Contratos por telefone? Desconfie
Recebeu uma chamada a prometer um serviço com condições especiais? Não aceite logo o contrato. Exija tudo por escrito.
Um contrato por telefone só é válido se o consumidor receber todas as condições por escrito, em suporte virtual ou em papel, e der consentimento expresso. Além disso, dispõe de 14 dias seguidos para cancelar sem custos. A legislação é clara e protege quem é confrontado com chamadas comerciais insistentes e planeadas para convencer o consumidor mais resistente. É fundamental que o consumidor conheça todas as condições do serviço.
Se já recebeu um telefonema a propor-lhe um serviço de telecomunicações, ou a mudança de operador de energia a condições imbatíveis, já deve, com certeza, ter ouvido o seguinte, ou algo parecido: “Boa tarde, o meu nome é... e sou da empresa x... Se aderir agora, tem 50% de desconto no primeiro ano, dentro do período de fidelização.” Se desconfiou, disse logo que não estava interessado e apressou o fim da chamada, fez bem.
A crescente pressão comercial através de chamadas telefónicas tem levado a um aumento das queixas em vários setores. Atividades como comunicações eletrónicas, serviços postais, eletricidade e serviços financeiros encabeçam a lista dos setores de atividade com mais reclamações. A lei portuguesa impõe limites apertados às vendas à distância, definindo requisitos obrigatórios para que um contrato possa ser considerado válido.
Quando é que um contrato por telefone é realmente válido?
Um contrato celebrado no decorrer de uma chamada telefónica só vincula o consumidor quando cumpre três condições essenciais:
- envio obrigatório de todas as condições contratuais por escrito (e-mail, SMS ou carta);
- consentimento expresso do consumidor, através da assinatura ou de confirmação digital;
- entrega, no prazo máximo de cinco dias, de um resumo claro com os elementos essenciais da oferta. Deve permitir a fácil compreensão e deve reunir todos os elementos que podem condicionar a decisão de contratar.
Sem estes elementos, não há contrato válido e o operador não pode exigir pagamentos, nem o cumprimento de quaisquer outras obrigações, como uma fidelização.
Como confirmar se é seguro aceitar uma proposta por telefone?
As dúvidas mais recorrentes surgem em perguntas simples, frequentemente pesquisadas:
- “É seguro aceitar contratos por telefone?”
- “Como posso confirmar se o que me dizem ao telefone corresponde ao contrato?”
- “Posso recusar um contrato por telefone depois de ter dito que sim?”
Segundo a lei, nenhuma proposta é segura enquanto não for analisada por escrito. O telefonema nunca basta por si só.
Confira, antes, alguma informação essencial.
- A informação escrita coincide com o que foi dito?
- O preço final, incluindo impostos, está discriminado?
- A eventual fidelização e os encargos estão claramente descritos?
- Existe formulário de cancelamento incluído?
Se houver discrepâncias, o consumidor deve suspender a adesão até esclarecer tudo.
Técnicas agressivas: o que a lei considera ilegal
A legislação distingue várias práticas que tornam um contrato anulável:
- pressões para decisão imediata;
- criação artificial de urgência;
- ameaças de perda de descontos;
- pedidos de pagamento durante a chamada;
- aproveitamento de fragilidade ou desconhecimento do consumidor.
Se estas técnicas forem utilizadas, o consumidor pode anular o contrato ou modificá-lo.
| Informação obrigatória | O que deve incluir |
|---|---|
| Identificação do operador | Nome e contactos |
| Características do serviço | Funcionalidades, limitações, equipamentos |
| Preço final | Taxas, impostos, custos adicionais |
| Qualidade mínima | Velocidades, compensações por incumprimento |
| Fidelização | Duração e penalizações |
| Livre resolução | Prazo, regras e formulário |
| Dados pessoais | Consentimentos e listas telefónicas |
| Restrições | Acesso a chamadas de emergência e geolocalização |
Como cancelar um contrato celebrado por telefone
A legislação portuguesa garante o direito de livre resolução no prazo de 14 dias após a celebração. Este direito não exige justificação e não implica custos.
Como proceder
- Envie comunicação escrita (e-mail ou carta registada). Pode usar o formulário fornecido pelo operador, mas não é obrigatório.
- Indique claramente a intenção de resolver o contrato.
- Guarde prova da data de envio.
- Pague apenas o proporcional caso já existam serviços prestados.
O que fazer quando o operador recusa enviar o contrato
A recusa em enviar condições por escrito é proibida. Nestes casos, o consumidor pode — e deve — apresentar queixa.
Entidades competentes:
- livro de reclamações eletrónico;
- Anacom;
- o Portal Reclamar, da DECO PROteste;
- centros de arbitragem de consumo (obrigatórios nos serviços essenciais).
A empresa tem 30 dias para cumprir o contrato ou reembolsar montantes pagos. Se não o fizer, pode ser obrigada a devolver o valor em dobro.
Os contratos por telefone só são válidos quando existe transparência e documentação escrita. A pressão para aceitar imediatamente nunca é um bom sinal. A regra essencial permanece: nada substitui a análise calma e esclarecida das condições por escrito.
Vantagens e inconvenientes
Vantagens
- Adesão rápida.
- Não requer deslocação.
- Direito de cancelamento em 14 dias.
Inconvenientes
- Maior risco de práticas agressivas.
- Informação incompleta no momento da chamada.
- Possíveis diferenças entre o prometido e o enviado.
- Complexidade na leitura das condições contratuais.
Perguntas frequentes
Posso bloquear chamadas comerciais indesejadas?
Sim. O consumidor pode solicitar a remoção da sua lista de contactos e reportar insistências indevidas à Anacom e à Comissão Nacional de Proteção de Dados.
Um “sim” verbal durante a chamada serve como contrato?
Não. A aceitação verbal não tem validade sem envio prévio das condições e consentimento expresso por escrito.
Se o operador alterar condições após o envio, o que acontece?
Alterações substanciais dão ao consumidor o direito de rescindir sem custos.
Fui induzido em erro. O que posso fazer?
É possível pedir a anulação do contrato, ou a sua modificação, e apresentar queixa por prática enganosa ou agressiva.
O contrato por telefone tem o mesmo valor que um assinado?
Tem validade equivalente desde que cumpra todos os requisitos legais atrás descritos.
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