Assunto: Reclamação – práticas abusivas nas caixas self-service do IKEA
Venho por este meio apresentar reclamação relativamente às práticas adotadas pelo IKEA no que respeita à utilização exclusiva de caixas self-service e ao tratamento dado aos clientes.
Atualmente, o IKEA não disponibiliza caixas com operadores, sendo os clientes obrigados a utilizar exclusivamente caixas self-service, sem qualquer alternativa. Esta situação obriga o cliente a desempenhar funções que normalmente competem a um operador de caixa, sem qualquer contrato, formação ou enquadramento legal, o que levanta dúvidas quanto à legalidade desta prática.
A generalização das caixas self-service permite ao IKEA reduzir custos com recursos humanos, transferindo essa responsabilidade para o cliente, que executa o trabalho de forma gratuita. Paralelamente, a empresa promove campanhas institucionais de imagem positiva, contrastando com a experiência real vivida pelos clientes nas lojas.
Esta situação tem causado constrangimentos significativos. No IKEA de Loures, fui alvo de um episódio particularmente grave. Solicitei apoio a uma operadora, que se recusou a prestar assistência, referindo que existiam orientações internas que impediam o registo de artigos pelos funcionários. Saliento que não tenho obrigação de saber operar estes equipamentos nem de ser sujeito a esse tipo de imposição.
O controlo exercido sobre os clientes nas caixas self-service é excessivo, com pressão constante por parte dos operadores e da segurança, falta de espaço para acomodar os artigos e falhas frequentes do sistema. No meu caso, a máquina apresentou um erro e ficou inoperacional durante vários minutos.
Quando a operadora se dirigiu à caixa, adotou uma atitude inadequada, limitando-se a reiniciar o sistema e solicitando que repetisse todo o processo. Após concluir o registo e tentar sair da loja, fui interpelado pelo segurança e impedido de prosseguir, sem explicações claras. A fatura foi retirada para verificação, situação que considero abusiva.
Foi identificado que um artigo não constava na fatura, facto que resultou de uma falha do sistema. Apesar de tal ter sido explicado, fui mantido no local. Posteriormente, ao tentar registar o artigo, o próprio sistema voltou a apresentar erro, confirmando que a situação não foi causada por ação minha.
Considero que estas práticas colocam o cliente numa posição injusta, sujeitando-o a vigilância excessiva, constrangimentos e suspeição indevida, sem que exista alternativa às caixas self-service. Estas situações afetam negativamente os direitos do consumidor e merecem análise pelas entidades competentes.
Solicito a intervenção da DECO para avaliação desta situação e eventual encaminhamento para as autoridades responsáveis