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Champôs reparadores não fazem mais do que os clássicos

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Todos lavam bem, mas os primeiros não se destacam no cuidado do cabelo danificado. Repará-lo é missão impossível, porque não se regeneram células mortas.

  • Dossiê técnico
  • Susana Costa Nunes e Susana Santos
  • Texto
  • Fátima Ramos
25 março 2019
  • Dossiê técnico
  • Susana Costa Nunes e Susana Santos
  • Texto
  • Fátima Ramos
champos

iStock

Escovagens agressivas, sol, humidade, químicos e metais pesados das piscinas e da água salgada, calor do secador ou dos ferros de alisar e moldar e, sobretudo, os tratamentos químicos, como colorações, descolorações e permanentes, infligem “maus-tratos” ao cabelo e podem deixar marcas irreparáveis.

Quanto mais frequente for a exposição e mais comprido o cabelo, maior o risco. Uma vez com pontas espigadas, os fios jamais voltam ao normal, porque são formados por células mortas, impossíveis de regenerar - a única solução é cortar a parte estragada. Assim, falta à verdade qualquer champô que se autoproclame reparador, indicado para cabelos danificados, como três dos testados.

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Segundo o Regulamento Europeu dos Cosméticos, as alegações, implícitas ou explícitas, usadas na rotulagem e na publicidade não podem atribuir aos produtos características ou funções que estes não possuem e devem ser baseadas “em elementos comprovativos adequados e verificáveis”. Ora, se o cabelo só tem células vivas na raiz, não será muito honesto dar a entender que o uso de um champô permite restaurar danos. Questionámos o Infarmed sobre o assunto, mas a resposta foi pouco esclarecedora: “A avaliação da conformidade é analisada caso a caso”. Neste caso, as denominações “reparador” e “regenerador” deveriam mesmo desaparecer das embalagens dos champôs. Sugerimo-lo ao Infarmed. Esperamos que decida a favor da veracidade da informação  ao consumidor.

Poderá, pelo menos, esperar-se que um champô dito reparador deixe o cabelo com melhor aspeto, isto é, mais brilhante, suave, leve e “esvoaçante”, por exemplo, do que um clássico? Provavelmente, não. Num conjunto de 28 champôs “reparadores” testados por nós e por outras sete associações de consumidores europeias, apenas dois se superiorizaram neste aspeto.

Bons, mas iguais aos outros

O aspeto do cabelo foi avaliado em laboratório por especialistas, que lavaram a cabeça de 25 mulheres. Todas tinham o cabelo pelos ombros, tendencialmente seco e danificado. Nos cinco dias anteriores ao teste, as participantes usaram o seu champô habitual e não aplicaram amaciador.

Durante a lavagem, os profissionais opinaram sobre a eficácia dos produtos e verificaram a facilidade em retirá-los  da embalagem, o tempo para produzir espuma e a respetiva quantidade e textura, bem como a facilidade em espalhar e em enxaguar. As classificações destas características na lavagem foram boas.

Depois, os especialistas secaram e pentearam os cabelos, avaliando, por exemplo, a facilidade em desembaraçar e escovar o cabelo molhado e seco, a maleabilidade, o brilho, efeito eletroestático (“eletricidade estática”), após a secagem. Globalmente, todos os produtos passaram nas provas e um obteve a classificação máxima.

No laboratório, a eficácia da lavagem foi medida em madeixas de cabelo claro natural, com sete centímetros de comprimento, intencionalmente sujas. Em condições idênticas e bem controladas, algumas destas madeixas foram lavadas só com água, outras com um produto de referência sintetizado em laboratório, e outras com os champôs testados. Primeira conclusão: ao contrário do que pensam alguns, a lavagem só com água não remove a sujidade. Quanto aos champôs, não há diferenças entre os seis testados.

Vencidas as provas técnicas, é preciso passar no crivo dos utilizadores: os seis champôs foram reembalados em laboratório, para que a marca não fosse reconhecida, e distribuídos por 30 mulheres com cabelo danificado. Estas lavaram a cabeça três vezes numa semana com o mesmo produto, sem usar amaciador. Depois, preencheram um inquérito em que avaliaram uma série de critérios, como consistência, textura, quantidade de espuma, sensação de limpeza e facilidade em aplicar o produto e em pentear o cabelo (seco e molhado). No geral, as avaliações das utilizadoras foram mais baixas do que as dos especialistas, não havendo diferenças entre os champôs que se dizem reparadores e os clássicos. 

Escovagem suave e cortes frequentes

O segredo dos cabelos bonitos e saudáveis são os cortes frequentes e as escovagens suaves, de preferência, com escovas de plástico ou madeira, com dentes largos. Os cortes evitam que as pontas sequem e espiguem. Com as escovangens suaves, há menor probabilidade de os fios partirem. Recorrer o menos possível ao secador e aos tratamentos químicos, como colorações e descolorações, também ajuda a manter o brilho e a leveza do cabelo.

 

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