Exmos. Senhores,
Venho por este meio apresentar uma reclamação formal contra o Crédito Agrícola, bem como contra o funcionamento da respetiva linha de apoio telefónico, pela sucessão de práticas abusivas, cobranças indevidas, informação contraditória e tratamento manifestamente pouco profissional ao cliente.
Sou cliente do Crédito Agrícola há mais de um ano, tendo transitado da Caixa Geral de Depósitos e aderi a uma Conta Condomíno de 20€ trimestral sem cartão mas com transferências gratuitas, a partir de outubro de 2024, comecei subitamente a ser cobrada o valor de 1,04€ por cada transferência, sem explicação clara nem comunicação prévia adequada.
Apesar da minha insatisfação, a situação agravou-se aquando da tempestade Kristin, período durante o qual, para evitar custos repetidos com transferências associadas a adiantamentos urgentes, acabei por suportar vários pagamentos do meu próprio bolso.
Contactei a linha de apoio do Crédito Agrícola, onde me foi transmitido que a única forma de não pagar comissões por transferências, seria proceder a levantamentos em numerário ao balcão. Seguindo essa indicação, desloquei-me ao balcão, efetuei um levantamento e, adicionalmente, aderi a uma “Conta Empresas CA” com pacote associado e cartão de débito gratuito. Para meu espanto, apesar de já ter o cartão em minha posse, continuo a ser cobrada o valor de 1,04€ por cada transferência, sem que ninguém saiba explicar porquê.
Mais grave ainda: após indicação prévia da linha de apoio de que o levantamento ao balcão não teria custos, efetuei um levantamento no valor exato de 241,70€, assinei documentação com esse mesmo montante (nem mais nem menos) e, ainda assim, foi-me cobrada uma comissão de 4,94€ pelo levantamento em numerário. Até à data, ninguém soube justificar esta cobrança.
Adicionalmente, foi-me debitado o valor relativo à disponibilização do cartão de débito, posteriormente devolvido, novamente debitado, e devolvido uma segunda vez com um valor inferior em 0,05€, sem qualquer explicação. Trata-se de valores pequenos, mas que demonstram desorganização grave, falta de controlo e desrespeito pelo cliente.
No dia de hoje, a partir das 14h25, realizei múltiplos contactos telefónicos para a linha de apoio:
– Fui atendida inicialmente por uma operadora, claramente despreparada, que demonstrava não ouvir corretamente e aparentava estar a rir durante a chamada.
– Solicitei um supervisor e foi-me dito que “não havia nenhum disponível” e desligou a chamada.
– Nova chamada: fui atendida por outra operadora (Beatriz) que se recusou a ajudar alegando que eu “não me tinha autenticado anteriormente”, quando a autenticação é sempre iniciada pelo próprio operador e, nesse contacto, nem sequer me tinha sido solicitada. Desligou
– Nova chamada: outra operadora atendeu já a rir. Questionei a falta de profissionalismo, referi que conheço bem o funcionamento de call centers e do setor bancário (onde já trabalhei), e fui novamente “passada” para um supervisor. Após cerca de 10 minutos em espera, a chamada foi desligada.
– Numa quarta chamada, já depois de várias tentativas falhadas de contacto com o balcão de Tomar, fui atendida por um operador (João) que, embora educado, demonstrou desconhecimento total da situação e confirmou não existir qualquer forma de contacto direto com supervisão, apenas “através do site”.
Em nenhuma das chamadas obtive resposta às três questões essenciais:
1- Porque foi cobrada uma comissão de 4,94€ por um levantamento em numerário que me foi garantido como isento?
2- Porque foram debitadas e devolvidas comissões associadas ao cartão de débito, sendo a última devolução com valor inferior?
3 - Porque continuo a pagar 1,04€ por transferência, mesmo após adesão a um pacote que supostamente elimina essa comissão?
Considero esta atuação globalmente inaceitável, abusiva e profundamente desrespeitosa para com o cliente, revelando falhas graves de informação, formação, supervisão e controlo interno.
Solicito o apoio da DECO para:
– Análise destas práticas;
– Esclarecimento formal das comissões cobradas;
– Reposição integral dos valores indevidamente debitados;
– E averiguação do funcionamento da linha de apoio do Crédito Agrícola, que aparenta não cumprir padrões mínimos de qualidade e responsabilidade.
Com os melhores cumprimentos,
Catarina Pereira,
CA EMPRESAS