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Medicamentos à mesa

28 jan 2003
A Teste Saúde testou 80 produtos e encontrou resíduos de medicamentos em metade das amostras de mel, 40% de ovos e 10% da carne de porco. O problema coloca-se, sobretudo, ao nível dos antibióticos, cuja utilização generalizada tem levado ao aparecimento de bactérias resistentes, que ameaçam tanto a saúde humana, como das restantes espécies.

Na sua edição de Março/Abril, aquela revista de consumidores dedicada a temas de saúde apresenta os resultados de um teste realizado em quatro países europeus (Portugal, Espanha, Bélgica e Itália), cujo objectivo foi verificar a existência de resíduos de medicamentos em quatro grupos de alimentos: mel, ovos, carne de porco e camarão.

Cada país levou ao laboratório 80 produtos, 20 de cada um dos grupos de alimentos e os resultados dão que pensar: no total dos quatro países, 43% das amostras de mel, 18% das de ovos e 5% das de carne de porco continham resíduos de medicamentos.

No caso português, metade das amostras de mel apresentavam vestígios de medicamentos: Campo Dulce mel de flores, Carrefour mel mil flores, Colmeia Belchior mel urze rosmaninho, Continente mel mil flores, Diese mel de mil flores, El Corte Inglés mil flores, Elodie mel de néctar, Ferbar mel puro, Granja São Francisco mel de néctar e Modelo mel mil flores. Três destas continham, mesmo, mais do que uma substância medicamentosa e quatro apresentavam resíduos de cloranfenicol, um antibiótico com elevada toxicidade, cuja utilização é proibida na União Europeia (Campo Dulce, Continente, Granja São Francisco e Modelo).

Nas 20 amostras de ovos nacionais, foram oito as que apresentaram problemas: Brudy classe M (enriquecidos em DHA), CAC classe M, Casa do Aido classe M, Continente classe M, Matinados classe M, MelRui classe M, Modelo classe M, Power Eggy classe M (ricos em vitamina E e DHA).

Quanto à carne de porco (costeletas), a revista da DECO encontrou vestígios de medicamentos em duas amostras do Intermarché do Cacém (arredores de Lisboa) e do Carrefour de Vila Nova de Gaia.

O camarão adquirido em Portugal, desta vez, não apresentou nenhum problema. Já nos produtos estrangeiros, as análises acusaram, diversas vezes, um bloqueio ao crescimento das bactérias, mas não foi possível identificar a substância responsável (antibiótico ou desinfectante).

Na alimentação, e citando o artigo publicado na revista da DECO, "o objectivo é e será sempre não encontrar resíduos de antibióticos ou outros medicamentos nos produtos que chegam ao nosso prato". Por isso, os representantes dos consumidores exigem:

  • um reforço do controlo em certos domínios, como é o caso da separação da comida para os frangos e as galinhas poedeiras;
  • uma fiscalização mais intensa dos produtos provenientes de regiões onde as exigências de qualidade são menos rigorosas, como é o caso dos países asiáticos. A nível nacional, esta tarefa cabe à Direcção-Geral de Veterinária;
  • a adopção de medidas claras no que respeita à administração de medicamentos a animais doentes (em que condições? Que tipo de medicamentos, para que casos? Quem pode prescrevê-los?);
  • uma legislação mais severa sobre a utilização de antibióticos e outras substâncias para fins não curativos. Mais concretamente, os consumidores exigem que se proíba a adição de antibióticos à comida dos animais, a título preventivo ou a fim de favorecer o crescimento;
  • a obrigação de utilizar um "boletim de saúde" para os animais, onde constem os medicamentos administrados, a data, etc., à semelhança do que já existe para o gado bovino;
  • o controlo eficaz, por parte da União Europeia, da aplicação das normas já existentes pelos Estados-membros.

A par dos resíduos de antibióticos e outros medicamentos, as crises alimentares que têm assolado a Europa abalaram significativamente a confiança dos consumidores e colocaram a segurança alimentar como área prioritária de acção. Para enfrentar e prevenir outras crises, são necessários procedimentos mais rápidos, medidas mais eficazes, com bases científicas mais sólidas, assim como uma melhor coordenação de esforços com vista a uma melhor protecção da saúde.

A União Europeia e todos os Estados-membros têm vindo a desenvolver esforços nesse sentido. Em Portugal, pelo contrário, continuamos à espera de uma Agência para a Qualidade e Segurança Alimentar. Além disso, prevê-se que esta agência, quando sair da sombra, tenha apenas funções de avaliação e comunicação de risco, sem que tenham sido dadas garantias de um sistema de fiscalização e controlo da qualidade da cadeia alimentar.

   

| Teste Saúde n.º 42 - Março/Abril de 2003 - Páginas 9 a 13 |