Notícias

"Compre agora, pague depois", mas com cautela

O modelo "compre agora, pague depois" permite a qualquer pessoa fazer compras online e pagar em prestações, sem juros. Saiba como funciona e o que deve ter em atenção para evitar situações de sobre-endividamento. 

03 março 2022
calendário com dia marcado para pagamento da prestação

iStock

A modalidade de pagamento “compre agora, pague depois” (buy now, pay later, em inglês) permite aos utilizadores fazerem compras online, em qualquer loja, e pagar de forma parcelada, sem juros.

Em Portugal, o leque de operadores que permitem fracionar o pagamento de compras online ainda é reduzido, mas, no final do ano passado, passou a incluir a Klarna, a maior aplicação de pagamentos parcelados a nível europeu. Esta fintech permite dividir em três vezes o pagamento de artigos com preços entre 35 e 1000 euros.

Apesar das vantagens deste modo de pagamento, que soma milhões de utilizadores em todo o mundo, há cuidados a ter para evitar situações de sobre-endividamento. 

Como funciona o "compre agora, pague depois"

A maioria dos prestadores deste tipo de serviço opera através de lojas parceiras, a quem é cobrada uma comissão sobre as transações.

No entanto, os utilizadores também podem fazer compras de forma parcelada em lojas não aderentes. Para tal, após instalarem a aplicação no smartphone devem associar-lhe um cartão de débito ou de crédito, à semelhança do que acontece com apps como o MB Way, por exemplo. Para fazer um pagamento, a aplicação cria um cartão temporário de compra única. São os dados deste cartão que, na confirmação da compra, devem ser inseridos nos campos destinados aos cartões de crédito. Uma parte do montante total será debitado da conta do cliente de imediato, e as restantes, nas datas estipuladas pelo operador utilizado.

Caso falhe alguma prestação, é cobrada uma comissão. No caso da Klarna, o custo por prestação vencida varia entre 0,3% e 1%, dependendo do valor da compra. Por exemplo, entre 100 e 149,99 euros, há a pagar 1 euro pelo atraso, enquanto, entre 300 e mil euros, a taxa é de 3 euros.

Evitar o sobre-endividamento

Parcelar uma compra pode ser um instrumento útil para fazer face a despesas inesperadas e de montante elevado, como, por exemplo, a troca de um eletrodoméstico. Pode até ser mais vantajoso do que recorrer a um cartão de crédito, uma vez que não são cobrados juros.

Mas a adoção desta solução deve ser feita de forma ponderada. A ausência de análise prévia à capacidade financeira dos clientes, algo que ocorre nos financiamentos convencionais, faz com que o risco de sobre-endividamento possa ser maior. Além disso, em economias em que estes serviços estão mais generalizados, chama-se à atenção para o aumento das compras por impulso, prática que pode ter um impacto negativo nos orçamentos familiares.

Alerta-se ainda para a necessidade de maior transparência por parte dos prestadores de serviços no que toca, por exemplo, à cobrança de taxas, em caso de atraso nos pagamentos, regra nem sempre clara para os clientes.

Para que faça bom uso desta ferramenta, há que ter em atenção um conjunto de aspetos:

  • leia sempre os termos e condições do serviço, procurando informar-se sobre o valor das taxas devidas em caso de incumprimento;
  • verifique se pode ativar, na aplicação, alertas sobre a data de débito das prestações;
  • faça também um registo das despesas efetuadas, bem como das datas de cobrança das mensalidades;
  • se estiver com dificuldades em cumprir o plano de pagamentos, entre em contacto com o prestador de serviços, de forma a encontrarem a melhor solução para a liquidação da dívida. 

Junte-se à maior organização de consumidores portuguesa

A independência da DECO PROTESTE é garantida pela sustentabilidade económica da sua atividade. Manter esta estrutura profissional a funcionar para levar até si um serviço de qualidade exige uma vasta equipa especializada.

Registe-se para conhecer todas as vantagens, sem compromisso. Subscreva a qualquer momento.

Junte-se a nós

 

O conteúdo deste artigo pode ser reproduzido para fins não-comerciais com o consentimento expresso da DECO PROTESTE, com indicação da fonte e ligação para esta página. Ver Termos e Condições.