minutos e o melhor socorro inicial é proteger a vítima de se magoar durante o episódio da convulsão. 

  • Dossiê técnico
  • Susana Santos
  • Texto
  • Sofia Frazoa e Filipa Nunes
18 fevereiro 2020
  • Dossiê técnico
  • Susana Santos
  • Texto
  • Sofia Frazoa e Filipa Nunes
rapariga deitada no chão a ser socorrida por outra pessoa

iStock

As convulsões podem ter origem, entre outras causas, em crises de epilepsia ou traumatismos cranianos. São provocadas por um excesso de atividade elétrica no cérebro, que origina uma breve rutura das mensagens que passam entre as células cerebrais.

Uma crise convulsiva pode identificar-se através de alguns sinais e sintomas:

  • perda súbita da consciência;
  • movimentos involuntários de parte ou de todo o corpo, tipo tremores;
  • cor arroxeada da face;
  • maxilares cerrados;
  • mordedura da língua (poderá aparecer sangue na boca);
  • incontinência urinária;
  • após acordar, a vítima recupera a consciência, mas poderá apresentar-se desorientada;
  • possível sonolência e sem memória do episódio, que gradualmente vai recuperando.

Por norma, as convulsões são episódios que demoram apenas alguns minutos e o primeiro socorro mais adequado é tentar que a vítima não se magoe enquanto dura a crise. Segundo o INEM, é importante tornar a área em volta da vítima segura e amparar a vítima na queda. Para proteger a cabeça da vítima, use almofadas, toalhas enroladas, um casaco dobrado ou peça de roupa que tenha consigo, como uma camisola ou cobertores. Em último caso, estabilize-lhe a cabeça com as suas mãos para que não embata contra algo.

Não ponha nada na boca da vítima, nem as mãos para segurar a língua. Existe a crença, errada, de que as vítimas de convulsão enrolam a língua e podem sufocar.

Coloque a vítima em Posição Lateral de Segurança assim que parar de tremer. Siga estes passos recomendados pelo INEM:

  • ajoelhe-se e alinhe o corpo da vítima, que deve ficar com os braços estendidos ao longo do corpo. Retire-lhe óculos e objetos volumosos dos bolsos;
  • coloque o braço da vítima que está junto a si dobrado, com a palma da mão virada para cima e ao nível da cabeça;
  • permaneça onde está e pegue na outra mão da vítima. Dobre-lhe o braço por forma a cruzar o peito e a colocar as costas da mão na face da vítima do seu lado. Após este movimento, segure do lado oposto ao seu a perna da vítima na zona do joelho, levante-a e dobre-a;
  • utilize a perna dobrada para ajudar a rolar a vítima para o seu lado. Durante este movimento mantenha uma mão a apoiar a cabeça da vítima enquanto a faz rolar;
  • certifique-se que a vítima está a respirar e fique com ela até que a crise termine, procurando manter a calma. 

Ligue o 112. Esta ação é especialmente importante caso seja a primeira vez que a pessoa tem uma convulsão, se tiver outra crise de seguida, se tiver dificuldade em respirar, se estiver grávida, tiver diabetes ou doença cardíaca, ou se a convulsão durar mais de 5 minutos.

Durante o episódio de crise convulsiva evite:

  • abraçar a vítima ou tentar que páre os movimentos;
  • colocar algo na boca da vítima, pois esta pode magoar-se;
  • fazer respiração boca a boca. Regra geral, consegue-se voltar a respirar normalmente depois de uma crise convulsiva;
  • oferecer água ou comida até que a pessoa esteja completamente recuperada.

 

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